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Política, um bem de todos nós

Ana Perugini

Episódios de corrupção e mau uso do dinheiro público ocorrem todos os dias e têm levado brasileiros a se afastarem do debate político e, assim, abrir mão do direito de participar das decisões em seus bairros, condomínios, municípios, estados e no nosso país. Embora essa desilusão seja totalmente compreensível, não podemos demonizar a política a partir de casos e narrativas polarizadas, muitas vezes alimentadas por populismo e ‘fake news’.

 

Afinal, a política é um instrumento de organização da sociedade, imprescindível para a organização da cidade, a administração do que é público e privado. Você já parou para pensar que até empresas gigantescas precisam se adequar à legislação da cidade, do estado e do país em que estão instaladas? Pois é. As leis são produtos da política.

 

A política é necessária a todo ser humano. Ela organiza a escola dos nossos filhos; determina se eles vão estudar em período integral, se terão merenda, transporte e material escolar; estabelece o número de aulas temáticas e o conteúdo de cada uma delas; e define a inclusão de temas transversais, como o racismo e a violência contra meninas e mulheres.

 

É através da política que são definidos como será o atendimento na saúde e a oferta de serviços como água, esgoto, asfalto e coleta de lixo. É ela que estabelece critérios para execução e cobrança – ou não – desses serviços. A CIP (Contribuição de Iluminação Pública), por exemplo, foi criada em 2002 por meio de uma emenda constitucional. Foi um ato político que criou uma despesa extra para o consumidor ajudar as distribuidoras no custeio da iluminação pública.

 

Se uma cidade como Hortolândia quer uma DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), tem de recorrer à política. A prefeitura precisa fazer o pedido junto ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública, e contar com a atuação de deputados e movimentos populares, para que a solicitação ganhe força e o pleito seja atendido.

 

A inflação fora de controle, de quase 10% acumulados em 12 meses, os altíssimos preços dos alimentos, dos combustíveis e do botijão de gás também têm origem política. Na verdade, além de fatores externos e da crise deflagrada pela pandemia, são provenientes da falta de uma política econômica voltada às necessidades essenciais do nosso povo.

 

Recentemente, tivemos as reformas trabalhista e previdenciária, que precarizaram o trabalho, suprimiram direitos, diminuíram o poder de compra do trabalhador e impuseram barreiras praticamente intransponíveis para a tão sonhada aposentadoria. Essas mudanças resultaram de um amplo processo político desenvolvido entre o Congresso Nacional e o governo federal, com ponderações do Poder Judiciário.

 

Tudo isso é política. Nós podemos participar e influenciar cada uma dessas decisões. Participação política não se faz apenas com voto. Precisamos acompanhar o dia a dia das associações de moradores, frequentar audiências públicas, integrar conselhos municipais, dar sugestões para composição do orçamento participativo, cobrar vereadores, prefeitos, deputados e senadores, olhar para o zoneamento da cidade, que define onde serão construídas indústrias e moradias, por exemplo.

 

A política não é uma coisa ruim. Assim como outras atividades, é povoada por pessoas. Por isso, temos de desmistificá-la. Se você não participa, cria ojeriza e se afasta dela, deixa que pessoas que pensam de determinada maneira e gostam de política ditem as regras. E as ideias delas nem sempre vão bater com as suas. Participe!

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas