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Como calcular o impacto da inflação alta no orçamento doméstico

Identificar como a alta de preços interfere na renda familiar é necessário para realizar o planejamento financeiro.

O encarecimento de produtos e serviços tem desafiado as famílias brasileiras. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no país, encerrou 2020 em 4,52%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde janeiro de 2021, ele vem acumulando altas mensais, sendo o maior registro observado em setembro (1,16%).

Diante desse comportamento, a projeção do Banco Central (BC) para a inflação em 2021 vem sendo reajustada sempre para cima. No mais recente Relatório Focus, a informação é que o IPCA deve encerrar o ano em 9,17%, cada vez mais distante do teto inicial, estimado em 5,25%.

O aumento de preços da energia elétrica, dos combustíveis e dos alimentos são apontados como os principais fatores que têm pressionado a inflação. Esse impacto é observado no dia a dia das famílias, que viram a conta de luz, as compras no supermercado e as despesas com transporte pesarem no bolso.

Impactos para o orçamento familiar

Conhecer os impactos da inflação no orçamento familiar é uma forma mais segura de realizar o planejamento financeiro, definindo como é possível economizar e remanejar despesas para que a renda consiga suprir o encarecimento dos produtos e serviços.

O uso das derivadas é uma forma de fazer o cálculo da variação de preços, considerando que serão observados os valores no decorrer dos meses. Trata-se de uma tarefa simples para quem tem familiaridade com esta área da matemática e já domina as teorias, as fórmulas e os postulados, como a regra do produto e do quociente.

Mas para quem não sabe por onde começar, a orientação dos órgãos de defesa do consumidor e de especialistas da área financeira é iniciar com as anotações. Para saber a inflação das compras do supermercado, a orientação é anotar todos os itens comprados durante o mês, as quantidades e os valores. Isso deve ser repetido mensalmente.

Ao final de dois meses, será possível fazer a primeira comparação. Para isso, será necessário somar o valor total gasto no segundo mês e dividir pelo gasto total do primeiro mês. Feito isso, para obter o valor em percentual, é necessário subtrair o número 1 e, em seguida, multiplicar por 100. É possível usar o mesmo cálculo para avaliar a inflação de apenas um produto.

Cuidados com a inflação real

Ao realizar o cálculo anterior, os consumidores podem se surpreender, pois a inflação real tende a apresentar percentuais bem maiores do que o IPCA. Um produto que dobra de preço, por exemplo, tem uma inflação de 100%.

De acordo com a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), a diferença entre a inflação oficial e a real ocorre porque o IPCA representa uma média de preços de diferentes produtos. Já as famílias sentem o impacto de acordo com a cesta de consumo que possuem.

Por isso, conhecer os impactos da inflação real na renda familiar é necessário. Os órgãos de defesa do consumidor, como a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Fundação Procon-SP), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor disponibilizam materiais gratuitos – cartilhas, vídeos e textos – com orientações sobre como realizar o planejamento financeiro familiar.

De acordo com o Idec, ter uma planilha de orçamento doméstico ajuda a organizar e gerenciar as contas do dia a dia, permitindo equilibrar ganhos e gastos no mês. Fazer pesquisas de preços é considerada uma atividade imprescindível no controle do orçamento, segundo a Proteste.