
Deputada estadual e candidata à reeleição participou do episódio #143 do programa e falou sobre sua trajetória, políticas públicas, educação, mobilidade, saneamento e cenário político
A deputada estadual Professora Bebel participou do episódio #143 do Iron Podcast, apresentado por Dennis Moraes e Reinaldo Cervantes, em uma conversa que percorreu diferentes temas relacionados às políticas públicas e aos desafios enfrentados pela população de São Paulo.
Ao longo de pouco mais de uma hora, a parlamentar falou sobre sua trajetória pessoal, atuação sindical e parlamentar, educação pública, pedágios, mobilidade regional, saneamento básico, privatizações, condições de trabalho dos professores, jornada de trabalho, tecnologia nas escolas, ensino técnico e participação política.
A entrevista também ocorreu no contexto da campanha eleitoral de 2026, já que Bebel é candidata à reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo. O episódio foi disponibilizado em áudio e vídeo pelo Iron Podcast.
Da infância à educação como causa
Um dos momentos mais pessoais da entrevista ocorreu quando Bebel explicou por que considera a educação uma causa e não apenas uma pauta política.
Ela contou que é filha de pais analfabetos e que começou a trabalhar ainda criança. Segundo seu relato, a própria trajetória familiar teve influência direta em sua relação com a educação.
Bebel também lembrou que ajudava os pais com a leitura e a escrita e relatou experiências familiares relacionadas ao período da ditadura militar, incluindo a prisão de um tio.
Para a deputada, essas experiências contribuíram para sua aproximação com a literatura, a educação e posteriormente com a política.
A partir dessa trajetória, a parlamentar relacionou o analfabetismo às desigualdades sociais e defendeu que educação não pode ser discutida isoladamente de outras políticas públicas, como moradia, alimentação, transporte, saúde e saneamento.
Pedágios e mobilidade regional
Outro dos principais assuntos da conversa foi a discussão envolvendo a instalação de novas praças de pedágio e sistemas de cobrança automática nas rodovias paulistas.
Bebel relembrou sua atuação à frente da Frente Parlamentar Contra os Pedágios, criada na Assembleia Legislativa, e afirmou que participou de mobilizações e audiências públicas contra a ampliação da cobrança na região.
Segundo a deputada, a discussão envolveu municípios do eixo entre Campinas e Piracicaba e atingiria diretamente trabalhadores que diariamente se deslocam entre as cidades.
Durante a entrevista, ela afirmou que a previsão de novos pontos de cobrança poderia representar um impacto mensal significativo para trabalhadores que utilizam as rodovias com frequência.
A parlamentar também citou o impacto indireto dos pedágios sobre os preços dos produtos transportados e defendeu que o debate sobre mobilidade seja ampliado para além das rodovias, incluindo investimentos em transporte ferroviário.
A existência de uma Frente Parlamentar contra a instalação de pedágios em rodovias paulistas, especialmente na SP-304 e na região metropolitana de Piracicaba, consta nos registros oficiais da Alesp.
Educação e desigualdade social
Na entrevista, Bebel defendeu uma visão integrada das políticas públicas.
Para ela, discutir a permanência de crianças e adolescentes na escola exige observar também as condições em que essas famílias vivem.
A deputada citou experiências em comunidades da capital paulista para argumentar que problemas como falta de saneamento, moradia precária e insegurança alimentar interferem diretamente na frequência escolar e no desenvolvimento dos estudantes.
Ela defendeu a chamada ativa como uma das estratégias para aproximar novamente da escola crianças que deixam de frequentar as aulas.
A lógica apresentada durante a conversa é de que a escola pode funcionar também como espaço de proteção social, alimentação, convivência e acesso a direitos.
Saneamento básico e privatização da Sabesp
A privatização da Sabesp também esteve entre os assuntos abordados.
Bebel criticou o processo de desestatização e afirmou que, em sua avaliação, serviços essenciais devem permanecer sob forte responsabilidade do poder público.
Ela relacionou o tema do saneamento à discussão sobre desigualdade social e afirmou que questões como água encanada, tratamento de esgoto e condições adequadas de moradia continuam sendo problemas concretos em determinadas comunidades.
A deputada também questionou o modelo de privatizações adotado no Estado de São Paulo e citou outros serviços públicos durante a entrevista.
A posição crítica de Bebel em relação à Sabesp não é inédita: a própria Alesp registra manifestações da parlamentar sobre reclamações relacionadas aos serviços prestados pela companhia e sobre a privatização.
Saúde dos professores e condições de trabalho
As condições de trabalho dos profissionais da educação ocuparam uma parte significativa da entrevista.
Bebel afirmou que levantamentos realizados com profissionais da educação e do funcionalismo apontaram, segundo ela, um cenário preocupante relacionado ao adoecimento desses trabalhadores.
A parlamentar relacionou o problema à sobrecarga, à desvalorização profissional, às condições de trabalho e à pressão existente dentro das escolas.
