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O dólar, os BRICS e o bolsonarismo como peça no xadrez geoeconômico dos EUA

Dennis Moraes 15 de julho de 2025 6 minutes read
Cássio Faeddo

Cássio Faeddo

Por Cássio Faeddo

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A economia dos Estados Unidos repousa sobre um paradoxo: a maior potência global é, também, o maior devedor do planeta. Com uma dívida pública superior a US$ 36 trilhões — o equivalente a mais de 130% do seu PIB — os EUA sustentam essa anomalia graças a um fator decisivo: a centralidade do dólar como moeda de reserva internacional.

Essa centralidade permite ao Tesouro americano emitir títulos com alta demanda global, mesmo oferecendo juros reais historicamente baixos.

Mais ainda: permite que a Federal Reserve (Fed) conduza políticas de expansão monetária agressiva (quantitative easing) sem enfrentar os mesmos riscos de inflação descontrolada que outros países. A inflação é, em parte, exportada, pois grande parte da base monetária em dólares circula e é retida no exterior, especialmente por bancos centrais, fundos soberanos e contratos de commodities.

No entanto, esse arranjo, funcional desde Bretton Woods e reforçado após a década de 1970 com o petrodólar, começou a ser desafiado. A criação de mecanismos alternativos como o CIPS (China Interbank Payment System) e os acordos bilaterais de liquidação em moedas nacionais entre China, Rússia, Índia e países do Oriente Médio sinalizam um movimento em direção a uma nova arquitetura financeira internacional.

A moeda dos BRICS

Em 2023, durante a cúpula dos BRICS em Joanesburgo, foi debatida abertamente a criação de uma moeda comum, lastreada em uma cesta de commodities e reservas multilaterais.

A ideia, inspirada parcialmente nos Direitos Especiais de Saque (SDR) do FMI, ganhou tração com a entrada de países como Arábia Saudita, Irã e Egito no bloco. Esses países detêm parte significativa da produção energética global, o que permitiria à nova moeda disputar o papel hoje exercido pelo petrodólar.

Segundo Zoltan Pozsar, ex-estrategista do Credit Suisse, estamos diante do nascimento de um “Bretton Woods III”, onde o lastro não seria mais a confiança no Fed, mas ativos físicos estratégicos — petróleo, grãos, minerais raros.

Para os EUA, isso seria devastador: perder o status de moeda de reserva implicaria encarecer o custo da dívida, limitar o déficit fiscal e repatriar trilhões hoje emitidos sem lastro real.

O peso das exportações brasileiras

Em 2024, o Brasil exportou aproximadamente 337 bilhões de dólares. A China foi o principal destino, com cerca de 95 bilhões, o que representa 28% do total. Em seguida, a União Europeia comprou 48,3 bilhões, correspondendo a 14,3%, enquanto os Estados Unidos receberam 40,9 bilhões em produtos brasileiros, o equivalente a 12% das exportações.

A Índia foi destino de 10 bilhões (3%), a Rússia de 3,5 bilhões (1%) e a África do Sul de 1,4 bilhão (0,4%). Somando os países do BRICS, excluindo o próprio Brasil, as exportações brasileiras alcançaram cerca de 110 bilhões de dólares, o que corresponde a 33% do total exportado no ano.

Ou seja, as vendas para os EUA são importantes, mas não têm a mesma relevância que em outros tempos.

Lula, tarifas e a disputa pela ordem global

Assim, não há qualquer responsabilidade direta de Lula pelas tarifas impostas por Donald Trump contra o Brasil. Essas medidas são expressão clara da política protecionista do trumpismo, que vê no fortalecimento dos BRICS — especialmente diante de um possível novo bloco monetário — uma ameaça à hegemonia econômica dos EUA.

O que pode ser dito, sim, é que a postura de Lula como entusiasta da multipolaridade e da integração Sul-Sul, particularmente por meio do BRICS, incomoda a lógica unipolar defendida por Trump e setores conservadores norte-americanos.

Assim, embora Lula não tenha provocado diretamente a tarifação, sua política externa reafirma um projeto geopolítico que os EUA de Trump tentam sufocar por meio de sanções, tarifas e isolamento econômico.

Portanto, a tarifação não é reação a Lula individualmente, mas ao que ele representa: uma tentativa de autonomia do Sul Global diante do poder norte-americano.

O bolsonarismo como instrumento geopolítico

É nesse tabuleiro que o bolsonarismo surge como peça útil à geopolítica norte-americana. Não se trata apenas de ideologia, mas de funcionalidade.

Jair Bolsonaro, durante seu mandato, alinhou o Brasil de forma inédita à política externa dos EUA, especialmente sob Donald Trump. Entre os efeitos concretos dessa submissão destacam-se:

  • O desmonte da integração sul-americana, como o enfraquecimento deliberado do Mercosul e da UNASUL;

  • A hostilidade em relação à China, maior parceiro comercial do Brasil, minando tentativas de aproximação com o bloco asiático;

  • O desestímulo à adesão plena do Brasil à Nova Rota da Seda e outros fóruns multipolares;

  • A politização da política cambial e monetária, com declarações e ações que fragilizaram a estabilidade econômica e facilitaram a fuga de capitais.

A estratégia é clara: manter o Brasil como zona de influência dolarizada, dependente de Washington, impedindo que o país utilize seu peso geoeconômico para viabilizar uma moeda alternativa no Sul Global.

É por isso que o bolsonarismo, mesmo fora do poder formal, continua sendo cultivado por think tanks conservadores dos EUA, pela extrema-direita global e por setores do agronegócio que temem perder os lucros atrelados ao sistema atual.

E nesse contexto, qualquer um serve — Eduardo, Tarcísio, Jair — desde que subserviente aos EUA e refratário aos BRICS.

O Brasil e a nova moeda mundial

Além disso, o Brasil, com sua biodiversidade, água doce, lítio e alimentos, é peça-chave para qualquer moeda lastreada em commodities. Controlar seu alinhamento é vital para os interesses de Washington.

A economia americana está baseada em uma construção artificial: a confiança global no dólar como unidade de conta, meio de pagamento e reserva de valor.

Mas essa construção é sustentada por poucos tijolos — e um deles pode ser abalado por uma moeda que retire parte do lastro do dólar, ainda que em transações entre pares. Parece pouco, mas é muito dinheiro.

Se os BRICS forem capazes de lançar uma moeda respaldada por ativos reais, e se países como o Brasil deixarem de agir como protetores informais do dólar, o edifício pode começar a ruir.

A estratégia americana, então, depende não apenas de armas e tarifação, mas de ideologia, influência e controle indireto de narrativas políticas.

O bolsonarismo, nesse cenário, não é apenas um fenômeno local — é uma peça geopolítica global que ainda serve à permanência do dólar como centro do mundo.

Cássio Faeddo é Mestre em Direito e MBA em Relações Internacionais pela FGV-SP

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Dennis Moraes

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Jornalista, Hoster do Iron Podcast e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação

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Tags: América do Sul bolsonarismo Brasil no mundo Bretton Woods III Brics+ Cássio Faeddo cenário internacional china comércio internacional commodities desdolarização dívida pública dólar economia global Estados Unidos geopolitica guerra econômica hegemonia americana influência política Lula moeda alternativa moeda dos BRICS multipolaridade opinião petrodólar política externa protecionismo Rússia Sul Global think tanks Trump

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