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O eleitor como cúmplice

Cássio Faeddo

Por Cássio Faeddo

 

Se antes da eleição de Jair Bolsonaro os eleitores podiam alegar que não o conheciam muito bem, ou que não queriam a volta do PT ao poder, em 2022 tais alegações não são mais possíveis.

Bolsonaro se mostrou com todas as suas facetas e posicionamentos. Se investigações sobre seus atos e omissões não prosperam, vão para o arquivo, ou andam em ritmo de tartaruga, não significa que não há o que se investigar ou mesmo processar.

O governo e problemas estão aí para avaliação geral.

O mesmo ocorre com Lula. Se os eleitores lhe deram o benefício da dúvida no mensalão do “eu não sabia” , lhe outorgando um segundo mandato, não podem neste momento alegar desconhecimento de um dos maiores escândalos de corrupção e de dezenas de prisões do petrolão.

O fato é que os viciados processos de Lula foram objetos de prescrição. Nos referimos ao usufruto de Atibaia e ao confuso caso das cotas de um apartamento no Guarujá. Nem mencionemos os tesoureiros, presidentes de estatais e ministros presos. Tudo isso é de conhecimento público.

Se houver um mínimo da confiabilidade no tsunami de pesquisas realizadas em um universo diminuto, por telefone em sua maioria (!?), a situação é preocupante.

Preocupante porque os eleitores estão corroborando com todo histórico e atitudes destes pré-candidatos. 

Então que não se reclame de mais nada posteriormente. Nenhum deles está hoje embrulhado em papel pardo. 

Os currículos estão abertos na frente de todos; o resultado colhido será irrecorrível, e nada haverá que se reclamar posteriormente. 

Os eleitores merecerão o resultado dos votos e tudo mais que possa acontecer, seja por eventuais desrespeitos aos princípios constitucionais na administração pública, aos mais fundamentais direitos constitucionais, seja pelo aparelhamento do Estado, ou pela inevitável modelagem das instituições ao gosto do eleito.

Estão todos avisados.

Cássio Faeddo. Advogado. Mestre em Direito. Ciências Políticas-USCS. MBA em Relações Internacionais.FGVSP