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Brasil e o dia da Marmota – A Saga Continua

Por Cássio Faeddo

O dia 2 de fevereiro é conhecido nos Estados Unidos como o Dia da Marmota, tema que conduz o filme Feitiço do Tempo (Groundhog Day), de 1993.

“Feitiço do Tempo”, é um filme estrelado por Bill Murray, que interpreta um arrogante meteorologista, Phil Connors, que é designado, a contragosto, para a cobertura do dia da marmota em uma cidadezinha do interior dos EUA.

Relembrando a história, se a marmota sair da toca é sinal de que o inverno está acabando. Por uma dessas razões que só ocorrem na ficção, o meteorologista Phil Connors, ao chegar na cidade para a cobertura do evento, passa a acordar e viver o mesmo dia todos os dias.

Assim, ao compararmos o filme com a crise da Covid-19, mortes e a gestão da pandemia, vimos que, no Brasil, a ficção virou realidade, e a ineficiência e desatinos se repetiam dia após dia como se todos os dias fossem iguais.

Mas não, o dia em “looping” não ocorre só na pandemia. Há pouco acompanhamos as eleições do deputado Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados, e de Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado, ambos apoiados pelo Presidente da República.

Foram eleitos de forma inconteste, inclusive com o apoio de parte expressiva da oposição e de partidos progressistas.

Tal fenômeno demonstra como o presidencialismo de coalização continua e continuará dando o tom na política brasileira.

Como o Poder Executivo detém a chave do cofre, e os presidentes das casas legislativas, a composição da mesa diretora, qualquer ideologia se torna irrelevante, e poucos são os políticos que arriscam não aderirem ao projeto de qualquer candidato que seja apoiado pelo Executivo.

A lógica é bem simples: apoiadores do Executivo tem verbas liberadas para investimentos em seus redutos eleitorais; ao inaugurar uma obra por lá, estará o deputado ou senador posando para fotos e fazendo eterna campanha; serão reeleitos, pois o eleitor local ficará satisfeito com a obra e a “eficiência” dos políticos.

Desta maneira, gerações de políticos da mesma família são eleitos e reeleitos, e somente celebridades conseguem lugar para competir na luta e ocupar uma das cadeiras das casas legislativas, pois possuem alguma penetração junto ao eleitorado.

Outro aspecto atraente aos políticos nesse processo, foi a continuação do mecanismo de freios impostos à Lava Jato e outras operações do tipo.

Por tudo isso, pessoas comuns, por melhor preparo que tenham, não conseguem entrar na política. É uma ilusão. Um devaneio.

O cientista e escritor Sérgio Abranches, na célebre obra Presidencialismo de Coalizão, assim define o sistema: É  um  sistema  caracterizado  pela  instabilidade,  de  alto  risco  e  cuja  sustentação  baseia-se,  quase exclusivamente,   no   desempenho   corrente   do   governo   e   na   sua   disposição   de   respeitar estritamente  os  pontos  ideológicos  ou  programáticos  considerados  inegociáveis,  os  quais  nem sempre  são  explícita  e coerentemente  fixados na  fase  de  formação  da  coalizão

Esse sistema está intimamente ligado à miséria e ignorância de nossa população, e é exatamente por causa dele que temos uma casta imperial de políticos; e porque não dizer, de uma burocracia de Estado digna do sistema comunista, vivendo nababescamente às custas do contribuinte.

E não é só leite condensado. Vinhos, viagens, cursos no exterior, auxílios diversos, para citarmos apenas o que é legal. Não se trata só deste atual governo, porque todos os demais antes deste, na famosa “Nova República”, se nutriram deste sistema que mina qualquer força de crescimento do país. É um mecanismo insustentável.

Portanto, é mais um dia da marmota no Brasil, vamos repeti-lo diariamente contando somente com a intervenção divina, pois desta terra nada haverá de se esperar.

Cassio Faeddo: Sócio Diretor da Faeddo Sociedade de Advogados. Mestre em Direitos Fundamentais pelo UNIFIEO.  Professor de Direito. MBA em Relações Internacionais/FGV-SP Site: www.cassiofaeddo.com.br

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas