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RHs coletam dados, mas ainda têm dificuldades para usá-los em decisões estratégicas

Dennis Moraes 30 de setembro de 2026 5 minutes read
RH

Foto: Vitaly Gariev/Unsplash.

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Só 18% usam análise de dados de forma consistente, aponta pesquisa

  • SAFE GREEN - CERTIFICADO DIGITAL

Durante muito tempo, decisões relacionadas à gestão de pessoas foram tomadas principalmente a partir da experiência dos gestores, da percepção sobre as equipes e de informações dispersas em planilhas e sistemas.

Com a ampliação das ferramentas de análise de dados, porém, o RH passou a ter condições de identificar padrões e acompanhar indicadores capazes de revelar aspectos da força de trabalho e sua relação com os resultados do negócio.

É nesse contexto que o People Analytics ganhou espaço como abordagem para apoiar decisões estratégicas na gestão de pessoas por meio da coleta, organização e análise de dados.

O desafio, no entanto, não está apenas em reunir informações, mas em interpretá-las de forma que possam orientar decisões. É o que mostra uma pesquisa da consultoria global Korn Ferry, realizada com 750 líderes de RH de diferentes países e divulgada pela Society for Human Resource Management (SHRM) em 2025.

Segundo o levantamento, apenas 18% dos líderes globais de RH acreditam que suas organizações utilizam consistentemente a análise de dados para melhorar as decisões de negócio. Entre os principais executivos de Recursos Humanos (Chief Human Resources Officers, ou CHROs), 74% disseram que as capacidades de People Analytics de suas organizações são básicas ou predominantemente descritivas.

O resultado mostra que coletar indicadores é apenas uma etapa do processo. Para que os dados contribuam efetivamente para as decisões, é preciso avançar da descrição para a interpretação, cruzando informações para identificar padrões, levantar hipóteses e orientar ações mais precisas na gestão de pessoas.

Dados ajudam a responder perguntas do RH

Quando bem aplicado, o People Analytics pode apoiar decisões em diferentes frentes dos Recursos Humanos.

Na área de recrutamento, por exemplo, a análise de dados pode ajudar a identificar características comuns entre profissionais que permanecem na empresa e apresentam bom desempenho. A partir dessas informações, o RH pode aprimorar critérios de seleção e avaliar quais estratégias de contratação produzem melhores resultados.

Na retenção, os dados podem ser utilizados para identificar padrões associados ao risco de desligamento. Indicadores como histórico profissional, movimentações internas, remuneração, absenteísmo e resultados de pesquisas de clima, quando analisados em conjunto e considerados dentro do contexto da organização, podem ajudar a antecipar situações que merecem atenção.

O mesmo raciocínio vale para o engajamento. Em vez de observar apenas o resultado geral de uma pesquisa de clima, a análise pode buscar relações entre fatores como liderança, desenvolvimento, reconhecimento e intenção de permanecer na empresa. Com isso, a organização consegue direcionar melhor suas ações.

Já na produtividade, o cruzamento de indicadores de pessoas com informações sobre desempenho e operação pode ajudar os gestores a investigar quais fatores estão relacionados aos resultados das equipes. O objetivo não é atribuir automaticamente uma causa a cada correlação, mas gerar evidências que permitam aprofundar a análise e tomar decisões mais fundamentadas.

Mais dados não significam decisões melhores

O avanço do People Analytics também modifica o papel do profissional de RH. Mais do que dominar ferramentas, é preciso saber quais perguntas devem ser feitas, quais dados são relevantes e como interpretar os resultados sem perder de vista o contexto da organização.

Por isso, o uso estratégico de dados não significa substituir a experiência dos gestores por algoritmos. A tecnologia amplia a capacidade de análise, enquanto a interpretação humana contínua necessária para compreender os fatores por trás dos indicadores e definir quais ações fazem sentido.

Essa combinação ganha importância à medida que ferramentas de inteligência artificial e análise avançada tornam mais acessíveis recursos que antes exigiam estruturas especializadas. Para empresas de diferentes portes, o ponto de partida pode estar menos na quantidade de dados disponível e mais na capacidade de organizar informações confiáveis e utilizá-las para responder a problemas concretos de gestão.

Capacitação para transformar dados em estratégia

Para profissionais de RH e gestores que desejam desenvolver essa competência, a formação em People Analytics reúne conhecimentos sobre análise de dados e sua aplicação à gestão de pessoas.

O curso People Analytics e Inteligência de Dados para Gestão de Pessoas, da Escola de Pessoas, tem duração de quatro horas e apresenta desde os conceitos fundamentais da área até sua aplicação prática. Entre os conteúdos estão os principais tipos de análise, ferramentas e linguagens utilizadas em People Analytics e possibilidades de uso da inteligência artificial em recrutamento, treinamento e acompanhamento de indicadores.

A formação é ministrada por Dayanne Rodrigues, líder de People Analytics e HR Data na Vale, profissional com mais de 15 anos de experiência em dados, tecnologia e gestão de pessoas. O conteúdo é voltado a profissionais de RH, líderes, gestores e empreendedores que buscam utilizar evidências para compreender desafios como turnover e absenteísmo, melhorar a gestão de talentos e apoiar decisões relacionadas às equipes.

Mais do que acumular informações, a proposta do People Analytics é transformar dados brutos em conhecimento capaz de responder a perguntas relevantes para a organização. Quando a análise está conectada aos objetivos do negócio, os indicadores deixam de ser apenas números acompanhados pelo RH e passam a funcionar como instrumentos para orientar decisões.

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Dennis Moraes

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Jornalista, Hoster do Iron Podcast e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação

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