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Setembro Amarelo: uma reflexão sobre resiliência

Por Deborah Kerches

 

No contexto da campanha Setembro Amarelo, que nos convida a debater sobre a prevenção do suicídio, parece bastante apropriado falar sobre resiliência – que é, resumidamente, a capacidade de reagir ao estresse proveniente das situações adversas e se adaptar às mudanças. Uma palavra muito utilizada atualmente, mas, nem sempre compreendida integralmente.

A resiliência de uma pessoa é determinante quando o assunto é prevenção ao suicídio, pois nenhum de nós terá uma vida livre de frustrações, dificuldades, perdas e/ou sofrimento. E ser resiliente está relacionado a como cada um reagirá diante das situações difíceis da vida.

Falar sobre resiliência no contexto do Setembro Amarelo é, primeiramente, lembrar que “sofrimento não se compara”, que cada pessoa vive seus desafios e suas experiências de forma particular. A dor do outro deve sempre ser respeitada, acolhida.

Embora algumas situações pareçam, a grosso modo, mais difíceis/dolorosas do que outras, não se pode “medir a dor do outro com a nossa medida”. A maneira como cada pessoa lidará com suas dificuldades e dores depende de variáveis como, por exemplo, personalidade, ambiente, experiências vividas, oportunidades e aspectos cognitivos em geral.

E quando o assunto é resiliência, o mais importante é ter consciência de que essa é uma habilidade a ser conquistada (um comportamento aprendido), e, portanto, algo que pode – e deve – ser treinado.

Uma pessoa resiliente não passará “ilesa” por situações desafiadoras, nem estará livre de sofrer por uma decepção amorosa ou com a perda de alguém querido, por exemplo. Mas, encontrará, dentro dela mesma, os melhores recursos para seguir sua caminhada, sem desviar o caminho.

Ser resiliente não é disfarçar ou se esquivar da dor, dos problemas e medos; pelo contrário: é “tê-los por perto”, é atravessar o sofrimento e os maiores desafios, com a consciência de que “do outro lado” está o que é necessário para seguir a jornada.

Resiliência prevê reconhecer medos, mas, ter domínio sobre eles, “desafiá-los”. Prevê refletir sobre situações que você tem evitado falar ou viver; relembrar traumas ou situações que marcaram de forma negativa sua história; assumir erros, mas deixá-los no passado… Prevê treinar o olhar para observar o que cada experiência trouxe (ou pode trazer) de aprendizado.

Saber que resiliência é uma habilidade a ser conquistada não traz, porém, uma “fórmula pronta”… Cada pessoa terá que encontrar dentro de si mesma as melhores ferramentas para isso. Mas, o primeiro passo nesse sentido, sem dúvidas, é tomar consciência do que pode ser feito, buscar maior autoconhecimento, não hesitar em buscar ajuda sempre que necessário e confiar no próprio potencial.

Falar sobre resiliência no contexto do Setembro Amarelo é, enfim, um convite para sermos mais empáticos e estarmos mais atentos à nossa própria saúde e à saúde mental dos que amamos!

 

 Dra. Deborah Kerches, CRM 102717-SP RQE 23262-1, é neuropediatra especialista em Transtorno do Espectro Autista; autora do livro Best-Seller : “Compreender e acolher Transtorno do Espectro Autista na infância e adolescência”; conselheira profissional da REUNIDA (Rede unificada nacional e internacional em defesa das pessoas com autismo); mestranda em Análise do Comportamento pela PUC-SP; coordenadora e professora de pós-graduações do CBI of Miami; madrinha do Projeto Social Capacitar para Cuidar em Angola; membro da Sociedade Brasileira de Neuropediatria, da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (ABENEPI), da Academia Brasileira de Neurologia, da Associação Francesa La cause des bébés e da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Tem uma página no instagram @dradeborahkerches com conteúdos sobre TEA, neurologia e saúde mental infantojuvenil.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas