Foto: Vinicius Rodrigo
Assis (SP) — Em diferentes momentos, ruas e bairros mais afastados de Assis foram surpreendidos por uma presença pouco comum: uma Kombi colorida que chega, estaciona e, em poucos minutos, transforma o espaço público em palco, picadeiro, cinema e lugar de encontro.
É assim que a Cia Atitude Teatro, por meio dos projetos Kombi no Circo e Cine Kombinha, vem construindo sua trajetória itinerante. A bordo do veículo adaptado, os artistas Fernando Cavallari e Roxane Souza Cavallari, os palhaços Panela e Tampa, percorrem bairros levando circo, cinema, oficinas, e a arte do brincar diretamente para as comunidades.
Em Assis, as apresentações já passaram por diferentes regiões da cidade, incluindo bairros mais distantes e áreas periféricas, aproximando a cultura de moradores que nem sempre têm facilidade para acessar os equipamentos culturais localizados nas regiões centrais.
A arte que chega à porta de casa
A proposta é simples, mas provoca uma transformação imediata na rotina dos bairros.
A Kombi chega à comunidade e, enquanto os artistas organizam o espaço, a movimentação começa. Uma buzina, uma brincadeira, uma intervenção dos palhaços e, pouco a pouco, as portas das casas se abrem.
As crianças são geralmente as primeiras a aparecer. Depois chegam pais, avós e moradores que, muitas vezes, saem de casa apenas para descobrir o que está acontecendo na rua.
O que antes era apenas uma rua do bairro ganha outro significado. O asfalto vira picadeiro, o local se transforma em espaço cultural e a vizinhança passa a compartilhar um momento de convivência.
No trabalho de Tampa e Panela, o público não é apenas espectador. A brincadeira, a interação e o encontro fazem parte da experiência.
No Kombi no Circo, o veículo se transforma em um verdadeiro circo sobre rodas, com palhaçaria, brincadeiras, números circenses, equilíbrio, malabares, fantoches e interação com o público.
Já o Cine Kombinha amplia essa proposta e transforma a Kombi em uma sala de cinema itinerante, levando produções audiovisuais para espaços onde nem sempre existe uma sala de exibição disponível.
É uma maneira de fazer diferentes linguagens artísticas viajarem juntas e chegarem diretamente às comunidades.
O circo que vai onde o público está
Para os artistas Fernando Cavallari e Roxane Souza Cavallari a itinerância não é apenas uma forma de deslocamento. É parte da própria identidade do trabalho.
Em vez de esperar que o público consiga se deslocar até um teatro, cinema ou espaço cultural, os artistas fazem o caminho inverso.
A Kombi vai até os bairros, comunidades, praças e espaços públicos.
Essa escolha ganha ainda mais importância quando a atividade acontece em regiões mais afastadas dos centros urbanos, onde a oferta de atividades culturais pode ser menor.
“Você chegar e ser surpreendido de forma inesperada na sua comunidade, eles montam tudo ali e, de repente, o espetáculo acontece. Em um dia da semana, a magia toma conta da rua e os olhos das crianças brilham.”
A percepção é do morador Clayton, que acompanhou uma das apresentações realizadas pela companhia.
Uma trajetória construída na estrada
A história começou em 2008 e foi construída a partir da circulação de seus artistas e da busca por novos espaços para o encontro com o público.
Fernando e Roxane fizeram da estrada parte de sua trajetória artística. A Kombi passou a ser muito mais do que um veículo: tornou-se palco, picadeiro, cinema e símbolo de uma cultura que se movimenta.
Ao longo dos anos, o trabalho itinerante passou por diferentes cidades e espaços, aproximando teatro, circo, literatura e audiovisual de crianças, famílias e comunidades.
Em Assis, essa trajetória ganhou as ruas e os bairros da cidade, mostrando que uma apresentação cultural não precisa necessariamente acontecer dentro de um teatro.




