Paróquias da diocese celebram Solenidade de Corpus Christi nesta quinta-feira

Paroquianos enfeitam ruas para procissão de Corpus Christi. Foto: Rosiley Lourenço/Diocese de Piracicaba

“Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim (Mt 26,26)

 

Nesta quinta-feira, dia 4 de junho, feriado nacional, a Igreja Católica celebra o Corpus Christi (Corpo de Deus) como festa de contemplação, adoração e exaltação, onde os fiéis se unem em torno de sua herança mais preciosa deixada por Cristo, o Sacramento da sua própria presença.

 

Na Diocese de Piracicaba, todas as paróquias realizam celebrações especiais e muitas usam de criatividade para decorar as ruas próximas à Matriz com confecção de tapetes para a procissão do Corpo do Senhor Jesus presente no Santíssimo Sacramento que caminha junto ao povo. Para a montagem dos tapetes, que começa durante a madrugada, serão utilizados materiais como sal grosso tingido, pó de café e serragem. Além da decoração das ruas, é comum nas paróquias a realização de  campanhas sociais, com a arrecadação de alimentos, leite ou agasalhos.

 

Entre as paróquias de Piracicaba que farão tapetes estão: Imaculado Coração de Maria (Paulicéia), Santa Cruz e São Dimas (São Dimas), Santa Clara (Cecap) e São Francisco Xavier (Itapuã). Em São Pedro, os paroquianos enfeitarão as ruas do entorno da matriz São Pedro e também da Paróquia São José. Já, em Santa Bárbara D’Oeste, algumas das paróquias que farão tapetes são: Santo Antônio, Imaculada Conceição e a Matriz Santa Bárbara, no centro da cidade.

 

Os trabalhos de montagem dos tapetes serão realizados pelos fiéis já nas primeiras horas da manhã em todas as paróquias. O cancelamento da confecção poderá ocorrer somente em caso de chuva.

 

O bispo diocesano Dom Fernando Mason presidirá Celebração Eucarística na Estação da Paulista, sendo que a concentração terá início às 15h30 e a missa às 16h. A missa será concelebrada por vários sacerdotes. Logo após, será realizada procissão até a Catedral Santo Antônio, descendo pela rua Governador Pedro de Toledo até Morais Barros, chegando a Praça da Catedral. Já dentro da Catedral Santo Antônio acontecerá a bênção e a adoração do Santíssimo.

 

HISTÓRICO – A solenidade do Corpo de Deus teve início no século XII, quando foi instituída pelo Papa Urbano IV em 1264, através da bula “Transiturus”, que prescreveu esta solenidade para toda a Igreja Universal.

A origem da festa deu-se por um fato extraordinário ocorrido ao ano de 1247, na Diocese de Liége – Bélgica.  Santa Juliana de Cornillon, uma monja agostiniana, teve consecutivas visões de um astro semelhante à lua, totalmente brilhante, porém com uma incisão escura. O próprio Jesus Cristo a ela revelou que a lua significava a Igreja, a sua claridade as festas e, a mancha, sinal da ausência de uma data dedicada ao Corpo de Cristo.  Santa Juliana levou o caso ao bispo local que, em 1258, acabou instituindo a festa em sua Diocese.

O fato, na época, havia sido levado também ao conhecimento do bispo Jacques de Pantaleón que, quase duas décadas mais tarde, viria a ser eleito Papa (Urbano IV), ou seja, ele próprio viria a estender a solenidade  a toda a Igreja Universal. O fator, que deflagrou a decisão do Papa, e que viria como que a confirmar a antiga visão de Santa Juliana, deu-se por um grande milagre ocorrido no segundo ano de seu pontificado: O milagre eucarístico de Bolsena, no Lácio, onde um sacerdote tcheco, Padre Pietro de Praga, colocando dúvidas na presença real de Cristo na Eucaristia durante a celebração da santa Missa, viu brotar sangue da hóstia consagrada. (Semelhante ao milagre de Lanciano, ocorrido no início do Século VIII).

O fato foi levado ao Papa Urbano IV, que encarregou o bispo de Orvietro a levar-lhe as alfaias litúrgicas  embebidas com o Sangue de Cristo. Instituída para toda a Igreja, desde então, a data foi marcada por concentrações, procissões e outras práticas religiosas, de acordo com o modo de ser e de viver de cada país, de cada localidade.

No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, em Brasília. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais e com o passar do tempo a prática foi adotada em diversas dioceses do território nacional.

A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ale é alimentado com o próprio corpo de Cristo. Durante a missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.

Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar “o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível, haja procissão pelas vias públicas”, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos da Igreja e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse aos seus apóstolos: “Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim(Mt 26,26). Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira, após o domingo de Santíssima Trindade.

 

 

 

 

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