Lucas di Grassi ajudou a desenvolver conceito do primeiro carro da Fórmula E, GEN1 Foto: Fórmula E/Divulgação
O automobilismo mundial recebeu nesta quinta-feira (30) uma notícia que já entra para a história: o brasileiro Lucas di Grassi anunciou que vai se aposentar como piloto profissional ao término da atual temporada do Fórmula E, encerrando uma trajetória que se confunde com a própria evolução da categoria elétrica.
Presente desde a concepção do campeonato, Di Grassi não foi apenas um competidor — foi um dos pilares na construção da Fórmula E como ela é hoje. Primeiro piloto a apostar no projeto ainda em fase embrionária, ele participou ativamente do desenvolvimento do protótipo inicial que deu origem ao carro GEN1 e venceu a primeira corrida da história da categoria, em Pequim, em 2014.
Ao longo de 12 temporadas, o brasileiro construiu um legado sólido: são 13 vitórias, 41 pódios, quatro pole positions e um título mundial conquistado na temporada 2016/2017, quando defendia a equipe ABT Schaeffler Audi Sport. Até o momento, ele soma 1.077 pontos no campeonato, sendo um dos nomes mais consistentes e influentes do grid.
Atualmente defendendo a Lola Yamaha ABT, Di Grassi seguirá até o fim da Temporada 12, mantendo também seu envolvimento no desenvolvimento da próxima geração de carros, o GEN4 — o que indica que sua ligação com o automobilismo e com a mobilidade elétrica está longe de terminar.
Em comunicado, o piloto destacou o peso emocional da decisão. Após uma vida inteira dedicada às pistas, ele afirmou que 2026 marcará não apenas o fim de sua carreira como piloto, mas o início de um novo capítulo. Di Grassi relembrou sua trajetória desde os subúrbios de São Paulo até os circuitos mais icônicos do mundo, ressaltando o papel fundamental da família na escolha de encerrar este ciclo.

– Foto: Fórmula E/Divulgação
A repercussão no paddock foi imediata. O diretor da equipe, Mark Preston, classificou a contribuição do brasileiro como “inigualável”, enquanto Thomas Biermaier, CEO da ABT Sportsline, destacou o papel de liderança e o impacto técnico de Di Grassi no desenvolvimento do programa desde o início.
Já Jeff Dodds, CEO da Fórmula E, foi direto ao afirmar que o nome do brasileiro é “sinônimo da categoria”, ressaltando sua importância não apenas como piloto, mas como embaixador da mobilidade elétrica. Os cofundadores Alejandro Agag e Alberto Longo também reforçaram que o legado de Di Grassi vai muito além das estatísticas, sendo peça-chave na consolidação do campeonato como referência global em inovação e sustentabilidade.
Antes da despedida definitiva, os fãs ainda terão a oportunidade de acompanhar o piloto em ação neste fim de semana, durante o tradicional E-Prix de Berlim, disputado no icônico circuito de rua do Aeroporto Tempelhof. As corridas acontecem nos dias 2 e 3 de maio, com transmissão para o Brasil pela Band, Bandsports e plataformas digitais.
Além da Fórmula E, a carreira de Di Grassi inclui passagens pela Fórmula 1, o vice-campeonato mundial de Fórmula 2, participação de destaque no Campeonato Mundial de Endurance (WEC) e pódios nas 24 Horas de Le Mans — um currículo que reforça a dimensão de sua despedida.







