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Empresários da indústria seguem confiantes pelo quarto mês consecutivo, aponta CNI

Funcionários trabalham em linha de montagem de fábrica de sapatos. Foto: Miguel Ângelo/CNI

Os empresários de 30 setores da indústria estão confiantes pelo quarto mês consecutivo, de acordo com levantamento mais recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em agosto, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) permaneceu acima dos 50 pontos em todos os segmentos analisados, o que indica que as empresas seguem otimistas.

O ICEI cresceu em 21 dos 30 setores que compõem a pesquisa. Em dois setores, não houve melhora, nem piora. Em sete houve recuo na confiança, mas em apenas um essa queda foi maior do que um ponto percentual.

Para o deputado federal Newton Cardoso (MDB/MG), presidente da Frente Parlamentar Mista Nacional da Indústria, três fatores contribuem para o otimismo disseminado entre os empresários industriais: o aumento do consumo, o avanço da imunização e as dificuldades para importações, que acabam por incentivar a produção da indústria nacional.

“É importante ressaltar que com o aumento da vacinação Brasil afora a atividade econômica tem condição de se recuperar. Tem mais gente na rua, tem mais gente voltando às rotinas normais de sua vida com a plena vacinação e, com isso, não só a atividade econômica, mas especialmente a atividade industrial tem condição de crescer e este é um dos principais motivos do aumento da confiança também do setor industrial”, acredita.

A chegada das festas de fim de ano aliadas às restrições para importar também explicam a confiança das empresas. “No mês de setembro temos, também, o início das encomendas natalinas e, considerando uma forte dificuldade em importações de alguns setores, por conta das restrições em portos e atividade portuária como um todo mais devagar, há um aumento significativo da demanda da indústria nacional de itens que, ainda que haja semelhantes no mercado internacional, a indústria brasileira passa a ser mais demandada”, diz.

ICEI Setorial

O levantamento também mostra que quanto maior o porte da empresa, mais confiantes estão os empresários. O ICEI das pequenas empresas encerrou agosto em 61,7 pontos, ante 62,5 pontos nas médias empresas e 62,9 pontos entre as grandes.

No recorte por região, destaque para o Norte, onde o ICEI chegou aos 66 pontos, sete pontos acima do resultado obtido em agosto do ano passado. Em seguida vêm as regiões Sul (64,6), Centro-Oeste (62,6), Nordeste (61,9) e Sudeste (60,9). Apenas no Centro-Oeste houve queda na comparação com o mês de julho.

Os empresários do setor de máquinas e equipamentos são os mais confiantes, de acordo com a CNI. O ICEI do setor é de 66,6 pontos. Os setores de químicos (exceto HPPC), produtos diversos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos (65,1) e produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos) também se destacam.

Mesmo os cinco setores menos confiantes estão consideravelmente acima dos 50 pontos, o que indica, portanto, que permanecem otimistas quanto à melhora da atividade industrial.

O economista Benito Salomão afirma que a confiança dos empresários industriais tem explicações mais subjetivas, uma vez que o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,1% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, assim como a própria indústria, que teve retração de 0,2%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo ele, o otimismo pode estar relacionado à retomada do crescimento sustentado em 2022 e à expectativa pelas reformas, por exemplo. O economista espera que a confiança dos empresários industriais reflita em crescimento concreto do setor nos próximos meses, porque isso traria impactos para a economia do país.

“A indústria é um setor importantíssimo para que o País volte a apresentar uma trajetória sustentável de crescimento, porque a indústria é um setor intensivo em tecnologia e inovação. O setor da indústria quando cresce gera inovações, cria tecnologias novas que vão ser absorvidas por outros setores”, pontua.

Levantamento

O ICEI Setorial do mês de agosto contou com a participação de 2.383 empresas, das quais 949 são de pequeno porte, 860 de médio porte e 574 de grande porte.