Divulgação Restaurantes e bares da região de Campinas acompanham movimento com atenção
Para a Abrasel, o uso de medicamentos começa a provocar mudanças no comportamento dos clientes
Campinas, 21 de janeiro de 2026 – O avanço do uso de medicamentos à base de GLP-1 para emagrecimento já começa a provocar mudanças perceptíveis no comportamento de consumo em bares e restaurantes no Brasil. O movimento, mais visível a partir da segunda metade de 2024, ainda está concentrado nas classes A e, de forma inicial, na classe B, mas tende a ganhar escala nos próximos anos. Donos de restaurantes da região de Campinas olham o movimento com atenção
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os primeiros impactos observados no setor envolvem ajustes naturais na dinâmica do consumo. Casais passaram a dividir pratos com mais frequência, houve redução no consumo de bebidas alcoólicas em algumas ocasiões e sobremesas deixaram de ser individuais, tornando-se cada vez mais compartilhadas à mesa.
Em 2025, esse movimento começou a se ampliar com a chegada de versões mais acessíveis dos medicamentos, como fórmulas manipuladas e comprimidos, o que facilitou o uso e ampliou gradualmente o público consumidor. A expectativa do setor é de que, em 2026, a tendência se intensifique com o fim da patente de medicamentos líderes da categoria e a entrada de novas opções no mercado, o que deve reduzir preços e ampliar o acesso para as classes A e B de forma mais consistente.
Em algumas regiões do Brasil, segundo a Abrasel, diante desse cenário, bares e restaurantes já vêm promovendo ajustes estratégicos em seus modelos de negócio. Há revisões de preços em formatos como rodízios de carnes e pizzas, maior flexibilidade em relação ao compartilhamento de pratos e uma leitura mais atenta do comportamento do cliente à mesa.
Na região de Campinas, o movimento vem sendo acompanhado de perto pelos empresários do setor, mas ainda não há registros de mudanças. Segundo Mauro Mason, Chef e sócio do Restaurante Benedito, de Campinas, ainda é cedo para avaliar impactos e decidir por mudanças de cardápio. “Estamos acompanhando e já vemos alguns sinais, mas nada ainda que tenha sido medido ou que tenha impacto diretamente relacionado com o medicamento”, diz ele.
Sérgio De Simone, proprietário do Rancho Colonial Grill, também de Campinas, este cenário é preciso um acompanhamento constante, pois é uma mudança lenta, no momento, mas que tende a se intensificar. “Mas acredito que o maior impacto deverá ocorrer em restaurantes com público de maior poder aquisitivo em um primeiro momento”, afirma o empresário.
Para a Abrasel, o impacto não é necessariamente negativo. “Não significa que as pessoas estejam deixando de consumir nos restaurantes, mas sim mudando a forma como consomem. Em muitos casos, o cliente reduz a quantidade do prato principal, mas opta por uma sobremesa, uma bebida de maior valor agregado ou uma experiência mais sofisticada”, avalia Paulo Solmucci.
Do ponto de vista operacional, essa mudança pode contribuir para o equilíbrio financeiro dos negócios. A redução no volume de insumos por prato, combinada com ajustes de preço e novas escolhas do consumidor, tende a preservar, e até melhorar, a margem dos estabelecimentos, reforçando a capacidade de adaptação do setor às transformações de comportamento e consumo.





