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As práticas ESG e a sua empresa

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Por Luiz Fernando Maia e Simony Silva Coelho

 

É bem provável que você já tenha lido a respeito do termo ESG. A sigla vem do inglês e significa “Environmental, Social and Governance”, podendo ser traduzido para “Ambiental, Social e Governança”. O que provavelmente você não tenha se atentado é que a implementação de práticas ESG são cruciais para o desenvolvimento de sua empresa e sucesso de seu negócio.

O termo ESG teve origem no documento denominado Who Cares Wins, publicado em 2005 pelo Pacto Global, criado pela Organização das Nações Unidas, no qual constatou-se o impacto do setor financeiro na sociedade e nas empresas e o potencial deste setor para engajar novas posturas.

A United Nations Environment Programme Finance Initiative (UNEP-FI), para confirmar se as práticas ESG, junto mercado financeiro, estavam em consonância com a legislação de vários países, recomendou o estudo sobre o tema, junto ao escritório de advocacia Freshfields Bruckhaus Deringer, que teve como resultado o documento A Legal Framework for the Integration of Environmental, Social and Governance Issues into Institutional Investment.

Em 2020, o diretor-executivo da BlackRock, Larry Fink, a maior gestora de fundos do mundo, anunciou que a sustentabilidade se tornaria critério para as decisões de investimento de sua empresa e que aquelas não comprometidas com o tema estariam fadadas ao insucesso. A resposta do mercado foi um aumento significativo de investimentos em empresas ESG e uma mudança de paradigma na tomada de decisões no mundo corporativo.

O interesse pelo ESG ganhou destaque no corrente ano de 2021. Conforme Google Trends, a busca pelo termo “empresa ESG”, no Brasil, aumentou mais de 500% no último ano e “ESG significado” teve uma ascensão de mais de 170%.

ESG é um conjunto de práticas que devem ser tidas em conta para definir se as tomadas de decisão e operações da empresa são socialmente conscientes, ambientalmente sustentáveis e corretamente geridas, indo além de uma análise puramente econômico-financeira.

Podem ser citados como exemplo de fatores ambientais, o cômputo e preocupação quanto à utilização de recursos naturais feita pela empresa, o incentivo à prevenção aos danos ambientais e a gestão dos resíduos. Como exemplos de fatores sociais estão a inclusão e a diversidade, bem como a preservação dos direitos humanos. Por fim, como fatores de governança estão o combate à corrupção, a estrutura dos comitês, ética e transparência.

O mundo mudou e aqueles que não se adequarem aos novos critérios podem perder investimentos, clientes e mercado. Essa forma de governança com práticas ESG traz uma mudança de paradigma na gestão empresarial, a qual deve ter em conta também os fatores ambientais e sociais a fim de possibilitar atingir melhores resultados e, por consequência, obter maiores lucros, reconhecendo a existência de um novo consumidor e/ou investidor, com maior consciência ambiental e social.

Diante disso, fica evidente a diferença entre as empresas que atuam conforme critérios ESG e aquelas que praticam o greenwashing, ou seja, externam sustentabilidade, mas apenas o fazem de forma maquiada, sem executar ações efetivas neste sentido.

Assim, o exercício das práticas ESG tem que ser considerado pelo setor corporativo, de forma a colaborar tanto no desenvolvimento econômico quanto na imagem da empresa, uma vez que, além de sua identificação diferenciada e destacada favoravelmente pelos consumidores e investidores, a influência destas ações no fator monetário também se tornou determinante.

 

Luiz Fernando Maia é sócio-fundador do escritório LF Maia Sociedade de Advogados, em Bauru, e a advogada Simony Silva Coelho é a responsável pela área ambiental.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas