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Imposto rosa e precificação que aumenta a desigualdade entre homens e mulheres

Sobrepreço em produtos femininos é uma prática do mercado que incentiva o preconceito de gênero e o estereótipo de compradoras compulsivas

 

As mulheres são responsáveis pela maior parte das compras na maioria dos lares em todo o mundo, por isso são o principal alvo das campanhas de marketing. Mas, ao mesmo tempo em que as empresas valorizam a decisão feminina, também aumentam consideravelmente o preço dos produtos para as mulheres, no que convencionou-se chamar de pink tax ou imposto rosa.

 

O tema soa absurdo, mas é real. O Departamento de Consumo de Nova Iorque apontou, em 2016, que os produtos cor-de-rosa, supostamente voltados ao público feminino, custam 7% mais do que os mesmos itens com cores neutras ou azul. Um dos principais itens destacados na pesquisa realizada pela instituição foi a lâmina de barbear que, apenas por ser cor-de-rosa, custava 13% mais do que a versão masculina.

A história é antiga

As empresas têm uma visão ainda estereotipada das mulheres. Muitas acreditam que elas associam a compra ao bem-estar, além de estarem dispostas a pagar mais por um produto que desejam muito. Ser mulher é seis vezes mais caro do que ser homem — apesar de terem salários inferiores aos deles em todo o mundo.

 

Isso porque é preciso usar mais roupas (sutiã, top, saia, meia-calça, vestido, calças, camisa, entre outras peças) e acessórios (sapato, scarpin, sapatilha, sandália, tênis, brinco, colar, anel, etc.), além da parte estética (manicure, depilação, sobrancelha, tintura, escova, maquiagem e outros procedimentos).

 

Mesmo os produtos 100% destinados ao público feminino são caros, pois, a carga tributária em cima deles é muito alta. Reportagem da revista Forbes apontou que 25% do valor dos absorventes femininos, no Brasil, são impostos.

 

O estímulo ao preconceito

Essa diferenciação de custo só reforça o preconceito de gênero. Esse tipo de discriminação começa cedo e se reflete, até mesmo, na moda bebê. Pais que estejam preparando o enxoval vão se deparar com trajes de tecidos sintéticos, babados e glitter para elas e peças confortáveis e de malha para eles.

 

Nas estampas, o preconceito de gênero também se faz mais visível: não há trajes femininos com animais ferozes, como leão e tigre, temas de esporte ou mais neutros, como espaço/astronauta. Para eles, tampouco há a opção de profissões consideradas “femininas”, como bailarino, ou de animais que sejam considerados “delas”, como a onça ou a borboleta.

As ações para mudar este cenário

Acabar com esse preconceito de gênero embutido no consumo é difícil, mas não impossível. O primeiro passo está justamente nas mãos delas — que decidem a compra. É preciso boicotar os itens cor-de-rosa que estão com disparidade de preço frente aos mesmos produtos azuis — seja uma caneta, uma lâmina de barbear, um shampoo ou um alimento. A qualidade do produto não pode ser medida pela cor da sua embalagem para ser cobrada dessa forma.

 

Também é preciso colocar a boca no mundo e denunciar as marcas que agem dessa forma. Usar as redes sociais para espalhar a disparidade e formalizar queixa sobre isso nos órgãos de proteção ao consumidor são o primeiro passo. Ainda é válido reclamar diretamente para a empresa por meio do serviço de atendimento ao consumidor. Uma única queixa não vai mudar esse universo, mas se várias pessoas se unirem, é certo que a empresa vai ter que rever o seu critério de precificação e sua estratégia de marketing.

 

Também é apropriado valorizar marcas e empresas que não obrigam a mulher a estar sempre linda e ultraproduzida para se sentir bem consigo mesma. Na Europa, a atriz britânica Helen Mirren e a revista especializada em beleza Allure levantaram a bandeira do fim dos cosméticos “antissinais” ou “anti-ageing”, desde 2017. A justificativa é a de que o envelhecimento é um processo natural e não devemos nos envergonhar dele. Se uma empresa é contra as suas rugas, ela é contra a sua naturalidade e a sua beleza real, não merecendo ser consumida por você.

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