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Violentada física e psicologicamente, Jornalista é processada por seu agressor

Redação 17 de setembro de 2020 6 minutes read
  • Contém Suzano - YouTube
Jornalista e Empresária Carla Fonseca, Conquista Grande vitória para o Direito das Mulheres.
 

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No mês em que as autoridades divulgam os números alarmantes do crescimento de agressões a mulheres em todo o país, a Jornalista Carla Fonseca conquista uma grande vitória para o direito das mulheres, o de poder contar sua história, e com isso, ajudar outras pessoas na mesma situação.

Humilhada, agredida diversas vezes, inclusive publicamente e durante a gravidez, a jornalista Carla Fonseca, foi processada criminalmente por seu agressor como forma de retaliação à sua participação em um programa televisivo, onde contou sua história de vida, contribuindo com o debate sobre a violência doméstica e contra a mulher.

Carla viveu um relacionamento extremamente conturbado com várias demonstrações públicas de violência física e psicológica por cerca de 5 anos. Mesmo após o fim desse relacionamento, a jornalista continuou sofrendo perseguições, ameaças, abusos, e as mais variadas violências, inclusive alienação parental da filha, como forma de vingança.

Abalada psicologicamente, Kacau Fonseca (como é conhecida por seu público) buscou apoio psicológico com profissionais, e em grupos de defesa das mulheres. Logo se viu militando na causa, lançando  uma página de combate à violência contra a mulher no facebook, como forma de desabafo pelas agressões vividas. Kacau começou a “atender” pedidos de socorro, pedidos de ajuda, noticiar dados, crimes, compartilhar informações relevantes para as vítimas de relacionamentos abusivos, o que motivou o convite para debater sobre o tema no programa de TV Super Pop da Rede TV, apresentado por Luciana Gimenez.

Mal sabia Carla que o fato de se dispor a ajudar outras mulheres lhe traria um enorme problema.

A jornalista teve uma participação extremamente relevante no programa, juntamente com profissionais da área como uma psicóloga, um promotor de justiça, e outras vítimas. Mesmo sem citar nomes, ou mencionar algo que identificasse seu agressor, Carla Fonseca foi processada criminalmente por calúnia, injúria e difamação. Além de retratação pública (pasmem) seu agressor pedia uma indenização de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), além dos custos com advogados de acusação contratados por aquele que se sentiu ofendido..

Tendo tomado conhecimento dos fatos, iniciou-se uma revolução entre conhecidos, amigos e colegas de trabalho, todos se dispondo a  testemunhar sobre as diversas cenas de abusos psicológicos e agressões vividas pela jornalista. Kacau foi até delegacias em busca de registros de boletins de ocorrência, laudos do IML, fotos antigas, e enquanto isso, paralelamente, seu abusador moveu uma sequência de outros processos, tentando lhe desestabilizar psicológica, financeira e moralmente, sempre afirmando que nunca houve agressões, e que Carla seria louca.

Além do processo criminal, seu agressor pediu, ,em um processo de guarda, que a jornalista tivesse acesso à sua filha apenas 2 vezes por mês, e com supervisão de alguém da confiança do agressor,  pois este alegava que Carla oferecia perigo para a integridade de sua filha.Pediu também uma pensão equivalente a mais de R$ 2.000,00 (dois mil reais), -. Tudo isso logo após a participação de Carla no programa televisivo, demonstrando a franca vontade de retaliar a jornalista, por sua luta em prol das mulheres.

Quando o relacionamento chegou ao fim, a jornalista estava completamente destruída, chegando a ir morar de favor na casa de sua diarista em Ceilândia, na periferia de Brasília. Os amigos tinham medo de acolhê-la pois temiam os ataques, furiosos de seu agressor.

Ao perceber que a jornalista estava retomando sua vida social e profissional, deixando a depressão grave que viveu, – o agressor se viu sem o controle da vida de sua “vítima favorita”, e sem pensar nas consequências ou acreditando na certeza da injustiça contra as mulheres  no Brasil, ajuizou as ações com a única intenção de continuar sua guerra particular.

Carla Fonseca, desistiu de oportunidades de crescimento profissional no exterior e decidiu enfrentar seu agressor. Pela primeira vez, depois de entrar nesse relacionamento,  se sentia forte, sensata, e segura de que dessa vez iria até o final num processo criminal contra seu agressor, o que não aconteceu em outras oportunidades, seja por medo de continuar lutando, seja por que a lei beneficiava o agressor com suspensões processuais. .

Carla juntou provas, testemunhas, laudos, sobre tudo o que havia passado nas mãos de seu carrasco, e logo em primeira instância foi efetivamente ouvida pela justiça, quando sobreveio sentença de sua plena absolvição. Na decisão, o juiz reconheceu a importância de sua participação no programa televisivo, mas foi além. Reconheceu também que as agressões físicas e psicológicas efetivamente ocorreram, o que garantiu a Carla o direito de continuar contando sua história e ajudando outras mulheres na mesma situação.

Não satisfeito, o agressor recorreu ao Tribunal de Justiça, insistindo na acusação de que Carla teria mentido. Pois bem, mais uma vez a justiça foi feita e semana passada o Tribunal de Justiça confirmou totalmente a sentença, reafirmando tudo aquilo que o juiz de primeira instância disse e reconhecendo o direito de Carla expor sua história enquanto vítima de violência doméstica contra a mulher.

É Importante destacar que todas as manifestações do Ministério Público foram favoráveis a Carla. Os promotores reafirmaram, em todas as ocasiões, que Carla foi sim, vítima de violência, que pode expor sua experiência de vida e com isso ajudar quem está na mesma situação.

No momento atual, em que os casos de violência contra a mulher crescem assustadoramente, as decisões judiciais que garantiram a vitória de Carla se constituem em importantíssimo instrumento de luta pelos direitos das mulheres. Atualmente Carla Fonseca é uma das  Embaixadoras do projeto “Vote Nelas”, onde busca incentivar mulheres na política de forma  apartidária, a jornalista também compõe o grupo de apoio jurídico, psicológico, assistencial e de acolhimento para mulheres vítimas de violência, “Justiceiras”.

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