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Orientação Vocacional: um processo de escolhas

As escolhas começam desde a infância, quando as crianças escolhem uma cor, uma roupa, um alimento, escolhem entre uma brincadeira e outra, e aos poucos essas pequenas e importantes escolhas ganham maiores dimensões e, com elas, maiores responsabilidades.

Na adolescência o jovem se depara com a primeira grande escolha que fará em sua vida: a escolha da profissão. Um longo processo que está relacionado com a constituição da própria identidade, por isso geralmente ocorre no final da adolescência.  Naturalmente é um período de dúvidas e angústias e será vivenciado de forma diferente por cada um de acordo com a própria estrutura emocional e história de vida.

Alguns jovens podem ter dificuldade em escolher quando, por exemplo, possuem muitas aptidões, indivíduos multipotenciais, com interesse em diversos campos, ou que desejam e podem seguir várias profissões. Outros podem ter dificuldade frente ao processo de discriminação, tanto dos próprios interesses e características, aptidões quanto das profissões, vivendo muita ansiedade frente à escolha. Essa função (do ego) de discriminação ocorre de forma lenta e gradual, com várias tentativas, avanços e retrocessos, ao longo de vários anos, construindo dessa forma o projeto e identidade profissional. É necessário que ocorra para que seja possível “poder ver” e “poder se ver”.

O trabalho de Orientação Vocacional proporciona um espaço para pensar junto com o jovem sobre suas dúvidas e conflitos, através do autoconhecimento e do conhecimento das profissões. Pode ser feito antes da escolha profissional ou para repensar escolhas já feitas. Alguns jovens, após cursar um período da faculdade ou mesmo depois de formado, encontram algumas dificuldades em continuar no curso, ou por dificuldades emocionais em se separar da família para cursar uma faculdade longe de casa, ou por perceber que não se identifica com o curso ou mercado de trabalho, por exemplo.

Ter um suporte nesses momentos pode ajudar muito o adolescente a identificar as emoções que estão envolvidas no processo, a pensar sobre aquelas profissões que já despertam interesse e ampliar para outras que não foram pensadas, a conhecer sobre diferentes profissões e possibilidades de campos de atuação, a ampliar o conhecimento dos próprios desejos, aptidões, características pessoais e relações que são estabelecidas com profissões de interesse.

Esse processo que o adolescente vive de emergir de um núcleo familiar e passar de relações dependentes para outras relações fora da família e para a aquisição da própria identidade, naturalmente implica nessas dúvidas, confusões e até em um sentimento de culpa e depressão (pela morte simbólica dos pais idealizados e da criança em si mesmo), mas é possível através desse trabalho contar com uma ajuda para viver essa fase de escolhas.

 

* Melissa Duran Senicato (CRP 6/101431) é psicóloga com atuação na área clínica, educacional e de orientação vocacional, com ampla experiência no atendimento a adolescentes e adultos. Sua área de estudos é a psicanálise.

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