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O Brasil necessita de um presidente de centro ou um presidente centrado?

Redação 4 de agosto de 2021 4 minutes read

Por Cássio Faeddo

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Por que Bolsonaro não aproveitou as oportunidades fáticas que os desafios na administração pública do Brasil proporcionaram?

Não sabemos se Bolsonaro foi influenciado a não agir racionalmente ou se os demagogos que o cercam não o alertavam a respeito dos disparates e equívocos de sua gestão por interesses outros.

Também não está claro porque desde o início de seu governo, e especialmente na pandemia, Bolsonaro procurou mais o confronto do que a popularidade realizando atos de gestão equilibrados.

É fato que se Bolsonaro tivesse dado agilidade na aquisição de vacinas – como fez Trump, em meados de 2020 – estaria em uma posição muito confortável para reeleição. A economia aqueceria mais rápido e Bolsonaro teria salvo milhares de pessoas da morte.

Não faltaram articulistas, cientistas, médicos, dentre outros, que alertavam para a necessidade da compra urgente de vacinas. Tanto faz se fosse Pfizer ou CoronaVac. A vacinação rápida era o segredo e Bolsonaro falhou.

Não ter entendido ou não ter tentado sequer entender esse processo foi crucial para a derrocada da popularidade de Bolsonaro. Depender de extremistas no Congresso ou nas ruas não o reelegerá pelas vias democráticas.

Insistir na discussão sobre voto de papel para comprovar o voto eletrônico, neste momento, de forma atabalhoada e intempestiva, apenas o isolará mais a permanecer somente com seu restrito público barulhento. Nada mais. Só se justifica se o interesse é apenas causar confronto e confusão.

As eleições de 2020 deram a indicação de que, antes de um candidato de centro político, o eleitor evitou eleger candidatos com discursos que pudessem demonstrar um certo desequilíbrio no agir e falar.

O que tem ocorrido na atual gestão é o descolamento das lições básicas da política, a exemplo do que ensina Maquiavel.

Maquiavel afirma que “é necessário ao príncipe ter o povo como amigo; caso contrário, não terá remédio na adversidade”.

As adversidades não faltam no Brasil no momento.

As pesquisas indicam que Bolsonaro tem desagrado a maioria dos súditos e se apegado ao grupo que restou que se autodenomina como povo. Na verdade, este “povo” é  uma franja radical da extrema direita que causa apenas mais repulsa a maioria moderada.

Outro erro crasso de Bolsonaro é a equivocada compreensão da lição maquiavélica de que entre ser amado e temido é melhor ser temido. Ocorre que Bolsonaro não é amado nem temido por aqueles que aparecem constantemente nas pesquisas a favor de outros candidatos ou que o rejeitam expressivamente.

Maquiavel também ensina que “(…) um príncipe deve procurar evitar as coisas que o tornam odioso e desprezível, com o que terá cumprido a sua parte e não correrá perigo algum de outras infâmias”.

Ora, o que Bolsonaro tem declarado e causado, especialmente na pandemia? Não se pode confundir ser temido com ser repulsivo.

Por exemplo, o Presidente recentemente se referiu ao ex-Prefeito Bruno Covas como “aquele que morreu”, esquecendo a comoção apartidária causada pela morte precoce do cidadão Covas. Um exemplo recente dentre tantas declarações estapafúrdias.

Todo esse histórico indica que o postulante ao cargo de presidente deverá ser um candidato muito equilibrado. Antes de ser relacionado a uma tendência ideológica, deverá se demonstrar como uma pessoa centrada.

Ser um soberano firme, justo e dedicado a todos os súditos – e não apenas a um grupo, será crucial para o próximo presidente.

Esse novo presidente, amparado nas lições do classicismo grego, deverá sempre lembrar que deverá repelir a corrupção; que a política é a arte do diálogo que visa o bem comum, e que a democracia não é uma concessão de quem detém a força das armas, mas o respeito do povo.

 

Cássio Faeddo. Advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP.

 

 

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