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Argentina diminui impostos para exportação de carnes

Medidas defensivas visam o aumento das reservas internacionais do país.

 

No início de outubro, a Argentina anunciou que irá reduzir, por um período de três meses, os impostos cobrados de exportadores de alguns setores comerciais. Entre eles, estão os ramos de indústria, mineração e agropecuária, o que inclui a exportação de carnes.

 

A medida foi adotada com o objetivo de incentivar as vendas desses setores e recuperar as reservas internacionais do país. Dessa forma, os tributos cobrados na obtenção de carnes e grãos serão menores, ao menos, temporariamente.

 

O ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, explicou como será este funcionamento. O imposto cobrado sobre a exportação da carne passará de 9% para 5%, com caráter permanente.

 

Já no caso das tarifas da soja, elas passaram de 33% para 30%, durante o mês de outubro. Em novembro, subirão para 31,5%, enquanto será cobrado 32% em dezembro. A taxa só voltará aos 33% em janeiro de 2021.

 

Essas reduções também irão influenciar itens como a farinha de soja, o azeite e o biodiesel, além de produtos de mineração, outros bens finais e insumos industriais. Assim, o ministro espera que as reservas internacionais sejam fortalecidas.

 

Atualmente, elas se encontram em torno de US$ 41,3 bilhões. Contudo, os analistas estimam que as reservas líquidas sejam de apenas US$ 5 bilhões. Isso é fruto dos resultados do ano anterior, em que os números caíram US$ 11 bilhões, queda que foi acelerada nos últimos meses, mesmo com o rígido controle cambial.

Recursos do campo para recuperar a economia

A aposta para a recuperação da economia argentina reside no setor agropecuário. Segundo os especialistas, o campo conta com produtos para exportação, avaliados em mais de US$ 10 bilhões. Assim, os incentivos fiscais contribuirão para o aumento na venda, colocando a moeda estrangeira no país.

 

Segundo dados do Ministério da Agroindústria, até o início de setembro, os produtores argentinos venderam 31,6 milhões de toneladas de soja da safra 2019/20. Isso representa 62% do volume total, de 50,7 milhões de toneladas. Esse percentual está abaixo do ciclo anterior, que havia comercializado 65% da produção.

 

No setor de exportação de carne bovina, também foi perceptível uma diminuição no crescimento. Em 2019, 800 mil toneladas foram exportadas, gerando uma receita de US$ 3 milhões. Esse ano, até agosto, 320 mil toneladas foram exportadas, 16% a mais que o mesmo período de 2019. No entanto, o faturamento cresceu 1% apenas.

 

Desde 2018, os argentinos estão em recessão e sofrem com a alta inflação. Os desafios de 2020 atingiram todo o mundo, fazendo com que o cenário econômico piorasse ainda mais. A estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino tenha uma retração de 9,9% este ano.

 

Guzmán explica que as medidas para redução das tarifas “não são estruturais, mas, sim, defensivas”. Segundo o ministro, espera-se que essas ações possam conter a queda das reservas para, em um segundo momento, fortalecê-las.

 

Em outros setores, o corte terá valores diferentes. Para os bens minerais, ele passará de 12% para 8%. No caso do biodiesel, a taxa passará de 30% para 26% durante o mês de outubro e será de 29% em novembro. Já sobre produtos industriais, as alíquotas serão escalonadas de acordo com o tipo. Inclusive, haverão casos em que elas serão totalmente cortadas.

 

Outra medida anunciada foi um programa de compensação e estímulo, voltado para os pequenos produtores e as cooperativas de soja. Para eles, serão destinados um valor de 11,550 milhões de pesos. Também ocorrerá a restituição para a exportação agrícola.

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