Eleições 2026
Nova rodada da pesquisa Genial/Quaest aponta polarização consolidada, alta rejeição e eleitor ainda indeciso sobre o futuro do Brasil
A 24ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste mês de abril, escancara um retrato já conhecido — mas que ganha contornos ainda mais preocupantes a menos de três anos das eleições presidenciais de 2026: o Brasil segue profundamente dividido, com um eleitorado polarizado e sem definição clara sobre quem deve comandar o país no próximo ciclo político.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aparece como principal nome na corrida eleitoral, mas longe de qualquer zona de conforto.
A liderança existe, mas é acompanhada de um dado que chama atenção nos bastidores políticos: o alto nível de rejeição e a dificuldade de ampliar apoio fora de sua base mais fiel. Na prática, Lula segue competitivo, mas não hegemônico — um cenário que abre espaço para adversários crescerem.
Mais do que números, a pesquisa revela um ambiente de incerteza. Parte significativa do eleitorado admite que ainda pode mudar de voto até 2026, o que transforma qualquer leitura atual em algo provisório. Não há consolidação, há disputa em aberto.

Outro ponto que pesa diretamente nesse cenário é a avaliação do governo. Os dados indicam um país dividido entre aprovação e desaprovação, com percepções que variam de acordo com renda, região e posicionamento político. O Brasil de hoje, segundo o levantamento, não tem uma leitura única — tem várias realidades convivendo ao mesmo tempo.
E é justamente a economia que aparece como um dos fatores mais sensíveis nesse processo. A percepção de aumento nos preços, especialmente dos alimentos, somada à sensação de perda do poder de compra, impacta diretamente o humor do eleitor. Ainda que indicadores macroeconômicos apresentem estabilidade, a percepção popular segue sendo um termômetro decisivo.
Nos cenários de segundo turno testados, a polarização continua sendo o eixo central da disputa. A eleição, ao que tudo indica, tende a repetir o modelo dos últimos anos: dois campos bem definidos, rejeições elevadas e uma margem estreita entre os concorrentes.
Talvez o dado mais simbólico da pesquisa esteja justamente na divisão emocional do eleitorado. Quando questionados sobre o futuro do país, brasileiros seguem divididos até mesmo sobre o que gera mais receio: a continuidade do atual governo ou o retorno de forças políticas adversárias. Não há consenso, há disputa de narrativas.
A pesquisa também reforça um alerta que já ecoa nos bastidores de Brasília: a eleição de 2026 não será decidida apenas por nomes, mas pelo contexto. Economia, percepção social e desgaste político serão determinantes em um cenário onde ninguém, neste momento, pode se considerar favorito absoluto.
O Brasil que emerge da Genial/Quaest é um país em suspenso. Com liderança definida, mas resultado indefinido. Com nomes conhecidos, mas futuro ainda em aberto. E, principalmente, com um eleitor que observa, avalia — e ainda não decidiu.








