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#OutubroRosa “Chorei nos primeiros dias, depois resolvi encarar”

O ano era 2003. A carioca Ana Maria Bruzdzensky de Faria, então com 55 anos, foi fazer mais um exame de rotina, quando descobriu o câncer de mama. “A minha sorte era que eu fazia a mamografia todo ano. E aí em uma dessas vezes que eu fiz apareceu no seio direito. Era pequenininho, atrás do bico do seio. Mas apesar de pequeno, era invasivo”, conta a aposentada.

E então veio a difícil decisão. Ana Maria retirou o seio e não quis reconstituir na mesma cirurgia. “Tinha a possibilidade de fazer a reconstituição junto com a cirurgia, mas eu não quis, porque eu não sabia se eu teria que fazer quimioterapia ou radioterapia. Preferi tirar tudo e fiquei sem um seio. Mas realmente é bem constrangedor para a mulher tirar um seio. Foi o pior período, porque me senti muito deprimida”, lembra.

Mesmo com o diagnóstico, ela não quis fraquejar. “Quando eu descobri depois da biopsia que era câncer, foi bem traumático. Mas minha família é meu foco principal e eu sabia que se eu me desesperasse, todo mundo ia se desesperar também. Então chorei um pouco nos primeiros dias, depois resolvi: tem que encarar”, afirma a aposentada que recebeu apoio dos cinco filhos e dos netos, além dos amigos, que sempre apareciam para jogar buraco e distraí-la um pouco.

Outra vez – Ana Maria passou por todo o processo de quimioterapia e apenas depois de um ano da última sessão ela pode fazer a reconstituição da mama direita. Mas aí veio outra notícia que abalou a aposentada. “Ainda fiquei tomando um remédio controlado por cinco, até 2010. Quando eu tive alta do remédio, um mês depois eu estava com câncer no outro seio, no esquerdo”. Mas desta vez, ela não precisou fazer a quimioterapia. “Pelo menos isso. Eu retirei e reconstitui na mesma cirurgia, já que não tinha que fazer quimioterapia”, explica.

A carioca, que já mora há 30 anos em Brasília (DF), também passou a se preocupar mais com a saúde. “Mudei a alimentação. Nesses anos eu emagreci 10 kg, comecei a me preocupar com não ficar sedentária, a fazer exercícios. Aí hoje eu danço e faço fisioterapia. Todo dia eu tenho gluma atividade. Faço dança de salão, forró, samba no pé, soltinho, bolero e agora eu estou no tango”, conta.

Autoexame – “Se eu fosse esperar pelo autoexame, aí já era. Porque como o tumor era muito pequeno e atrás do bico do seio, eu não ia achar nunca apenas apalpando. Minha opinião é que quando você consegue achar apalpando, ele já está muito grande. Então às vezes você não consegue retirar sem já ter se espalhado muito, sem metástase. Já a mamografia é ali na hora”, recomenda Ana Maria.

Em relação ao autoexame, o médico sanitarista e epidemiologista doInstituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), Arn Migowski, afirma que não se usa mais o método como técnica que deve ser ensinada às mulheres. “Grandes estudos já mostraram que o autoexame não tem efeito na diminuição da mortalidade pelo câncer de mama. O que se preconiza atualmente é o que a gente chama de política de alerta. É a mulher ser consciente do próprio corpo, conhecer o próprio corpo, as variações ao longo da vida, do ciclo hormonal, ao longo do mês. E estar atenda a sinais de alerta de câncer”.

Segundo Arn Migowski, muitas mulheres pensam que se é câncer, tem que ter dor. Mas na maioria das vezes isso não é verdade. De acordo com o médico, o sinal principal de câncer de mama é o caroço endurecido e mais fixo no seio. “E tem outros sinais suspeitos, como a saída de secreção espontânea do mamilo, sem a mulher comprimir a mama e de um lado só, caroço embaixo do braço. Esses são sinais mais suspeitos de câncer”.

Kathlen Amado e Luana Spinillo / Blog da Saúde

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Dennis Moraes