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Coceiras recorrentes, otites de repetição, alterações nas fezes e até quadros de ansiedade podem ter origem no intestino. Especialista explica como a microbiota impacta diretamente a saúde e o bem-estar dos pets.
Coceiras que não passam, otites de repetição, fezes irregulares, pelagem opaca, alterações no apetite e até sinais de ansiedade podem ter uma origem que muitos tutores ainda não associam de imediato: o intestino.
Muito além da digestão, a saúde intestinal exerce papel central no equilíbrio do organismo de cães e gatos. O intestino concentra grande parte da atividade imunológica do corpo e abriga trilhões de microrganismos que atuam diretamente na absorção de nutrientes, no metabolismo, na resposta inflamatória e até no chamado eixo intestino-cérebro — uma conexão que influencia comportamento, disposição e qualidade de vida dos pets.
Segundo a médica-veterinária nutróloga Celina Okamoto, especializada em alimentação natural suplementada, a saúde intestinal deve ser encarada como base para o cuidado integral dos animais. “Antes de tratar pele, articulações ou até alterações comportamentais, é importante olhar para o intestino. É ali que o organismo define como vai absorver nutrientes, responder imunologicamente e controlar processos inflamatórios”, explica a veterinária.
Quatro pilares da saúde intestinal
De acordo com a especialista, a saúde intestinal se sustenta em quatro pilares principais:
- Digestão e absorção eficientes
- Integridade da mucosa intestinal
- Microbiota equilibrada (eubiose)
- Atividade imunológica adequada
Quando esse equilíbrio é rompido, condição conhecida como disbiose, o organismo pode sofrer impactos que vão muito além do sistema digestivo.
Sinais de que o intestino pode não estar saudável
O desequilíbrio intestinal nem sempre se manifesta apenas por diarreia ou vômito. Outros sintomas podem indicar alterações na microbiota intestinal, como:
- Fezes amolecidas ou ressecadas
- Flatulência excessiva
- Vômitos frequentes
- Coceiras recorrentes
- Pelagem opaca e queda excessiva de pelos
- Otites de repetição
- Halitose persistente
- Alterações no apetite
- Oscilações de peso
- Ansiedade, apatia ou irritabilidade
Nos gatos, episódios frequentes de vômito associados a bolas de pelo e alterações nas fezes também merecem atenção. “O intestino se comunica com o corpo inteiro. Muitas vezes, sintomas de pele, queda de pelo ou até alterações comportamentais podem ter relação com desequilíbrios intestinais”, reforça Celina Okamoto, responsável técnica da Botupharma.
Diarreia recorrente não deve ser normalizada
Quadros de diarreia frequente ou prolongada precisam de investigação clínica. Segundo a especialista, alterações persistentes podem estar ligadas a doenças inflamatórias intestinais, intolerâncias alimentares, parasitoses, alterações pancreáticas, desequilíbrio da microbiota e outras condições sistêmicas.
Quando não tratadas, essas alterações podem levar à má absorção de nutrientes, perda de peso, queda da imunidade, anemia, desidratação e piora da qualidade de vida do animal.
Alimentação pode transformar a microbiota rapidamente
A dieta exerce influência direta sobre o equilíbrio intestinal. Mudanças alimentares podem modificar a microbiota em pouco tempo, favorecendo ou prejudicando a saúde digestiva. Dietas com boa digestibilidade, fibras funcionais, prebióticos, probióticos e ingredientes nutricionalmente equilibrados contribuem para fortalecer bactérias benéficas, melhorar a integridade intestinal e reduzir processos inflamatórios.
Por outro lado, alimentos de baixa qualidade ou trocas bruscas na alimentação podem comprometer esse equilíbrio e aumentar desconfortos gastrointestinais. “Quando a alimentação é individualizada e equilibrada, conseguimos oferecer nutrientes mais adequados às necessidades de cada pet. Isso se reflete em fezes mais consistentes, melhora da pelagem, redução do prurido, mais disposição e qualidade de vida geral”, destaca a nutróloga.
Os sete erros mais comuns que prejudicam a saúde intestinal dos pets
1. Oferecer restos de comida humana
Alimentos gordurosos, condimentados ou tóxicos para pets, como cebola, alho, chocolate, uvas e xilitol, podem causar sérios danos.
2. Trocar a dieta de forma abrupta
Mudanças alimentares devem ser feitas gradualmente, geralmente entre sete e dez dias.
3. Exagerar nos petiscos
Eles devem representar, no máximo, 10% das calorias diárias.
4. Escolher alimento apenas pelo preço
Digestibilidade e qualidade nutricional também precisam ser consideradas.
5. Deixar ração disponível o tempo todo
Essa prática pode favorecer obesidade e alterações metabólicas.
6. Ignorar fase de vida e condições clínicas
Filhotes, idosos, gestantes e animais com doenças específicas precisam de dietas individualizadas.
7. Negligenciar a hidratação
Especialmente nos gatos, a baixa ingestão de água pode desencadear problemas urinários e digestivos.
Intestino saudável é prevenção e qualidade de vida
Para Celina Okamoto, cuidar do intestino significa investir diretamente em prevenção, imunidade e longevidade. “Saúde intestinal não é tendência. É fisiologia. Quanto antes o tutor entender isso, mais qualidade de vida o pet pode ter ao longo dos anos”, finaliza.









