
Evento realizado na Câmara Municipal reuniu famílias, especialistas e entidades para debater políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência; ao SB24Horas, Simone Borro afirmou que o instituto “veio para criar pontes”
O plenário da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste recebeu, na manhã deste sábado (27), o 1º Fórum das Mães Atípicas, evento que marcou oficialmente o lançamento do Instituto Colmeia Atípica Damaris Borro, organização criada para oferecer acolhimento, orientação e suporte às mães de pessoas com deficiência, além de ampliar o debate sobre inclusão e fortalecimento das políticas públicas.
O Portal SB24Horas acompanhou o evento e conversou com exclusividade com a presidente da entidade, Simone Borro, que emocionou o público ao relembrar a filha Damaris, inspiração para a criação do instituto.
Promovido com apoio da vereadora Esther Moraes, o fórum reuniu mães atípicas, profissionais da área, representantes do poder público e entidades como o GRUMAA (Grupo de Mães Acolhedoras do Autismo) e a AMAI (Associação de Monitoramento dos Autistas Incluídos em Santa Bárbara d’Oeste). Também participou da programação a assessora parlamentar Fátima Franco, representando o gabinete do vereador Celso Ávila.
Durante toda a programação foram discutidos os desafios enfrentados pelas famílias de pessoas com deficiência, a necessidade de fortalecimento das políticas públicas, garantia de acesso aos direitos, inclusão social e a construção de uma rede permanente de apoio às mães atípicas.
Uma homenagem que se transformou em missão
O lançamento do instituto foi marcado por momentos de emoção. Simone Borro apresentou oficialmente a missão da entidade, criada a partir da história vivida por sua família e do legado deixado por sua filha, Damaris Borro.
Em entrevista exclusiva ao SB24Horas, Simone revelou qual seria, em sua visão, a reação da filha ao ver o instituto oficialmente inaugurado.
“Quando falo da Damaris eu sorrio. Parece que eu vejo ela sorrindo para mim. Ela diria: ‘Mãe, vencemos’. Esse já era um projeto nosso. Ela sempre dizia para eu seguir em frente, porque existiam muitas Damaris e muitas Simones que ainda precisavam ser ajudadas.”
A emoção tomou conta do evento durante a homenagem dedicada à jovem, seguida por uma apresentação artística da bailarina Caroline Soares.
Segundo Simone Borro, o Instituto Colmeia Atípica nasce com um propósito muito maior do que oferecer atendimento pontual.
Ela explicou ao SB24Horas que a entidade foi estruturada para atuar como uma grande rede de apoio às mães que, muitas vezes, deixam a carreira profissional para dedicar integralmente suas vidas aos cuidados dos filhos.
“O Instituto veio para isso. Ele não veio para dividir. Veio para criar pontes, agregar e ser um facilitador na vida das mães atípicas. Eu sou mãe atípica há 32 anos e conheço as dificuldades, aquilo que ninguém vê, os bastidores da vida de quem cuida de um filho com deficiência.”
Entre os projetos apresentados estão ações de acolhimento emocional, orientação jurídica, apoio terapêutico e iniciativas voltadas à capacitação profissional de mães que não conseguem ingressar ou retornar ao mercado de trabalho devido à rotina intensa de cuidados.
Embora tenha sido oficialmente lançado em Santa Bárbara d’Oeste, o instituto já inicia suas atividades com alcance regional.
Simone revelou que a entidade já estabeleceu parcerias além do município, ampliando a atuação para atender famílias de outras cidades.
“Nós já ultrapassamos a barreira de Santa Bárbara. Já firmamos convênio com uma casa americana e os espaços estão sendo ampliados. Todo esse processo vai alcançar mães de outros municípios.”
Além do lançamento da entidade, o fórum promoveu debates sobre a necessidade de políticas públicas permanentes voltadas às pessoas com deficiência e seus familiares.




Entre os principais temas discutidos estiveram o fortalecimento do Plano Viver sem Limite, a necessidade de orçamento específico para programas de inclusão, ampliação do acesso a tratamentos, educação especializada, benefícios sociais e a criação de alternativas como residências assistidas para garantir dignidade e proteção às pessoas com deficiência quando seus responsáveis não puderem mais exercer esse papel.
O encontro também abriu espaço para que mães atípicas compartilhassem experiências e apresentassem sugestões que deverão compor a futura Carta das Mães Atípicas de Santa Bárbara d’Oeste, documento que será encaminhado ao poder público como contribuição para a formulação de novas políticas públicas.






