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A confiança, a esperança e o fim do ciclo virtuoso da construção civil.

Redação 14 de agosto de 2015 4 minutes read

A conjuntura atual mostra que estamos presenciando o fim do maior ciclo virtuoso da cadeia da Construção Civil na história do país. É o pensamento pequeno, de novo.

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Vivenciamos nos últimos cinco anos um período sem precedentes na Construção Civil e no mercado imobiliário, um dos maiores setores geradores de emprego e renda, responsável diretamente por mais de 10% do PIB nacional.

 

Este movimento, neste breve período, foi catalisado pelo crédito imobiliário, cujo volume atingiu 8% do PIB, amplamente disponibilizado a todas as faixas de renda, ratificando a famosa fala do ex-presidente: “Nunca antes neste país”. De fato, nunca antes neste país ofertou-se (Estado e Mercado) tanto crédito imobiliário em tão boas condições e para todas as faixas de renda familiar, a partir de zero real por mês.

 

Ao que tudo indica vamos colocar fim a este ciclo devido a dois fatores muito impactantes.

 

O primeiro diz respeito à inanição do crédito. Seja pelo esgotamento dos fundos que financiam habitação e mercado imobiliário, como da poupança e do FGTS. Da velha poupança pela sangria dos depósitos provocada pela insegurança das famílias e pela queda da competividade do popular investimento. Do funding FGTS, pela crise política instaurada. Lembrando que provavelmente, deve ser aprovada a correção dos saldos das contas do FGTS semelhante aos rendimentos da poupança a partir de 2016.

 

Este primeiro fator torna as condições de financiamento não atrativas devido à necessidade das instituições financeiras praticarem taxas mais elevadas. Juros altos, inflação e correção elevada dos saldos devedores derrubam de vez a viabilidade do crédito nos patamares praticados antes da alta da SELIC e da inflação acima dos 9% ao ano.

 

Mas, a demanda por casa e investimento em imóveis existe ainda, ela é real. O déficit habitacional ainda está na casa dos seis milhões, segundo estudos sérios. As famílias continuam se formando ano a ano e é cada vez mais jovem o perfil do tomador de financiamento imobiliário. O Banco Central faz balanços periódicos e atesta a saúde do mercado financeiro e de crédito, descartando qualquer possibilidade de bolha imobiliária. Os fundamentos do crédito imobiliário brasileiro continuam rígidos e gozando de saúde.

 

Todo este cenário poderia superar as adversidades das condições atuais desfavoráveis de crédito não fosse o outro fator, acima descrito, que coloca gelo nesta fervura, catalisando o desânimo. Trata-se do fator confiança. Um processo que abala todas as outras molas propulsoras da economia.

 

São sinônimos de Confiança: Crédito (de ter crença), Esperança e Segurança. É o ato de confiar na análise se um fato é ou não verdadeiro, devido a experiências anteriores, através de um cruzamento de informações. Refere-se a dar crédito, considerar que uma expectativa sobre algo ou alguém será concretizada no futuro.

 

Exemplo claro foi o rebaixamento da nota de avaliação de risco soberano do Brasil e de várias empresas nacionais, privadas e públicas feito por uma conceituada agencia internacional de risco. Outras devem tomar o mesmo caminho.

 

Este é o fator preponderante que está destruindo o ciclo virtuoso, a falta de confiança. Tanto de quem empreende, investe, produz e disponibiliza os produtos e serviços como de quem se interessa em adquirir esses produtos mediante financiamento e endividamento.

 

A crise é sim de confiança, propagada pela crise política. Infelizmente nosso país, nossas leis e nossos programas são ainda de governo e a dependência do momento político do governo nos faz crer que um novo ciclo só deve se formar com a comunicação de boas notícias, sistematicamente propagadas durante um período.

 

Neste momento, e com este cenário, os empreendedores procuram projetos menos rentáveis apenas para manter seus bons empregados, treinados com muita dificuldade, num período de escassez de mão de obra.

 

Os atores deste mercado imobiliário e da Indústria da Construção devem pelo menos acreditar que a crise pode ser passageira e que não desmobilizem a boa estrutura formada para atender a forte demanda que o país desenvolveu nos últimos anos.

 

Esperança precisa ser o melhor significado de confiança.

Marcos Fontes é professor de Economia da IBE-FGV especialista nas áreas de Finanças e Imóveis com ênfase em crédito imobiliário e construção civil.

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