
Medida, anunciada pela senadora Damares Alves, pode atingir entre 500 mil e 700 mil feirantes em todo o país
A recém-lançada Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Feirantes, que reúne deputados e senadores no Congresso Nacional, projeta articular junto ao governo e ao setor bancário a estruturação de uma linha de crédito especial com potencial de injetar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 7,5 bilhões na economia de base do país.
A estratégia mira o financiamento e a formalização de mais de 500 mil microempreendedores que hoje operam majoritariamente à margem do sistema financeiro tradicional.
A liderança do bloco ficou com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), eleita presidente do colegiado nesta terça-feira (19).
A principal bandeira econômica do grupo será a criação de canais formais de financiamento e fomento, focados na modernização de bancas e na ampliação de capital de giro para o setor.
“Por que os feirantes não podem ter uma linha de crédito especial para o feirante que quer melhorar sua banca, sua lojinha, que quer empreender?”, defendeu a parlamentar durante o lançamento da frente.
Para o mercado financeiro, a consolidação dessa carteira de crédito direcionada representa a abertura de um nicho de mercado robusto e até então pouco explorado pelos grandes players do setor bancário.
O Brasil conta atualmente com mais de 9.200 feiras livres em funcionamento — das quais mais de 5.100 possuem periodicidade semanal —, que movimentam uma engrenagem comercial estimada entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões anuais em faturamento bruto.
O peso econômico da atividade é sustentado pelas grandes metrópoles. Apenas na capital paulista, operam cerca de 960 feiras livres que transacionam bilhões de reais por ano no varejo de proximidade.
No Rio de Janeiro, cerca de 200 feiras dão emprego direto a aproximadamente 6 mil profissionais e geram receitas milionárias todos os meses.
O Distrito Federal, base da presidente da Frente, conta com 38 feiras permanentes e três shoppings populares, além de dezenas de feiras livres espalhadas pelas regiões administrativas, totalizando cerca de 120 feiras.
A estimativa oficial é que esses espaços comerciais reúnam aproximadamente 30 mil feirantes e trabalhadores diretos. Parlamentares que integram a frente argumentam que o desenho de um modelo de microcrédito assistido, com tíquete médio estimado entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por empreendedor, tem a capacidade de trazer eficiência logística, segurança e formalização para a cadeia de abastecimento urbano, transformando o setor em um novo motor de microeconomia no país.









