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Falece, aos 91 anos, Monsenhor Luiz Gonzaga Juliani

Sepultamento será nesta segunda-feira, às 16h30, no Cemitério Parque da Ressurreição

Aos 91 anos, faleceu, às 15h25 deste domingo, 18 de novembro, devido à falência múltipla dos órgãos, o presbítero decano da Diocese de Piracicaba e pároco emérito da Paróquia São José de Piracicaba, monsenhor Luiz Gonzaga Juliani. Ele estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Unimed, em Piracicaba, desde a manhã de sábado (17), para tratamento de infecção devido à pneumonia no pulmão direito e gastroenterite.

Seu corpo é velado desde às 20h30 desse domingo, na Paróquia São José, localizada à avenida Marquês de Monte Alegre, 669, no bairro Paulista, em Piracicaba. A missa de corpo presente acontecerá às 15h e terá a presidência do bispo diocesano, Dom Fernando Mason. Logo após a missa, o corpo será levado em cortejo até o Cemitério Parque da Ressurreição, onde monsenhor Juliani será sepultado na cripta dos padres.

Dom Fernando lamenta a morte de monsenhor Juliani e afirma que a história de sua vida presbiteral confunde-se com a da diocese, pois ele faz parte da nossa Igreja Particular desde sua criação e instalação até hoje, ano jubilar em que celebramos os 75 anos. “Uma presença muito construtiva, de grande zelo apostólico e pastoral. Atuando com muita intensidade em tudo, nas celebrações da diocese e momentos diocesanos. Um belo exemplo de presbítero e grande irmão que atuou muito intensamente em nossa diocese, a quem devemos muita gratidão”, agradece Dom Fernando.

Padre Marcelo Sales, pároco da Paróquia São José, lembra que em 8 de dezembro monsenhor Juliani faria 66 anos de vida sacerdotal e que sua presença se confunde com toda a história diocesana. “Ele é um ícone para a paróquia São José, sendo seu primeiro pároco, e também para nossa Igreja Particular como um grande construtor e formador. Somos gratos pela sua presença no meio de nós e por tudo que nos ensinou”, salienta o sacerdote.

O coordenador Diocesano de Pastoral, padre Kleber Fernandes Danelon, lembra que a história da diocese não pode ser contada sem esse grande personagem. Na Igreja, foi pároco, formador de seminaristas (professor, mestre de disciplina, diretor espiritual e reitor), Chanceler do Bispado, Defensor do Vínculo na Câmara Eclesiástica, Coordenador Diocesano da Campanha da Fraternidade, Membro do Conselho de Presbíteros e do Colégio de Consultores; na sociedade, promotor de diversas obras sociais. “Monsenhor Juliani nos deixa um legado de amor à Diocese de Piracicaba, a quem ele serviu por quase 66 anos como presbítero diocesano”, finaliza o presbítero.

Biografia de Monsenhor Luiz Gonzaga Juliani

Monsenhor Luiz Gonzaga Juliani nasceu em Capivari, no dia 2 de junho de 1927, filho de Thomaz Juliani e Maria Maschietto Juliani. Na Matriz de São João Batista foi batizado, crismado e fez sua primeira comunhão.

Sua formação sacerdotal iniciou-se no Seminário Diocesano de Campinas, onde cursou os antigos ginásio e colegial, prosseguindo no Seminário Central “Imaculada Conceição”, no Ipiranga, na capital paulista, onde fez Filosofia e Teologia. Aos 25 anos, Luiz Gonzaga Juliani foi ordenado presbítero, no dia 08 de dezembro de 1952, pela imposição das mãos do primeiro bispo da diocese, Dom Ernesto de Paula, na Sé Catedral Santo Antônio.

De lá para cá, a vida desse servidor do Reino de Deus, de voz mansa e serena, foi pautada pelo Evangelho de Jesus Cristo. Sempre obediente, mons. Juliani, como é conhecido por todos, aceitou, sem hesitar, todos os desafios que lhe eram confiados. Como sacerdote foi construtor, professor, orientador espiritual e lutador pelas causas sociais.

No mesmo ano que foi ordenado presbítero iniciou seu ministério na Paróquia Santa Bárbara, em Santa Bárbara D’Oeste. Em 1954 voltou à Piracicaba para trabalhar na formação de novos padres no Seminário Diocesano “Imaculada Conceição”. No dia 1º de janeiro de 1964, assumiu como primeiro pároco da Paróquia São José, em Piracicaba, onde atuou por 42 anos e atualmente é pároco emérito e vigário-paroquial. “Na época, quando aqui chegamos, nada foi fácil, mas, a obra de Deus tem que ser realizada e assim, construímos a matriz mesmo a região sendo muito carente”, lembrou o sacerdote durante entrevista para a edição dezembro de 2017 do jornal diocesano “EM FOCO”.

Além da Igreja matriz de São José, também construiu o Cesac (Centro Social de Assistência Social), a creche Maria Maschietto Juliani, além de muitas capelas que posteriormente passaram à condição de paróquias, como a Menino Jesus de Praga, a São Francisco Xavier e a Imaculado Coração de Maria.

Coordenou a Campanha da Fraternidade na diocese e atuou na Câmara Eclesiástica como Defensor do Vínculo. Foi membro do Conselho Diocesano de Presbíteros e do Colégio de Consultores. Por muitos anos exerceu o ofício de Chanceler Diocesano, até janeiro de 2006.

Como recompensa pelos muitos serviços prestados à Igreja, em setembro de 1988 foi agraciado pelo Papa São João Paulo II com o título honorífico de Monsenhor “Capelão de Sua Santidade”. Também recebeu, em 23 de dezembro de 1968, o título de “Cidadão Piracicabano”. No ano seguinte, recebeu também a Medalha do Centenário de Piracicaba, como reconhecimento pelo grande trabalho pastoral e social desenvolvido.

Em julho desde ano foi lançado pelo jornalista Edilson Rodrigues de Morais o livro biográfico de monsenhor Juliani. A publicação intitulada “Monsenhor Juliani — Uma Vida de Fé e Doação” transcreve os causos e acontecimentos que marcaram a história de vida deste religioso, que esteve oficialmente à frente da Paróquia de São José por 42 anos, entre os anos de 1964 a 2006, e foi uma iniciativa do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba).

Quando foi questionado sobre sua vocação sacerdotal, mons. Juliani foi enfático na resposta: “sou grato a Deus, que me fez seu servidor, e a Nossa Senhora, que sempre esteve comigo nesta caminhada, e a São José, intercessor sempre presente em minha vida. Agradeço a Deus, que mesmo com os meus defeitos e pecados, me concedeu a graça de ser padre e de chegar até aqui”.

A Diocese de Piracicaba agradece a vida e ministério de monsenhor Luiz Gonzaga Juliani, que agora intercede por nós junto ao Pai. Que mons. Juliani receba a recompensa do Senhor: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me entregará naquele Dia” (2Tim 4,7-8).

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Redação
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