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Brasil atinge 168.798 vendas de carros elétricos em 2025

Dennis Moraes 28 de novembro de 2025 8 minutes read
carro elétrico
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O mercado brasileiro, que concentra 61% da frota regional, mantém o BYD Dolphin Mini como seu veículo mais vendido.

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A revolução elétrica deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das mudanças mais profundas do setor automotivo mundial. O que há apenas uma década parecia um panorama distante, impulsionado pela inovação industrial e pela preocupação ambiental, hoje se materializa nas ruas, concessionárias e projetos de infraestrutura mais ambiciosos do planeta.

O fato é que a eletrificação veicular não é mais uma tendência, mas um fenômeno consolidado que transforma hábitos de consumo, redefine estratégias empresariais e obriga os governos a acelerar políticas de transição energética. Neste cenário global, o Brasil surge como um protagonista fundamental na América Latina, não apenas pelo volume de vendas, mas também pela solidez com que constrói seu caminho rumo à mobilidade sustentável.

O crescimento mundial da eletromobilidade atinge números que pareciam impensáveis há poucos anos. De acordo com dados do Ministério da Economia e Energia, as vendas de automóveis elétricos passaram de 3 milhões de unidades em 2020 para 17,5 milhões em 2024, um salto que ilustra a velocidade de transformação do setor. Só em 2024, as vendas aumentaram 45% em relação ao ano anterior, permitindo que o parque global de veículos elétricos ultrapassasse os 58 milhões de unidades atualmente em circulação no mundo.

Além disso, os veículos elétricos puros (BEV) e híbridos (HEV e PHEV) já representam 22% das vendas globais de automóveis, atingindo 4,5% da frota total. Este novo mapa da indústria tem nomes próprios, e um deles é a China, líder absoluto com 65% das vendas globais, seguida pela Europa com 18% e pelos Estados Unidos com 9%. No gigante asiático, quase metade dos veículos vendidos são elétricos, com uns impressionantes 48%, mais do dobro do registado na Europa.

De forma semelhante ao que ocorre com a China em nível global, o Brasil começa a desempenhar um papel determinante na América Latina. Lá, o parque elétrico regional encontra um líder claro, pois concentra 61% dos veículos eletrificados. Atrás dele estão o México, com 15%, e a Costa Rica, com 7%, marcando um contraste que não responde apenas à dimensão territorial e demográfica do país sul-americano, mas também a uma estratégia que combina infraestrutura, diversidade de oferta e crescente interesse do consumidor.

No entanto, o verdadeiro sinal da maturidade do mercado brasileiro é observado na evolução das vendas recentes. A menos de dois meses do final de 2025, o país já contabiliza 168.798 veículos elétricos vendidos entre janeiro e outubro. O mais revelador não é apenas o número total, mas o tipo de produtos que impulsionam esse crescimento: 81,6% correspondem a modelos plug-in, ou seja, veículos que dependem de infraestrutura externa (BEV e PHEV). Há apenas um ano, essa proporção era de 71%, o que demonstra uma clara inclinação para soluções de eletrificação profunda, abandonando o papel predominante dos híbridos convencionais.

Essa mudança também se refletiu fortemente no mês de outubro, quando foram registradas 21.369 unidades vendidas. Embora o volume tenha sido semelhante ao de setembro, superou em 33% as vendas de outubro de 2024. Além disso, a participação dos veículos elétricos atingiu 8,6% do total das vendas nacionais, superando os 6,4% do ano anterior.

Entre essas unidades, os híbridos plug-in se destacaram como os grandes protagonistas, com 44,3% do segmento e 9.458 unidades vendidas, relegando os híbridos tradicionais a um papel cada vez mais secundário. Os veículos elétricos puros também não ficaram atrás e registraram 7.986 vendas, um crescimento interanual de 30,7%.

Sem infraestrutura, a expansão elétrica seria inviável. Por isso, um dos pilares do crescimento brasileiro está no desenvolvimento de redes de recarga. Entre dezembro de 2020 e agosto de 2025, o número de pontos públicos e semipúblicos passou de apenas 350 para 16.880, de acordo com a Tupi Mobilidade/ABVE Data. Trata-se de um avanço que não só favorece a adoção em grandes cidades, mas também permite o uso interurbano e interestadual, diminuindo a ansiedade pela autonomia e abrindo caminho para novos hábitos de deslocamento.

