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O que podemos esperar para o Afeganistão?

Divulgação / MF Press Global

Após a tomada do poder pelo Talibã, o mundo volta os olhos com apreensão para o que pode acontecer com o país. Neurocientista e historiador comenta o que pode vir por aí.

 

Com a tomada do poder pelo Talibã depois de 20 anos, o país poderá passar por profundas transformações em seu sistema político e, principalmente, na vida de sua sociedade. Com uma metodologia radical de governo, o grupo chega com posições antagônicas do que tem se observado na maioria dos países em pleno século XXI.

 

Nesta semana, o assunto que tem dominado as pautas de toda a imprensa internacional é a situação política do Afeganistão. Com a tomada do poder pelo grupo extremista Talibã, a preocupação é grande pelo que virá e quais serão os impactos internacionais com essa questão. Vale lembrar que o mesmo grupo já ocupou o poder naquele país entre 1996 e 2001, quando foi derrubado pelas forças militares dos Estados Unidos naquele momento pós 11 de setembro.

 

Segundo o PhD, neurocientista, com licenciatura em história, pós graduação em antropologia e diretor inativo da ONG, Coalizão Internacional do Imigrante, Fabiano de Abreu Rodrigues, há diferenças e semelhanças entre a conduta que o Talibã exercia quando tinha o poder e agora, 20 anos depois: “Hoje eles possuem uma hierarquia mais bem definida, com um líder soberano, delegados e um conselho para administrar suas ações naquele país”.

Fabiano de Abreu – Foto: Divulgação / MF Press Global

 

O ponto crucial para determinar as ações do grupo está na religião, reforça Abreu: “É com este argumento que eles fazem interpretações dos mandamentos islâmicos e planejam suas ações, que vão desde o tratamento dado às mulheres, até as punições para os crimes que são cometidos contra sua doutrina. Vale lembrar que isso é um dos diferenciados do Talibã, que é apontado como o grupo terrorista mais violento de todos do planeta”, observa.

 

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os “americanos não devem lutar guerra que afegãos não querem lutar”, Fabiano tem observado que a realidade não é bem essa: “Os fatos observados ao longo dos últimos dias no país vão na contramão dessa visão de Biden. Ele depositou a culpa nos afegãos, mas as notícias que chegam de lá mostram que aqueles cidadãos desejam uma liberdade. E fazer qualquer tipo de protesto com o Talibã no comando do poder é um ato de muita coragem, aliás, podemos definir como se fosse quase um suicídio daquelas pessoas que estão ali”, analisa.

 

No entanto, uma grande preocupação que fica é em relação às mulheres, observa Fabiano: “O Talibã não aceita essa luta delas pela liberdade. É uma crença deles antiga e isso infelizmente não deve mudar agora. Veja o caso da Mina Magal, morta pelo Talibã em 2019, sempre lembrada por essa luta e que teve a sua estátua destruída recentemente. Ou seja, as mulheres estão protestando por lá, e temo pela retaliação que esta atitude delas pode sofrer por parte desse grupo”, destaca.

 

Diante deste cenário, Fabiano acredita que é hora dos outros países tomarem uma atitude: “Eles podem crescer e fazer alianças com outros países, se fortalecendo economicamente, aí ficaria muito mais difícil derrubar esse governo. Então é algo que precisa de uma resposta imediata”.

 

Sobre o discurso do Talibã mais moderado, como tem apresentado seus líderes até o momento, Fabiano lembra: “Eles podem até tentar ser menos radicais do que já foram, mas não dá para apagar a história cruel e ditatorial que eles escreveram ao longo de tantos anos”, completa.

 

Divulgação / MF Press Global