Nova Odessa: No Dia do Agricultor, IEMA incentiva o consumo de alimentos orgânicos


Em reportagem especial, Oscip apresenta trabalho da Cooperacra e divulga, com exclusividade, sua participação na feira livre de NO

 

“Conhecemos nosso médico, nosso professor, nosso mecânico, mas, dificilmente, sabemos quem cultiva nossos alimentos”, lamentou José Aparecido Pereira, de 62 anos, biólogo, pós-graduado em Agroecologia. Porém, com o objetivo de lembrar o Dia do Agricultor – 28 de julho – e incentivar o consumo de produtos orgânicos, o IEMA (Instituto de Educação e Meio Ambiente) procurou o especialista no assunto para apresentar o trabalho de sua cooperativa de agricultura familiar e divulgar que Nova Odessa (SP) terá em sua feira livre da região central uma barraca voltada à alimentação orgânica, a partir do próximo sábado (1).

Pereira é vice-presidente da Cooperacra (Cooperativa da Agricultura Familiar e Agroecológica), que está localizada numa área novaodessense com mais de 27 hectares, doada pelo Instituto de Zootecnia. “Engraçado que sou moradora e trabalho na cidade, mas só fiquei sabendo hoje que a Cooperacra está situada em nossas terras. A confusão se dá porque o acesso à cooperativa só é possível através de uma rua de Americana [Atlas, nº 436, Bairro Jardim Alvorada]”, comentou a presidente do IEMA, Ana Lúcia Maestrello de Micheli, 41, que acredita que “pouquíssimos, dos 56 mil habitantes de Nova Odessa, sabem disso”.

“Uma das maiores dificuldades da agricultura familiar está justamente na comunicação, as pessoas desconhecem os locais de produção e venda, e ainda confundem alimentos orgânicos com os convencionais ou hidropônicos”, queixou-se a administradora da Cooperacra, Kelly Costa de Souza Rodrigues, 25, que nasceu na propriedade de cultivo de orgânicos, onde também ajuda a plantar e colher frutos mais saudáveis.

E mais caros?

Para quem pensa no alto custo desses produtos, o geógrafo Arpad Spalding prova que a agricultura orgânica é muito mais barata do que parece, pois já internaliza todos os custos ambientais. “O cultivo orgânico tem um manejo sustentável, que não lesa o meio ambiente, e a agricultura tradicional afeta não só o ambiente local (solo), como a água, deixando mais caro seu tratamento, aumentando o assorea­mento dos rios e contaminando os aquíferos. Se você incluir no preço que chega ao consumidor todos esses custos, um pé de alface convencional vai custar R$ 5, enquanto o orgânico, R$ 3. Mas ninguém faz essa conta. O dia em que os custos ambientais entrarem na conta, vamos repensar nossos padrões de consumo”, garantiu Spalding, em entrevista à Revista Planeta.

Realizada todos os sábados na Rua Anchieta, das 6h às 12h, a Feira Livre do Centro de Nova Odessa contará com a participação da Cooperacra em seu Box 33. “Será a primeira vez que levaremos nossos produtos para uma feira. Lá venderemos repolho, banana, alface, chicória, morango, café, mel, cheiro verde, tomate cereja, berinjela, beterraba e cenoura”, ressaltou o especialista em Agroecologia.

“Em breve também desenvolveremos atividades de Educação Socioambiental neste espaço, em parceria com a cooperativa, para continuarmos incentivando o consumo de alimentos orgânicos por parte da população novaodessense”, afirmou Ana Lúcia, com a aprovação de Pereira.

História das entidades

A Coopercra foi criada em 2008 por 20 produtores ligados à antiga Acra (Associação da Agricultura Familiar e Agroecológica de Americana), uma entidade civil voltada à agricultura familiar e promoção social, fundada 1987 por algumas famílias do Paraná.

Os associados já possuíam longa tradição na produção orgânica, mas, para facilitar a comercialização, decidiram fundar a cooperativa. “Nosso principal objetivo é vender os produtos agropecuários, de natureza orgânica, entregues pelos cooperados. Mas também apoiamos e prestamos serviços para diversas iniciativas comunitárias  da região e executamos projetos de educação popular”, disse o vice-presidente.

Hoje, o grupo conta com 39 cooperados, em 13 unidades de produção espalhadas pela região, sendo 11 individuais e duas coletivas, com a matriz em Nova Odessa. “Aqui, além de produzirmos, ainda educamos. Faculdades como a Esalq [Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz] – USP e a Unicamp pesquisam nosso trabalho e mandam alguns de seus estudantes fazerem estágio com a gente”, reforçou Kelly.

“Amparada pela Lei 11.947/2009, a alimentação orgânica deve estar presente em 30% da merenda escolar. Com esse incentivo, nossos produtos estão sendo servidos para sete mil estudantes de Rio das Pedras [SP] e em todas as escolas da rede municipal e estadual de Santa Bárbara d’Oeste [SP] – ocupando o prato de mais 30 mil alunos”, frisou Pereira.

Apesar de o Brasil ser o país que mais consome agrotóxicos no mundo, o biólogo revela um dado importante: “a agricultura familiar é responsável por 80% do consumo brasileiro. E somente ela será capaz de deixar nosso prato mais colorido, sem prejudicar a natureza, colaborando com a saúde de seus apreciadores”.

Fundado no início de 2014, o Instituto de Educação e Meio Ambiente é certificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça, e tem como objetivo promover as responsabilidades educultural e socioambiental por meio de sua causa, que é socializar o conhecimento para atender o interesse público.

 

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