Outro sinal de consolidação é a diversificação geográfica do mercado. O sudeste continua liderando com 45% das vendas em outubro, mas o sul (18,6%) e o Nordeste (16%) crescem de forma constante, ao ponto de superar o Sudeste em vendas de BEV no acumulado do ano. Em nível estadual, São Paulo domina com 29,8%, embora o Distrito Federal (10,5%) e o Paraná (6,8%) ganhem terreno. Em termos municipais, São Paulo lidera, seguido por Brasília e Belo Horizonte.

A dinâmica dos modelos também está mudando. O BYD Dolphin Mini continua sendo o veículo mais vendido do país, ultrapassando 2.600 unidades mensais. Outros produtos da marca, como o Dolphin e o Yuan Pro, ampliam seu domínio, embora marcas como a Chevrolet comecem a disputar o pódio com o Spark EUV, o único entre os cinco mais vendidos que não pertence à BYD. Nos híbridos, a GWM lidera com o Haval H6, seguido pelo Toyota Corolla Cross e pelo BYD Song Plus, um segmento onde começa a se notar o impacto de preços mais competitivos em manutenção e seguro de automóveis.

Enquanto isso, o fator econômico deixa de ser um obstáculo absoluto. O modelo elétrico mais acessível em 2025 é o Renault Kwid E-Tech, com preço a partir de R$ 99.990. A faixa de entrada chega a R$ 182.800, abrindo portas para consumidores que agora também encontram opções no mercado de usados. Como afirma Clemente Gauer, do Conselho da ABVE, comprar um elétrico usado começa a ser “uma decisão segura e vantajosa”, graças ao baixo custo de manutenção e às ferramentas transparentes para avaliar o estado das baterias.

Tudo indica que o Brasil não está mais experimentando a eletromobilidade, mas sim consolidando-a. Com uma infraestrutura robusta, consumidores cada vez mais informados, oferta diversificada e uma indústria comprometida, o objetivo não é mais testar o modelo, mas sim sustentá-lo. O desafio que se segue será transformar esse crescimento em política de Estado, capaz de posicionar o país como líder regional em transporte mais limpo, eficiente e com visão de futuro.

O que está por vir

O crescimento sustentado dos veículos elétricos no Brasil começa a projetar um novo capítulo para a indústria automotiva do país. Embora o mercado já demonstre maturidade em vendas e adoção de tecnologias, ele enfrenta desafios estruturais que definirão o ritmo de expansão nos próximos anos.

Um dos principais obstáculos é a forte dependência das importações, especialmente de modelos provenientes da China e da Europa. Essa concentração revela um risco: o avanço da eletromobilidade poderia desacelerar se a produção local não for fortalecida. No entanto, o cenário está em movimento e os próximos anos prometem uma mudança estratégica com a chegada de novas fábricas e o desenvolvimento de uma cadeia industrial própria.

Entre as iniciativas mais relevantes estão os investimentos da BYD e da GWM, que iniciaram suas operações nos últimos meses, embora com enfoques diferentes. No caso da GWM, o impulso concentra-se principalmente em híbridos, enquanto a BYD aposta tanto em híbridos plug-in quanto em elétricos puros. A esses investimentos somam-se os planos da Stellantis, que prepara a produção nacional de veículos elétricos.

Embora os efeitos não sejam imediatos, essas medidas antecipam uma transição gradual para uma indústria capaz de abastecer o mercado interno e competir regionalmente. No entanto, a reintrodução de impostos sobre as importações poderá pressionar os preços e gerar ajustes na estratégia comercial das marcas, o que incentivará ainda mais a fabricação local.

A perspectiva de crescimento para 2025 reforça essa necessidade. De acordo com Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos, o mercado de veículos elétricos no Brasil deve crescer 20% no próximo ano, um sinal de “maturidade econômica e de consumo”, já que adquirir um veículo elétrico “é hoje uma decisão muito mais racional e competitiva”. Bastos também destacou um ponto que coloca o Brasil em uma posição de liderança regional: a América Latina está atualmente no ponto em que o Brasil estava há cinco anos, uma vantagem que abre oportunidades para exportações futuras, especialmente de veículos híbridos plug-in fabricados no país.

Nesse contexto, o Brasil não busca apenas satisfazer seu próprio mercado, mas também construir uma plataforma industrial capaz de projetar a eletromobilidade para toda a região. Se os investimentos se concretizarem e a produção local conseguir equilibrar custos e oferta, o país poderá deixar de ser um grande importador de veículos elétricos para se tornar um exportador de referência.

(Os comentários são de responsabilidade do autor, e não correspondem à opinião do SB24Horas)

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