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Por Dennis Moraes
Existe uma discussão que precisa ser feita com mais seriedade em Santa Bárbara d’Oeste: afinal, o que a população espera de um vereador?
Não estou falando de situação ou oposição. Não estou falando de direita ou esquerda, muito menos de preferência partidária. Estou falando de uma questão básica: qual é o papel de um vereador?
Nos últimos tempos, chama atenção a apatia de parte dos parlamentares diante de questões relevantes para o município. Enquanto problemas que afetam diretamente a população exigiriam investigação, cobrança, requerimentos, acompanhamento e fiscalização, alguns vereadores parecem concentrar boa parte de suas atividades em moções de aplauso, homenagens, inclusão de festas no calendário oficial, visitas a obras que serão entregues e registros para as redes sociais.
Nada disso é proibido. Uma homenagem pode ser justa. Uma moção pode reconhecer um trabalho importante. Uma visita a uma obra pode ter sua utilidade.
O problema aparece quando isso passa a ocupar o espaço que deveria ser destinado àquilo que é uma das principais atribuições do Legislativo: fiscalizar o Poder Executivo e defender o interesse da população.
E fiscalização não significa apenas visitar uma obra, tirar uma fotografia e publicar nas redes sociais.
Fiscalizar significa perguntar. Cobrar. Investigar. Solicitar documentos. Acompanhar contratos. Questionar gastos públicos. Verificar a qualidade dos serviços prestados. Cobrar respostas quando há problemas na saúde, na educação, na infraestrutura, no transporte, na segurança, no saneamento e em tantas outras áreas que interferem diretamente na vida de quem paga impostos.
É preciso ter coragem para fazer perguntas, inclusive quando a resposta pode desagradar alguém.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores deficiências de alguns parlamentares: não necessariamente uma questão de serem governistas ou oposicionistas, mas de compreensão sobre o próprio papel institucional.
Vereador não é funcionário da Prefeitura. Vereador não é secretário municipal. Vereador não é agente de inauguração de obra pública.
Vereador é agente do Poder Legislativo.
E o Legislativo precisa ser independente o suficiente para fiscalizar o Executivo, inclusive quando existe alinhamento político.
Também não se pode transformar uma simples obra pública em uma espécie de troféu eleitoral. Uma praça entregue, um buraco tapado, uma árvore podada ou uma rua recapeada não deveriam ser tratados como conquistas capazes de garantir automaticamente a reeleição de ninguém.
Obra pública é obrigação do poder público. Serviço público é obrigação do poder público.
Quem paga por isso é a população.
Aliás, a população continuará pagando. E, a partir do próximo ano, os moradores de Santa Bárbara d’Oeste terão novos impactos tributários previstos pelo município. Quando isso acontecer, a imprensa também estará aqui para mostrar, explicar e cobrar.
Porque esse é o nosso papel.
E aqui chegamos a outro ponto que parece incomodar alguns políticos: a imprensa.
Quando um vereador recebe elogio, a imprensa publica. Quando apresenta um projeto relevante, a imprensa publica. Quando promove uma ação que beneficia a população, a imprensa publica.
Mas quando não fiscaliza, quando deixa de questionar ou quando toma uma postura que merece ser criticada, também será notícia.
Isso não é perseguição.
Não é inveja.
Não é ataque pessoal.
É jornalismo.
O político que ocupa um cargo público precisa compreender que suas decisões estão sujeitas ao escrutínio da sociedade e da imprensa. Não existe mandato blindado contra crítica.
E existe uma diferença enorme entre crítica jornalística e perseguição política.
Perseguição seria inventar fatos, distorcer informações ou atacar alguém sem fundamento. Jornalismo é exatamente o contrário: observar, apurar, questionar, confrontar informações e levar ao cidadão aquilo que acontece.
É natural que um político não goste de determinada reportagem. É natural que uma crítica incomode. O que não é razoável é tentar transformar toda crítica em perseguição.
A imprensa não existe para construir carreira política de ninguém.
Muito menos para destruir.
Existe para informar.
E há uma coisa que alguns agentes públicos parecem esquecer: vereador vem e vereador vai. Mandatos começam e terminam. Eleições acontecem a cada quatro anos.
A imprensa, por sua vez, continua.
E continuará fiscalizando, questionando e contando o que acontece na cidade.
O cargo de vereador também não é um emprego convencional. É um mandato eletivo, com prazo determinado, concedido pela população. Não existe mandato vitalício e não existe garantia de permanência.
Por isso, quando alguém entra na vida pública precisa entender que haverá cobrança.
E se, depois de eleito, descobrir que a atividade parlamentar é mais difícil do que imaginava, talvez seja necessário fazer uma reflexão bastante simples: ninguém é obrigado a permanecer na política.
Se não quer ser fiscalizado, cobrado e criticado, talvez o caminho mais digno seja reconhecer que não está preparado para o exercício do mandato e abrir espaço para quem esteja.
Porque Santa Bárbara d’Oeste não precisa de vereadores preocupados apenas em aparecer em inaugurações, distribuir homenagens ou produzir conteúdo para as redes sociais.
Precisa de vereadores que conheçam suas atribuições.
Que estudem os projetos.
Que acompanhem as contas públicas.
Que fiscalizem contratos.
Que cobrem resultados.
Que estejam atentos aos problemas da população.
Que tenham independência para questionar o Executivo quando necessário.
E que entendam que o mandato não pertence ao vereador.
Pertence ao cidadão que o elegeu.
Da mesma forma, a Câmara Municipal não deve ser tratada como palco para vaidades pessoais. É uma instituição pública. E cada vereador que ocupa aquela cadeira tem uma responsabilidade enorme diante da cidade.
Não se trata de ser situação ou oposição.
Trata-se de fazer o trabalho para o qual foi eleito.
E, enquanto alguns podem continuar interpretando crítica como perseguição, nós continuaremos fazendo jornalismo.
Se fizer algo bom para a cidade, será notícia.
Se fizer algo ruim, também será notícia.
Se não fizer nada, a ausência também será registrada.
Porque mandato passa.
A imprensa continua.
E a população merece saber a diferença.
Dennis Moraes é Comendador outorgado pela Câmara Brasileira de Cultura, Jornalista e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação. Acesse: dennismoraes.com.br






