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O caos no Afeganistão pode influenciar na economia nacional?

TOPSHOT - Taliban fighters stand on a vehicle along the roadside in Kandahar on August 13, 2021. (Photo by - / AFP) (Photo by -/AFP via Getty Images)

Em mais uma reviravolta de poder, o Afeganistão se torna novamente o principal assunto nos noticiários internacionais, gerando uma preocupação global tanto com os cerceamento dos direitos humanos dos afegãos quanto com as consequências para as economias de outros países, inclusive o Brasil.

Nos últimos dias, o mundo assistiu atônito o desespero de afegãos apavorados com a volta do grupo extremista Talibã e a sua tomada de Cabul, capital do Afeganistão, além de outras regiões importantes do país asiático.

 

E ao observarmos de longe esse cenário de desalento, a sensação é de que os acontecimentos que vimos parecem muito distantes da nossa realidade.

 

No entanto, nenhum país está livre de crises sem precedentes que podem causar desemprego, recessão, falências, fome e morte, mesmo que seja em locais afastados e com uma realidade distante da nossa.

 

Atualmente, vivemos no Brasil uma crise sanitária e econômica de grandes proporções que nem imaginávamos ser possível. Por isso, é necessário se precaver com tudo que estiver ao nosso alcance, seja economizando uma reserva de emergência ou investindo em uma previdência privada para garantir o futuro.

 

Outra conduta necessária é a de buscar informações sobre tudo que acontece no mundo para saber de que maneira isso pode nos afetar.

 

Por isso, continue sua leitura e entenda melhor a situação do Afeganistão e descubra se esse caos pode influenciar na economia nacional.

Acontecimentos recentes

No dia 14 de abril desse ano (2021), o Presidente dos Estados Unidos Joe Biden anunciou que a retirada das tropas americanas do território afegão começaria no mês seguinte, e assim o fez.

 

Além dos Estados Unidos e Reino Unido, outras nações que formavam a aliança militar que garantia a segurança do país, também anunciaram a retirada de suas tropas.

 

Até meados de agosto, o Talibã já controlava em torno de 67% do território afegão. E nessa semana, no dia 15 de agosto, sem enfrentar resistência das forças de segurança afegãs, o grupo extremista tomou Cabul, a capital do país.

 

Em meio ao caos, o presidente Ashraf Ghani renunciou ao cargo e após fugir para o Tajiquistão, os países ocidentais aceleraram a retirada de seus cidadãos do Afeganistão.

 

O que se seguiu a partir daí, foram imagens dignas de um filme de terror e que nunca mais serão esquecidas.

 

Cenas caóticas de milhares de afegãos se espremendo no aeroporto de Cabul, correndo atrás de qualquer avião que estivesse saindo de lá e se pendurando em aeronaves em movimento, além de imagens perturbadoras de pessoas caindo do avião enquanto ele decola.

A Origem do Talibã

O Talibã é um grupo radical fundamentalista de orientação Sunita que surgiu em 1994 com o objetivo de governar o Afeganistão impondo a lei Islâmica conhecida como Sharia.

 

Estudantes ligados a escolas religiosas que possuiam uma visão extremamente conservadora do Islamismo deram origem a essa organização e, inclusive, o termo Talibã significa “estudante” na língua pachto.

 

Graças ao apoio do Paquistão e à aprovação tácita dos Estados Unidos, cresceram rapidamente.

 

Dotados de um poderoso arsenal militar, realizaram várias conquistas territoriais e em 1996, o Talibã já havia conquistado grande parte do território Afegão, incluindo a capital Cabul.

 

Ao tomar o poder, impôs um regime autoritário extremamente radical, desrespeitando totalmente os direitos humanos.

 

Proibiram jogos, televisão, música, fotos, destruíram livros e patrimônios da humanidade e as mulheres não puderam mais trabalhar ou estudar.

 

As penas impostas pelo regime nesse período incluíam cortar as mãos de ladrões, esmagar homossexuais, executar assassinos em público e apedrejar mulheres adúlteras.

 

Em 2001, o Talibã tornou-se alvo dos Estados Unidos depois do Afeganistão dar abrigo a Osama Bin Laden, responsável pelo ataque de 11 de setembro às Torres Gêmeas.

 

E após o talibã se recusar a entregar o terrorista, o Afeganistão foi invadido por tropas norte-americanas, britânicas, canadenses, entre outras e, em pouco tempo, as tropas norte-americanas já estavam dominando todo o país.

 

Agora, depois de 20 anos, com a efetivação das retiradas das tropas militares norte-americanas e de outras nações, o Talibã retomou o poder no Afeganistão.

 

Relações do Afeganistão com o Brasil

Em 1952, Brasil e Afeganistão estabeleceram relações diplomáticas e no ano de 2006 o Acordo Básico de Cooperação Técnica (ACT) foi assinado.

 

Diferente da maioria dos países ocidentais que possuem ligações com o Afeganistão através do setor militar, as relações com o Brasil giram em torno da agricultura.

 

Mas, segundo o Ministério das Relações Exteriores no Brasil, há possibilidade de cooperação em áreas como energias renováveis, mineração, educação, tecnologia eleitoral e políticas sociais.

 

A relação de comércio entre os dois países não é muito significativa e a balança comercial em 2020 foi favorável ao Brasil com um superávit de mais de UR$ 37,6 milhões. Os números revelam um comércio limitado e os principais produtos exportados pelo Brasil são carne de frango, café e milho.

 

Sobre os conflitos no país asiático, o Brasil se posicionou através do Itamaraty, dizendo:

 

“O Brasil acompanha atentamente a situação no Afeganistão e apoia os esforços da comunidade internacional em prol da reconciliação nacional e da reconstrução do país.”

 

Mas, será que esse caos no Afeganistão pode impactar a economia do nosso país?

 

De acordo com o professor de Leonardo Paz, que integra o Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (NPII) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), será difícil que isso aconteça:

 

“O efeito deverá ser quase imperceptível, o país tem uma economia pequena e não tem relevância internacional em nenhum setor. O pior impacto seria na integração regional, mas tradicionalmente os países já evitam passar com seus projetos de infraestrutura pelo país dada a situação que ele está desde 2001”, explica o professor Leonardo Paz.