Nova Odessa: Em visita à Amazônia, pe. Itamar contribui com a evangelização de indígenas

Pároco da Igreja do São Jorge também aproveita para estimular o trabalho missionário

 

O que um missionário que está há dois anos na Amazônia tem a ver com o IEMA (Instituto de Educação e Meio Ambiente? Tudo. Sabe por quê? Pelo motivo de ele relacionar seu trabalho aos quatro pilares fundamentais da organização do Terceiro Setor novaodessense: as responsabilidades Educacional, Ambiental, Social e Cultural.

Na véspera do último Natal, a entidade divulgou em seu site uma entrevista com o evangelizador em São Gabriel da Cachoeira, Antônio Luis Fernandes, em que falou sobre sua vida, trabalho e sonhos. Ele é grande amigo do padre Itamar Gonçalves, da Paróquia do São Jorge, em Nova Odessa (SP) – ambos são admiradores da causa que o instituto defende: “socializar o conhecimento para atender o interesse público” -, e os dois se encontraram no início deste mês.

“Conheço o pe. Luis desde quando ele entrou para o seminário. O conheci cantando ladainha em uma ordenação presbiteral em Leme [SP]. Ele já estava no primeiro ano de Filosofia. Depois de ter trabalhado na Paróquia de Santa Rita de Cássia, em Leme, e  Paróquia de São Paulo Apóstolo, em Limeira [SP], ele veio para Americana [SP], Paróquia do Senhor Bom Jesus. Aos poucos, nossos laços foram se estreitando. Hoje, somos bons amigos! Em uma relação pessoal, pastoral e, hoje, numa dimensão missionária”, lembrou o padre do São Jorge.

Itamar partiu para a Amazônia com o objetivo de visitar Luis, mas também contribuiu com o processo de evangelização na região. “Fui para estar com ele e ajudá-lo no que houvesse necessidade. Andamos conhecendo comunidades e depois fui até Taracuá, onde moram 90 famílias de índios da Etnia Tucana. Para chegar lá, levamos 7 horas de voadeira [tipo de barco], subindo o Rio Negro e o Rio Waupés”, comentou o pároco.

“Em Taracuá andei por toda a vila. Conversei com alguns moradores. Outros pediram para entrar e estar na casa deles. Foi muito legal. Eles me receberam bem e pudemos conversar um pouco. Não posso reclamar e em nada criticar a acolhida e convivência com eles nesses dias”, recordou Itamar.

Quando questionado sobre os momentos de descanso na Amazônia, respondeu: “nas horas de lazer, ajudei nos trabalhos da Catedral. E andamos conhecendo comunidades”.

– E como se sentiu após a viagem, padre Itamar? “Não diria que tive a sensação de ‘dever cumprido’ porque não fui por uma causa, fui apenas para estar! Nesse sentido, foi bom estar na Amazônia e conviver com a realidade local!”, afirmou.

“Por enquanto, quero degustar essa ida e vinda, para depois pensar noutra”, ressaltou Itamar, quando indagado sobre o desejo de retornar a São Gabriel da Cachoeira.

‘Seja bendito quem chega’

“Esse título é mais do que apropriado. Revela, ao mesmo tempo, a alegria dos que esperam a chegada dos peregrinos e o aconchego que o peregrino encontrará na casa do seu anfitrião. Assim é desde os mais remotos tempos. As dificuldades da viagem, os desafios de estar longe de casa, o medo de perder-se pelos caminhos ?do mundo que, anteriormente e ainda hoje, ameaça e diz que qualquer lugar que não seja o nosso lugar é sempre perigoso. Talvez até por isso que somos tão arraigados em nosso chão e com nossas coisas. Temos medo do que virá pela frente diante de tantos lugares e pessoas desconhecidos que nos aparecerão. Falo disso tudo por um motivo bastante prático: tive, em fevereiro, a visita do pe. Itamar, peregrino aqui nestas terras e águas do alto Rio Negro. Vinha do seu sossego aí no Sul e esteve conosco por 10 dias, vivendo a experiência de ser esse ‘bendito’ que chega e é esperado”, disse Luis.

O missionário relatou a importância da visita do amigo para os povos da região. “Pra comunidade de São Gabriel, que teve mais contato (pois ficou hospedado na minha casa), e à comunidade de Taracuá, onde foi fazer a experiência de itinerância por um final de semana, o que viveu e sentiu somente ele poderá dar conta e partilhar. O que sei é que teve a feliz experiência junto às comunidades indígenas que mais lhes agradam: receber os viajantes e fazê-los sentir-se membro da sua família. Essa tradição perdida em muito pela cultura urbana (o medo que se tem dos estranhos é muito maior do que a alegria em recebê-los) se mantém muito forte entre os índios. Gostam de ser visitados. Gostam de sentar para conversar. Gostam de dividir o pouco que têm com quem chega. Gostam de repetir as histórias que lhes são caras”, pontuou o padre de São Gabriel da Cachoeira.

“Já, para mim, é uma alegria receber amigos e poder partilhar um pouco da minha vida, dos meus medos, dos meus temores e desejos. Isso sempre ajuda a enfrentar os ‘nãos’ que a vida nos coloca como obstáculos”, frisou o missionário.

Contando boas histórias

O IEMA acredita que divulgando bons exemplos, contando histórias reais e inspiradoras, as pessoas são estimuladas a se tornarem agentes multiplicadores das responsabilidades e causa que defende.

“Conhecemos pouco do Amazonas e dos índios! Por isso, nossa fala não corresponde à realidade. Vocês [IEMA], transmitindo um pouco do trabalho que o padre Luis realiza lá, com aqueles povos, fazem crescer nosso conhecimento e nossas outras possibilidades. Isso é muito valioso. Acredito ser de grande contribuição material, financeira e missionária religiosa/católica, que não visa converter ou mudar a cultura, mas deixar e conviver como são. Que o trabalho do IEMA possa criar desejos: de ser missionário e de ajudar os missionários. Inclusive, há um curso para ser Missionário no Amazonas. Quem desejar, ligue na Igreja de São Jorge: (19) 3466-6027”, concluiu Itamar.

E o amigo reforçou: “com a visita desses peregrinos de São Paulo, mais uma vez, manteve-se acesa a chama de se alegrar com quem chega e se cumpriu, ainda que por outros caminhos, o que Jesus sempre insistia com suas comunidades: Eu era peregrino e fostes capaz de Me acolher…”, completou Luis.

 

 

Juan Piva

Assessoria

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