Ela também criticou mecanismos de avaliação que, em sua interpretação, podem transformar a avaliação profissional em instrumento punitivo.
Para Bebel, a avaliação deveria ter caráter formativo, permitindo identificar dificuldades e oferecer formação continuada aos profissionais.
A defesa da valorização dos professores e do Piso Salarial Nacional do Magistério também aparece em registros de sua atuação parlamentar na Alesp.
Fim da escala 6×1 e jornada dos professores
A entrevista também avançou para o debate sobre a escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho.
Bebel declarou apoio ao fim da escala de seis dias trabalhados por um de descanso e relacionou o tema especialmente às mulheres, considerando a chamada dupla jornada doméstica.
No caso dos professores, a deputada defendeu a implementação da jornada prevista no Piso Salarial Profissional Nacional, argumentando que a ampliação do tempo destinado a atividades extraclasse permitiria maior preparação de aulas, correção de atividades e formação continuada.
Na conversa, ela sustentou que a redução da sobrecarga poderia contribuir para melhorar as condições de trabalho dos profissionais da educação.
Tecnologia, inteligência artificial e plataformização
A relação entre educação e tecnologia foi outro ponto de destaque.
Bebel afirmou que não é contrária ao uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas. A crítica apresentada por ela é direcionada ao que chamou de uso excessivo das plataformas digitais.
Segundo a deputada, ferramentas tecnológicas deveriam servir como instrumentos de apoio ao trabalho pedagógico, e não substituir a autonomia do professor.
Ela também defendeu formação continuada e alfabetização digital para que professores possam utilizar adequadamente novas tecnologias, incluindo ferramentas de inteligência artificial.
Durante a entrevista, Bebel criticou ainda materiais educacionais que, segundo ela, apresentam erros e conteúdos produzidos de maneira inadequada.
Para a parlamentar, o professor precisa manter liberdade para adaptar suas aulas ao perfil dos estudantes e às necessidades de cada turma.
Etecs, Fatecs e formação profissional
As escolas técnicas estaduais também foram citadas na conversa.
Bebel defendeu a manutenção da estrutura das Etecs e Fatecs e demonstrou preocupação com mudanças na forma de oferta de cursos profissionalizantes dentro da rede pública regular.
Ela argumentou que a formação profissional exige estrutura, laboratórios, professores preparados e condições específicas de ensino.
Durante a entrevista, também foram citados exemplos de estudantes que, segundo Bebel, conseguiram ingressar em universidades públicas e instituições como Fatecs e Etecs por meio de iniciativas de preparação para o ensino superior.
A parlamentar defendeu que a formação dos jovens combine educação geral e preparação profissional.
Privatizações e papel do Estado
A discussão sobre privatizações atravessou diferentes momentos da entrevista.
Bebel apresentou uma visão favorável a uma maior presença do Estado na execução de políticas públicas e criticou o que considera uma ampliação excessiva dos processos de privatização em São Paulo.
Ao abordar o tema, ela citou a Sabesp e outros serviços e afirmou que, em sua avaliação, setores considerados essenciais deveriam permanecer sob responsabilidade pública.
A discussão também trouxe uma comparação entre diferentes concepções de Estado e diferentes correntes políticas.
Política, democracia e participação do eleitor
Na reta final da entrevista, o debate passou para o processo eleitoral.
Bebel declarou abertamente sua preferência política para a disputa presidencial e, ao mesmo tempo, defendeu que o eleitor procure conhecer propostas e trajetórias antes de decidir seu voto.
A parlamentar criticou a escolha de candidatos baseada exclusivamente em pesquisas eleitorais, aparência ou identificação partidária.
Durante a conversa, os apresentadores também defenderam a necessidade de o eleitor pesquisar o histórico dos candidatos antes de votar.
A discussão levou a uma reflexão sobre o papel da educação na formação do pensamento crítico.
Para Bebel, a escola não deve determinar o pensamento político do estudante, mas oferecer condições para que ele tenha contato com diferentes ideias, confronte informações e desenvolva sua própria consciência crítica.
“A escola é um espaço de sonhos”
Nas considerações finais, Bebel voltou ao tema que marcou grande parte da entrevista: a educação.
Ao agradecer pela participação, a deputada pediu aos profissionais da área que não desistam e afirmou que a escola deve ser compreendida como um espaço de esperança e construção de futuro.
A entrevista terminou com o convite dos apresentadores para que a parlamentar retorne ao Iron Podcast após o período eleitoral, para uma conversa mais longa sobre os temas discutidos.
O episódio #143 do Iron Podcast está disponível nas plataformas digitais do programa. A descrição oficial do episódio destaca educação, trabalho, políticas públicas e os desafios de São Paulo como os principais eixos da conversa.
Por Dennis Moraes — SB24Horas
O SB24Horas acompanhou a entrevista e organizou os principais assuntos abordados a partir da íntegra da conversa. As posições apresentadas no texto são atribuídas à entrevistada e refletem declarações feitas durante o programa.







