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De quem é a paz?

Dennis Moraes 20 de novembro de 2025 5 minutes read
Dom Devair

Dom Devair

Nos últimos meses, a sucessão de operações policiais e discursos públicos sobre segurança tem revelado um traço inquietante do Brasil contemporâneo: a banalização da violência e a dificuldade em discernir o que realmente traz paz. A cada ação, multiplicam-se as mortes e as justificativas. No primeiro artigo, perguntávamos “De quem é a culpa?”, demonstrando a tendência humana de transferir responsabilidades. Depois, em “De quem são os corpos?”, vimos que a guerra cotidiana nas favelas reduz as vidas humanas a estatísticas. Agora, a questão se aprofunda: “De quem é a paz?”

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Recentemente, uma especialista em segurança pública, professora de uma universidade, afirmou em entrevista que “um criminoso portando um fuzil pode ser facilmente neutralizado até com uma pedra na cabeça”. A frase, descontextualizada ou não, viralizou, tornando-se símbolo de um debate em que a racionalidade cede lugar ao sarcasmo, e onde a tragédia social se transforma em espetáculo. Quando a “pedra” vira argumento, já não se trata de técnica, mas de desespero. Fala-se de paz como se falasse de guerra, usando os mesmos instrumentos e abrindo as mesmas feridas.

No entanto, a Escritura conhece bem o poder de uma pedra, ou melhor, de uma pedrada. Davi enfrentou Golias com uma funda e uma pedra (1Sm 17). Não o fez por arrogância, mas em nome do Senhor. Sua arma não era a violência, mas a fé. Davi não acreditava na força da pedra nem nas armaduras, mas na justiça de Deus. O gigante caiu não apenas pelo impacto físico da pedra, mas pela força moral daquele que se recusou a lutar com as armas do inimigo. Essa é a distinção que falta hoje: saber que a paz não está na destruição do outro, mas na fidelidade ao bem. É realmente inacreditável que uma especialista em segurança pública pense que trocar armas por pedras seja a solução.

Quando a professora invocou a imagem da pedra, sem perceber, trouxe à tona uma metáfora bíblica, que mostra que há violências que só podem ser vencidas pela coragem moral, não pela força bruta. Mas o discurso técnico, quando isolado da compaixão e da verdade, perde sua força. A paz não se impõe pela força, ela floresce do encontro. Como lembra São João XXIII na Pacem in Terris (n. 167): “A verdadeira paz entre os homens não se constrói com o equilíbrio de forças, mas com o reconhecimento sincero da dignidade humana.” As armas podem deter o avanço dos soldados dos dois lados, mas não convertem um coração. O Estado pode conter o crime, mas só o amor pode regenerar uma alma.

De quem é a paz? A paz é de Deus, mas também é uma tarefa humana. Não é posse de quem tem poder, mas dom de quem se deixa conduzir pelo Espírito. E como reitera o Papa Francisco: “Não há paz sem um compromisso de justiça, nem justiça sem perdão” (Fratelli Tutti, 227). Nas ruas onde o medo reina, o cristão é chamado a ser como Davi: confiar mais na promessa do que na força, mais no Evangelho do que nas estratégias. A Igreja, que caminha entre Golias e as pedras, precisa ensinar que a verdadeira segurança começa quando se restitui o valor da vida.

Hoje, muitos ainda acreditam que a paz virá quando aprendermos a lançar melhor as pedras contra o inimigo, contra o outro, contra quem pensa diferente. Mas a fé nos ensina o contrário: não é lançando pedras que vencemos os gigantes, e sim desarmando o coração. A pedra de Davi já cumpriu sua missão; agora repousa aos pés da Cruz. O Evangelho não ensina a lançar pedras, ensina o caminho da responsabilidade e da conversão. Continuar lançando pedras é perpetuar a guerra, mas depositá-las aos pés de Cristo é começar a reconstruir a paz.

No Calvário, todas as realidades humanas se encontram: o poder que oprime, o inocente que sofre, a mãe que permanece. Jesus crucificado, entre dois ladrões e Maria aos pés da cruz. Ali o mundo descobre que a verdadeira justiça não vem do impacto das armas, mas do amor que se entrega. A Cruz é o gesto supremo de quem se recusa a revidar e escolhe transformar o ódio em perdão. Por isso, a paz não nascerá das pedras ou das armas, mas das feridas redimidas. “A paz é obra da justiça e efeito da caridade, que supera toda forma de egoísmo e exclusão” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 494). A justiça de Deus não apedreja, ela abraça, cura e ressuscita.

Dom Devair Araújo da Fonseca
Bispo de Piracicaba

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Dennis Moraes

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Jornalista, Hoster do Iron Podcast e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação

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