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Quais nacionalidades e grupos mais foram vítimas do trabalho escravo na indústria têxtil até hoje e por quê

O universo da moda é um dos setores que mais recebem denúncias de trabalhadores em condições precárias

 

Quando o consumidor deseja adquirir uma peça de roupa que seja de qualidade, bonita e confortável, muitas vezes, desconsidera quem produziu aquele item. Por isso, neste cenário, buscar informações sobre a marca que você deseja comprar é uma ótima forma de questionar o subemprego na moda.

 

Muitas marcas varejistas já foram flagradas com costureiros em condições insalubres de trabalho. O problema ocorre nas pequenas oficinas terceirizadas que tais redes contratam para a fabricação de suas peças.

 

Em alguns casos, por exemplo, uma peça fabricada por um trabalhador que ganhou até R$ 5 é vendida nas lojas por 100 vezes este valor. Em outros, o salário recebido pelos trabalhadores é até 5 vezes menor que a quantia mínima estabelecido no país.

 

De acordo com o Código Penal Brasileiro, considera-se como trabalho análogo ao escravo, nos dias de hoje, aqueles que ocorrem em condições degradantes, jornadas exaustivas, serviço forçado ou servidão por dívida.

 

Desta forma, órgãos governamentais, como o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e entidades sem fins lucrativos têm como missão fiscalizar marcas em busca de uma indústria têxtil mais transparente. De acordo com relatório da Walk Free Foundation, cerca de 29 milhões de pessoas são escravizadas no mundo.

Quem são os grupos mais explorados?

Entre os grupos mais afetados, estão populações vulneráveis socioeconomicamente, seja por fazerem parte dos imigrantes de um novo país ou devido à desigualdade do território de origem. Essas pessoas movimentam-se em busca de uma vida melhor e migram para o Brasil por indicação de familiares.

 

Assim, destaca-se a exploração de mão de obra latino-americana no setor têxtil, com destaque para os povos bolivianos e peruanos. Outra nacionalidade recorrente neste setor são os haitianos. Além deste quadro, o trabalho infantil é outro meio exploratório na indústria da moda.

Como as marcas podem combater o trabalho escravo

O processo para a produção de itens de qualidade, sustentáveis e que garantam os direitos dos trabalhadores devem se guiar por três pontos principais:

 

  • Políticas de combate: As marcas devem assumir o compromisso de se opor ao trabalho escravo dentro de sua cadeia de produção e fornecedores;
  • Monitoramento: A verificação da cadeia produtiva deve ser recorrente e se sustentar em medidas de fiscalização,
  • Transparência: Toda a empresa tende a ganhar quando é mais transparente com seus clientes. Por isso, perceba as ações que tornam visível a preocupação da marca com a objeção ao trabalho escravo.

 

Devido ao seu grande poder de movimentação da economia, as empresas e lojas de bens de consumo podem influenciar na precarização das condições trabalhistas no setor.

 

Isso pode ocorrer pela oferta de preços muito baixos ou possibilidade de entregas rápidas e flexíveis. Assim, é importante assumir responsabilidade quanto às oficinas de costura terceirizadas que fornecem o estoque de peças para a venda nas lojas.

Saiba de onde vem suas roupas

O consumidor também pode contribuir para uma indústria têxtil consciente e que provoque impactos sociais positivos. Para isso, é possível garantir itens bonitos que combinem com o seu estilo e sejam produzidos de forma sustentável.

 

Movimentos como o Fashion Revolution buscam promover um mercado de moda que seja positivo e inspirador. O movimento provoca a reflexão por meio do questionamento “quem fez as suas roupas?”.

 

Outra iniciativa é o aplicativo Moda Livre, que mapeia mais de 120 marcas por meio de um questionário de transparência. A partir daí, a ferramenta classifica as marcas em três níveis: verde, amarelo e vermelho, de acordo com a adoção de ações promovidas pelas empresas a fim de evitar o trabalho escravo.

 

Já o selo concedido pela Associação Brasileira do Vestuário Têxtil (ABVTEX) identifica negócios que atuam com responsabilidade social. Enquanto o coletivo Repórter Brasil divulga informações sobre o histórico de empresas envolvidas em casos de trabalho escravo.