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Um novo levantamento internacional divulgado pelo UCLA Emmett Institute acendeu um alerta importante sobre o impacto ambiental dos aterros sanitários ao redor do mundo — e colocou o Brasil no radar das maiores emissões de metano do planeta.
O estudo, baseado em dados do Carbon Mapper e análises de satélites como o Tanager-1 e o instrumento EMIT da NASA, identificou os 25 maiores emissores de metano no setor de resíduos sólidos em 2025. Ao todo, foram analisadas quase 3 mil plumas de gás em mais de 700 locais espalhados por dezenas de países.
E o cenário chama atenção: o maior emissor identificado está localizado na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina. Já o Brasil aparece duas vezes na lista — um indicativo claro de que o problema também é significativo por aqui.
O aterro sanitário de Curitiba figura na 10ª posição entre os maiores emissores globais, enquanto a região de Caieiras, que atende parte da Grande São Paulo, aparece na 13ª colocação.
Impacto climático preocupa especialistas
O metano é um dos gases de efeito estufa mais potentes, com impacto direto no aquecimento global. Segundo o relatório, um único aterro emitindo cerca de 5 toneladas de metano por hora pode ter um efeito climático equivalente ao de aproximadamente 1 milhão de SUVs ou até mesmo uma grande usina a carvão operando continuamente.
Os dados revelam que, enquanto muitos aterros emitem pequenas quantidades do gás, os maiores emissores chegam a registrar taxas entre 3,6 e 7,5 toneladas por hora — números considerados extremamente elevados.
Brasil sob pressão ambiental
A presença de dois aterros brasileiros entre os maiores emissores do mundo reforça uma preocupação crescente: a necessidade de modernização urgente da gestão de resíduos sólidos no país.
Especialistas apontam que, embora o Brasil tenha avançado em políticas ambientais, ainda enfrenta desafios estruturais na destinação adequada do lixo urbano, especialmente em grandes centros. A emissão de metano em aterros está diretamente ligada à decomposição de resíduos orgânicos, o que exige investimentos em tecnologias de captura de biogás e reaproveitamento energético.
Monitoramento por satélite muda o jogo
O uso de tecnologia espacial tem revolucionado a forma como essas emissões são monitoradas. Diferente de métodos tradicionais, os satélites conseguem identificar vazamentos e picos de emissão com maior precisão, permitindo que governos e operadores sejam responsabilizados e pressionados a agir.
Ainda assim, o próprio estudo ressalta limitações: os equipamentos não conseguem captar dados em condições como céu nublado intenso ou durante a noite, o que indica que o problema pode ser ainda maior do que o registrado.
Um desafio global — com reflexos locais
Embora o levantamento inclua países de diferentes níveis econômicos, o recado é claro: a gestão de resíduos sólidos se tornou uma questão central no combate às mudanças climáticas.
No caso do Brasil, a presença de aterros entre os maiores emissores do planeta deve servir como alerta para autoridades, empresas e sociedade. A discussão sobre coleta, destinação correta e aproveitamento energético do lixo deixa de ser apenas uma pauta urbana e passa a ocupar espaço estratégico no debate ambiental global.
Em cidades como Santa Bárbara d’Oeste e toda a região, onde recentemente houve mudanças na operação da coleta de lixo, o tema ganha ainda mais relevância. Afinal, a forma como o lixo é tratado hoje pode impactar diretamente o futuro climático do planeta.







