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Entre aquelas que nasceram de 1994 a 2010, 36% fizeram investimentos no início da carreira profissional
Dados do Global Retail Investor Outlook, publicado pelo Boston Consulting Group (BCG) em colaboração com o Fórum Econômico Mundial e a Robinhood Market, mostram que gerações mais jovens têm se relacionado com o mercado financeiro mais cedo. Foram ouvidas mais de 13 mil pessoas em 13 países, incluindo mais de mil brasileiros.
A pesquisa mostrou que 58% da Geração Z (nascidos entre 1994 e 2010) começaram a aprender sobre investimentos antes de ingressarem no mercado de trabalho e talvez até antes de contratarem uma conta completa. Entre os entrevistados, 36% fizeram investimentos no início da carreira profissional.
Por outro lado, os Millenials ou Geração Y (nascidos de 1978 até meados dos anos 1990) lideram entre os que começaram a investir logo que entraram nessa fase, com a marca de 37%. A Geração X (1960 a 1977) alcançou 27% e os baby boomers (1940 a 1964), 24%.
Jovens investidores são mais confiantes
O estudo mostra que os jovens da Geração Z são mais confiantes em suas próprias capacidades de entender o mercado financeiro e dúvidas do tipo como funciona a renda fixa ou variável. A pesquisa aponta que 40% dos “Z” se sentem seguros quanto ao entendimento e à tomada de decisões de investimentos.
O BCG revela que o cenário global de investimentos vem passando por uma transformação estrutural, visto que o envolvimento precoce tem sido impulsionado por plataformas digitais, redes sociais e o acesso a novos produtos financeiros, como investimentos fracionados e ativos alternativos.
A Gen Z investe mais em produtos complexos, como classes de ativos alternativas, que não fazem parte das classes tradicionais e têm baixa correlação com o mercado tradicional, como imóveis, obras de arte etc.
Dados do Brasil
A análise dos dados coletados pelo BCG no Brasil revela que o número de investimentos em ações cresceu de 500 mil para 5 milhões entre 2019 e 2022. A maior parte dos investidores, 12,7 milhões, aloca em aplicações de renda fixa, enquanto 1,5 milhão de brasileiros já investem em exchange traded fund. O perfil do investidor brasileiro é de 32 anos e do sexo masculino. Contudo, a participação feminina quadruplicou de 2018 a 2020.
Outra pesquisa, divulgada pela Serasa e realizada pelo Instituto Opinion Box, revela que 55% dos jovens da Geração Z são os principais responsáveis pelas suas próprias finanças. O estudo, que ouviu 2.923 jovens entre 18 e 29 anos, de todo o Brasil, mostrou, ainda, que 39% contribuem ou dividem as despesas de casa.
De acordo com o levantamento da Serasa, 51% dos jovens economizam para adquirir casa própria, carro ou outros; 34% destinam as economias para a quitação de contas; enquanto 33% pretendem investir.
Lacunas a serem preenchidas
O estudo da Serasa revela que apenas um em cada dez jovens da Geração Z diz ter tido “contato significativo” com educação financeira em família. “Temos percebido que o tema da educação financeira vem assumindo mais relevância no país, mas talvez em casa a pauta ainda não é forte o suficiente”, afirma a especialista em educação financeira, Gabriela Siqueira.
Reforçando a necessidade de educação financeira, o relatório do BCG aponta que a confiança, educação financeira e personalização são pontos centrais levantados pelos investidores. Ao todo, 70% dos entrevistados afirmaram que investiriam mais se tivessem melhores oportunidades de aprender sobre como investir, enquanto 63% buscariam orientação de um consultor financeiro para tomar decisões.
No país, existem lacunas referentes à infraestrutura bancária, com 22% de adultos sem conta bancária, o que limita o potencial total do mercado de investimentos de varejo.








