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Treinos de força e creatina evitam perda de massa muscular

Redação 29 de setembro de 2014 4 minutes read

Na Escola de Educação Física e Esportes (EEFE), trabalho do professor Bruno Gualano indica que a suplementação de creatina, principalmente quando aliada a um programa de treinamento de força, promove ganho de massa muscular e força em pacientes com disfunção muscular e sarcopenia — condição de baixa massa muscular que afeta muitos idosos e os predispõe à mortalidade. Os benefícios do suplemento estão descritos em sua tese de livre-docência intitulada Estudos sobre eficácia terapêutica da suplementação de creatina. Gualano é docente do Departamento de Biodinâmica do Movimento Humano da EEFE.

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O estudo compila resultados de quatro ensaios clínicos destinados a investigar a segurança e eficácia da creatina em idosos e adultos, com ou sem doenças associadas. “A creatina é um derivado de aminoácidos produzida endogenamente e consumida em carnes”, descreve o professor. A suplementação desse nutriente tem sido utilizada, com sucesso, para melhorar o desempenho esportivo. Mais recentemente, tem crescido o interesse no papel terapêutico da creatina que, potencialmente, poderia melhorar massa e função musculares, saúde óssea e capacidade cognitiva. A segurança do consumo da creatina, segundo Gualano, também tem sido alvo de intenso debate.

“A creatina é um nutriente produzido pelo próprio organismo, e obtida também com o consumo de carnes”, explica. Atualmente, a suplementação de creatina é classificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como “alimento para atletas” e é comercializada no mercado. “Há alguns anos, advogo que a recomendação desse suplemento nutricional deveria ser estendida a idosos, pois a literatura científica tem dado bom suporte para isso”, justifica o cientista.

Ele garante que a suplementação de creatina, principalmente quando aliada a um programa de treinamento de força, promove ganho de massa muscular e força em pacientes com disfunção muscular e sarcopenia. “Idosos com sarcopenia e pacientes com osteoartrite de joelho, por exemplo, foram significativamente beneficiados pelo uso desse suplemento nutricional”, afirma o docente. “Ademais, todos os ensaios clínicos apontaram que a suplementação não provocou nenhum efeito adverso importante, contrariando a crença de que esse suplemento poderia ser prejudicial á saúde, sobretudo aos rins”.

Contudo, a tese também refuta a hipótese inicial de que a creatina poderia beneficiar a saúde óssea e a função cognitiva. “Coletivamente, os achados obtidos, publicados em quatro diferentes revistas científicas internacionais de impacto na área, trazem uma nova perspectiva de uso terapêutico da creatina, particularmente quando aliada ao treinamento de força, em condições de baixa massa muscular, como na sarcopenia, e debilidade física, como em casos de osteoartrite e fibromialgia”, explica.

Novos estudos
Gualano destaca, no entanto, que novos estudos têm sido conduzidos pelo seu grupo na EEFE, a fim de determinar os mecanismos de ação desse suplemento em diferentes tecidos, como músculo, cérebro e osso, bem como entender os fatores que afetam positiva ou negativamente a resposta à suplementação de creatina em populações de diversas idades e consumo alimentar (carnívoros ou vegetarianos).

Recentemente, o cientista assinou, juntamente com a professora Rosa Rodrigues Maria Pereira, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, além de outros pesquisadores e alunos que compõe o Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia da FM, um artigo que foi publicado na Revista Experimental Gerontology. O texto resulta de um estudo que envolveu a suplementação de creatina treinamento de força em pessoas idosas do sexo feminino (entre 62 e 79 anos). Os experimentos mostraram que procedimento melhorou a função muscular e massa magra nas mulheres envolvidas na pesquisa.

Gualano destaca, ainda, que o desenvolvimento de produtos enriquecidos com creatina, além de outros nutrientes anabólicos, como a proteínas ou aminoácidos essenciais, pode ser uma estratégia promissora capaz de atenuar as perdas funcionais e estruturais que afetam o músculo esquelético em pessoas idosas. Por fim, o cientista faz questão de salientar que o uso de qualquer suplemento nutricional exerce ação coadjuvante ao treinamento físico em relação ao ganho de massa muscular e funcionalidade. “O exercício deve ser sempre a primeira escolha terapêutica em condições de fragilidade.”

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Agência USP de Notícias

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