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Pandemia impacta indústrias do interior paulista

Indústria Ripack Embalagens Limeira Foto Divulgação

Fechamento do comércio, alta da inflação, política fiscal defasada e falta de representatividade junto ao governo do Estado são fatores que prejudicam a indústria no Interior

A pandemia da Covid-19 tem afetado significativamente o desempenho do setor industrial brasileiro. Dados da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a indústria fechou 2020 com diminuição de 4,5% de sua produção.

Dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE, 20 apresentaram queda produtiva no ano passado. De acordo com o levantamento do Instituto, o ramo de confecção de artigos de vestuário e acessórios respondeu por 23,7% de queda na produção. Entre veículos automotores, reboques e carrocerias, o comprometimento produtivo é ainda mais significativo: 28,1%.

O desempenho negativo destes dois setores é exemplar e permite uma avaliação ampliada da conjuntura, segundo Jairo Ribeiro Filho, diretor presidente da Ripack Embalagens e diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp Limeira. “Na nossa ótica, houve uma falta de planejamento que levou à paralisação do comércio, à geração de desemprego e ao comprometimento de toda a cadeia industrial”, diz. “Nesse processo, o desempregado não compra, o comércio não faz encomenda e, consequentemente, a indústria para ou muda o planejamento diante de problemas com estoque, por exemplo”, completa.

Jairo Ribeiro Filho – diretor presidente da Ripack Embalagens e diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp Limeira
Foto Divulgação

No final de dezembro de 2020, com maior flexibilização das atividades no comércio e na indústria, as reações foram notáveis. De acordo com dados do IBGE, a indústria brasileira apresentou altas de 0,9% em relação ao mês anterior e de 8,2% na comparação de dezembro de 2019. No entendimento de Ribeiro Filho, o bom desempenho registrado em dezembro de 2020 mostra que, à medida que trabalhadores e consumidores retomam suas atividades de forma normal, é possível estancar o ciclo negativo da economia, em prol do desenvolvimento do País.

Para o executivo, o embate político que envolve o atual presidente do Ciesp e o Governo do Estado tem afetado decisivamente a performance econômica de São Paulo, o que mais produz em todo País. “A falta de interlocução do Ciesp junto ao governo atrapalha demais o diálogo”, afirma. “Não fosse isso, poderíamos trabalhar juntos as questões da saúde e da produção para buscar alternativas que atingissem o mesmo objetivo sanitário, sem afetar a economia de forma drástica, como vem ocorrendo, principalmente no interior, que concentra a maior parte das indústrias”, completa.

Projeções pós-pandemia

Embora o pós-pandemia ainda seja uma incógnita, diante da progressão do número de casos da Covid-19 no Brasil, Jairo Ribeiro Filho acredita que haverá retomada econômica com o início de um novo ciclo. “Mas certamente toda a economia sairá muito machucada deste episódio”, observa.

Segundo o executivo, se não houver a necessidade de novas paralisações para o enfrentamento da Covid-19, é possível retomar os mesmos patamares de produção observados em 2019. “Mas neste momento, o Brasil passa a percepção de que pode perder o ‘boom’ mundial de consumo cuidando de questões internas que sempre foram mal planejadas”, afirma.

Despartidarização do Ciesp

No dia 5 de julho, os industriais associados ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) vão escolher o próximo presidente da entidade. A última eleição foi realizada há 17 anos e, desde então, houve somente a ratificação de chapa única. Em 2021, diferentemente, há duas chapas na disputa. A Chapa 1, encabeçada pelo empresário José Ricardo Roriz Coelho, tem como proposta recuperar o prestígio e a credibilidade do Ciesp junto aos associados, às entidades parceiras, às esferas públicas e à comunidade. A Chapa 1 reúne 134 empresários, entre homens e mulheres, de várias regiões do Estado.