Grupo de Meio Ambiente discute o impacto da crise hídrica nas empresas

Na Semana da Água, o IEMA (Instituto de Educação e Meio Ambiente) participou ontem (19) de uma reunião do Grupo de Meio Ambiente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Americana, para ficar a par do que os empresários da região estão fazendo para lidar com a crise hídrica.

Coordenado pelo administrador e gestor industrial, Daniel Gustavo de Almeida, o encontro contou com a participação de 12 pessoas. A organização socioambiental novaodessense esteve representada pelo seu assessor de comunicação, Juan Piva.

Para falar sobre a falta d’água na região abastecida pelo Sistema Cantareira, o grupo convidou o coordenador regional de Meio Ambiente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Alexandre Vilella. “Cerca de 20% da 7ª economia do mundo está sob risco extremo. As previsões mais otimistas é de que teremos água para mais 70 dias. As empresas precisam elaborar seus planos de contingência”, afirmou o palestrante.

Vilella frisou três alternativas práticas para o problema: rezar, chover e reduzir o consumo. “Se apertarmos a descarga no Cantareira agora, a água leva, aproximadamente, 12 dias para chegar até aqui [Americana]. Acredito que, em breve, devemos iniciar a captação no Reservatório Salto Grande – mesmo ele, que para voltar a ter uma classificação considerada boa, levaria 130 anos”, comentou.

“Não existe nenhum cidadão no Brasil que possa ser excluído do problema, a crise hídrica da nossa região impacta em todas as cadeias de produção e consumo, direta ou indiretamente. Hoje, o nível real do Cantareira é de -13%, devemos iniciar abril com -5%; mesmo com chuvas a 83% do esperado para o mês passado, apenas 50% desse montante foi, de fato, aproveitado na recarga, porque o solo estava muito seco”, reforçou o coordenador regional de Meio Ambiente da Fiesp.

O palestrante relatou ainda que os funcionários, nas empresas, querem ajudar a resolver o problema, mas não sabem como agir. “O empresário precisa estar atento às ideias de seus colaboradores, eles podem ser importantes aliados na redução do consumo na fábrica e, por meio das campanhas de conscientização, podem também diminuir o gasto com água em suas casas”, ressaltou Vilella.

A propósito, a Responsabilidade Socioambiental já foi difundida pelo IEMA entre os mais de 200 trabalhadores da empresa Michibel, de Nova Odessa. Palestras sobre a necessidade da conservação do Meio Ambiente foram ministradas ao longo do segundo semestre do ano passado, incentivando, principalmente, o uso consciente da água. E os resultados não poderiam ser melhores. Os colaboradores começaram a dar ideias para o melhor aproveitamento dos recursos hídricos na fábrica de móveis. Uma, em especial, repercutiu positivamente na companhia e na mídia local – um encarregado de pintura sugeriu a troca das torneiras convencionais pelas que fecham automaticamente, o que proporcionou grande economia de água.

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