Joe Portlock/LAT Images/Fórmula E/Divulgação
O automobilismo brasileiro voltou a celebrar um resultado histórico neste domingo (5). Em uma das maiores corridas de recuperação já vistas na história da Fórmula E, o paulista Lucas di Grassi conquistou uma vitória espetacular no E-Prix de Xangai, na China, após largar da última posição do grid e cruzar a linha de chegada em primeiro lugar na 13ª etapa da temporada 2025/26 do Campeonato Mundial ABB FIA de Fórmula E.
O triunfo representa muito mais do que os 25 pontos conquistados. Aos 41 anos, Di Grassi voltou ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez desde o E-Prix de Londres, em 2022, e escreveu mais um capítulo marcante de sua trajetória justamente na China, país onde venceu também a primeira corrida da história da Fórmula E, disputada em Pequim, em 2014.
Competindo pela Lola Yamaha ABT, equipe que ainda busca consolidar sua competitividade no campeonato, o brasileiro transformou uma situação aparentemente impossível em uma das maiores atuações de sua carreira. Largando apenas da 19ª posição — considerada a última do grid após a ausência de Mitch Evans por problemas técnicos —, Di Grassi soube administrar energia, estratégia e o momento ideal para utilizar o Attack Mode, aproveitando também as constantes mudanças nas condições da pista.

A corrida começou sob condições climáticas instáveis, exigindo voltas atrás do Safety Car antes da largada. O brasileiro Felipe Drugovich, que conquistou sua primeira pole position na categoria, liderou os primeiros momentos da prova, enquanto diversos pilotos antecipavam a utilização do Attack Mode para ganhar posições ainda no pelotão compacto.
À medida que a pista secava, o cenário mudou completamente. Pilotos que optaram por um acerto mais agressivo passaram a ganhar terreno rapidamente, e Di Grassi foi um dos maiores beneficiados. Com ultrapassagens consistentes e excelente gerenciamento de energia, o brasileiro foi escalando o pelotão até entrar definitivamente na disputa pelas primeiras posições nas voltas finais.
O momento decisivo ocorreu após uma bandeira amarela provocada por problemas mecânicos no carro de Zane Maloney. Enquanto seus principais adversários perderam a vantagem do Attack Mode durante a neutralização, Di Grassi ainda possuía uma ativação disponível. A estratégia revelou-se perfeita.
Na penúltima volta, o brasileiro utilizou os 50 kW extras de potência e a tração integral para superar Joel Eriksson. Já na última volta, realizou a ultrapassagem decisiva sobre Jean-Éric Vergne na Curva 1, garantindo uma vitória emocionante que ficará marcada entre as maiores recuperações da história da categoria.
Além do triunfo, Lucas di Grassi ampliou ainda mais seus números históricos na Fórmula E. O brasileiro tornou-se novamente o piloto mais velho a vencer uma prova da categoria e também o competidor mais velho a subir ao pódio. Com o resultado, alcançou a impressionante marca de 42 pódios, permanecendo como o recordista absoluto neste quesito.
Outro brasileiro em destaque foi Felipe Drugovich. Apesar de perder posições ao longo da corrida devido às mudanças estratégicas provocadas pelas condições da pista, o piloto da Andretti realizou uma atuação consistente e terminou na sexta colocação, resultado importante poucos dias após renovar seu contrato com a equipe para a próxima temporada.
A corrida também provocou mudanças importantes na disputa pelo campeonato. O alemão Pascal Wehrlein terminou em quarto lugar e assumiu a liderança do Mundial de Pilotos com 141 pontos, beneficiado pelos problemas técnicos que impediram o então líder Mitch Evans, da Jaguar, de largar. Entre as equipes, a Jaguar permanece na ponta da classificação, seguida de perto pela Porsche.
A vitória de Lucas di Grassi ganha ainda mais significado por acontecer justamente em sua última temporada na Fórmula E. O brasileiro já anunciou que encerrará sua carreira na categoria ao final do campeonato e demonstra que continua competitivo mesmo após mais de uma década disputando o principal campeonato mundial de carros elétricos.
A Fórmula E retorna agora nos dias 25 e 26 de julho para a rodada dupla do E-Prix de Tóquio, no Japão, que será disputada em formato noturno e promete ser decisiva na luta pelo título da temporada 2025/26.






