Maior instituição de ensino de Goiás, UFG começa o ano com contingenciamento de verbas
Na área da educação, 2019 será lembrado como o ano de cortes orçamentários nas universidades públicas brasileiras e de hostilidade contra tais instituições de ensino.
Em um cenário de cortes e descaso, inúmeras universidades públicas ameaçaram parar as aulas devido à falta de verbas e ao atraso de pagamento de serviços básicos como limpeza e segurança.
Caso Universidade Federal de Goiás
Em julho, a Universidade Federal de Goiás (UFG) disse que não poderia custear todas as suas despesas até o fim do ano e teria que paralisar as aulas, caso o governo não desbloqueasse 30% do orçamento da instituição.
Localizada em Goiás, a UFG encerrou 2019 com três meses de contas em atraso, o equivalente a uma média de R$ 22 milhões. Mesmo com o desbloqueio, em outubro, de 100% dos recursos que haviam sido contingenciados dos orçamentos das universidades públicas, a UFG inicia 2020 com verbas suficientes para cobrir custos básicos da instituição por apenas 9 meses.
Importância das universidades
Além de formar milhares de profissionais para a atuação no mercado de trabalho brasileiro, as universidades públicas são responsáveis pela maioria das pesquisas científicas realizadas no país.
Outra ação importante a cargo dessas instituições é o atendimento médico em hospitais vinculados aos cursos da área da saúde, além de projetos de extensão que atendem a comunidades em diferentes atividades, como prestação de serviços, cursos de esporte e lazer.
Postura de líderes do governo
Somado aos cortes de verbas, universidades públicas brasileiras enfrentaram em 2019 uma série de declarações hostis por integrantes do governo federal. O próprio presidente disse algumas vezes que considera as universidades públicas um “ninho de comunistas” e questionou a qualidade da produção científica dessas instituições.
Em uma publicação feita em abril em sua página no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Ministério da Educação estudava descentralizar o investimento em faculdades de sociologia e filosofia, pois o objetivo era focar em áreas que, na sua avaliação, geram “retorno imediato aos contribuintes”, como medicina, engenharia e veterinária.
Uma fala de Abraham Weintraub, ministro da Educação, que gerou repercussão foi a de que o Ministério da Educação cortaria verbas das universidades que estivessem promovendo “balbúrdias”.
Em dezembro, em um debate na Câmara dos Deputados, ele também afirmou que existiam “extensas plantações de maconha” nessas universidades e que os laboratórios de química dessas instituições eram usados para a produção de drogas sintéticas.
Investimento em educação e tecnologia da UFG
Mesmo em um ambiente hostil, em 2019, a Universidade Federal de Goiás anunciou a criação do primeiro curso de graduação brasileiro sobre Inteligência Artificial. Os estudantes poderão se inscrever por meio do Sisu 2020 em uma das 40 vagas disponibilizadas pela UFG para esse curso.
Necessária em diferentes áreas, a Inteligência Artificial pode ser aplicada na identificação de fraudes no sistema tributário, por exemplo, além de permitir a digitalização de prontuários médicos, uma maior precisão de diagnósticos, auxiliar na regulação de pragas e no processamento de dados na agricultura.
O propósito do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da UFG é fomentar a formação de talentos na área, a fim de aumentar a competitividade do Brasil na formulação de soluções tecnológicas inovadoras, estabelecendo diálogos entre instituições públicas e empresas privadas. O montante de investimentos previstos na iniciativa é de R$ 50 milhões, ao longo de seis anos.





