Entenda os principais efeitos do rebaixamento da nota de grau de investimento do Brasil


Agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou nota do país; com decisão há risco da perda de investidores, instabilidade cambial e mais pressão inflacionária

 

O Brasil perdeu o selo de bom pagador com o rebaixamento da nota da agência de classificação de risco Standard and Poor’s. Isso significa que o país saiu de uma condição de investimento para uma categoria especulativa, ou seja, um patamar com elevado grau de calote no pagamento de dívidas. A S&P ainda colocou a nota em perspectiva negativa, o que indica a possibilidade de novos rebaixamentos.

Em seu posicionamento, a agência deixou claro que o Orçamento enviado pelo governo brasileiro ao Congresso incluindo superávit primário, pouco mais de um mês após ter anunciado redução, pesou para esta decisão.

Mucio ZachariasO professor de Economia da IBE-FGV, Múcio Zacharias, explicou que o governo confundiu transparência com negligência ao deixar nas mãos do Congresso uma decisão que caberia a ele. “Cabe à presidência da República a decisão sobre a economia do país. Mas, o que foi feito é a mesma coisa que uma pessoa entregar ao gerente do banco a responsabilidade de administrar suas contas domésticas”, explica.

Com a notícia, segundo Zacharias, são três os principais impactos para o cenário econômico que já não estava bom: perda total de credibilidade o que vai afastar ainda mais os investidores, instabilidade cambial devido ao aumento de procura pela moeda mais forte e, ainda, mais pressão inflacionária. Para ele, o dólar deve ultrapassar a marca dos R$ 4,00 e a inflação vai continuar subindo.

Dicas

Segundo o professor, é tempo de apertar os cintos. Para os empresários o negócio é reduzir custos e enxugar a estrutura. Diminuir a exposição cambial, buscando fornecedores internos também é uma boa ideia, se possível. “Operações em dólar estão altas demais”, destaca. O investidor deve pensar duas vezes antes de qualquer ação, lembrando que agora ficar com os juros já é menos arriscado.

O consumidor deve ficar atento no supermercado. Pechinchar é a ordem do momento e as famosas listinha de compras são a estrela da vez. “Nada de arriscar, investir ou comprar. Fugir dos empréstimos é fundamental e se tiver que adquirir alguma coisa, que seja o essencial”, destaca

As outras duas agências que conferem avaliações para o risco de investimento em cada país, Moody’s e Fitch, ainda mantêm grau de investimento ao país. A perspectiva negativa da S&P é o que mais preocupa, pois pode levar as demais agências a seguirem o mesmo caminho, segundo avaliação da Bloomberg.

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