
Turismo e Hotéis avançam e suavizam impacto em capitais festivas
(Barueri – 19/02/2026) – O faturamento do varejo brasileiro registrou queda nominal de 8,0% durante o período do Carnaval de 2026, na comparação com a data equivalente de 2025, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado foi impactado principalmente pelo efeito de calendário: neste ano, a comparação considera uma semana de meados de fevereiro (13 a 18/02/2026) contra o período de 28/02 a 05/03/2025, quando parte das vendas ocorreu já no início do mês, tradicionalmente mais forte por conta do pagamento de salários.
SETORES
No recorte por macrossetores, Serviços recuou 2,5%, Bens Duráveis e Semiduráveis caíram 5,7% e Bens Não Duráveis registraram retração mais intensa, de 10,2%. A sazonalidade entre as datas comparadas também desfavoreceu especialmente o segmento de Supermercados, que apresentou queda de 17,2% no Brasil, refletindo a diferença entre uma semana de início de mês no ano passado e uma semana intermediária neste ano.
Apesar do desempenho negativo do varejo total, o setor de Turismo & Transporte cresceu 3,3%, destacando-se como o principal vetor positivo da data. O resultado indica que, mesmo em um contexto de comparação desfavorável, o feriado manteve seu apelo para viagens e deslocamentos.
Entre os microssetores, Hotéis avançaram 4,3%, reforçando a leitura de que o Carnaval foi atrativo para viagens. Cinemas também registraram crescimento, de 1,3%, sugerindo que parte dos consumidores buscou alternativas de entretenimento além dos tradicionais blocos de rua. Transporte Urbano teve leve alta de 0,2%, enquanto Bares (-1,1%), Restaurantes (-5,4%) e Lanchonetes (-9,4%) apresentaram retração.
“O desempenho reforça uma tendência de diversificação do consumo no feriado: menos concentrado apenas em alimentação e compras de ocasião e mais distribuído entre experiências e entretenimento”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.
Capitais do Carnaval tiveram desempenho melhor que a média nacional
A queda no Brasil (-8,0%) foi mais intensa do que nas principais capitais associadas ao Carnaval, indicando que a data ajudou a suavizar o impacto nas regiões mais festivas.
Belo Horizonte teve o melhor desempenho entre as capitais analisadas, com retração de apenas 1,0%. Rio de Janeiro caiu 1,9%, Salvador 3,1%, Recife 5,8% e São Paulo 5,9%.
No recorte setorial por cidade, o destaque foi o Rio de Janeiro, onde Turismo & Transporte cresceu 9,3%. Em Salvador, o setor também avançou 1,1%. Já em Recife, embora todos os segmentos tenham recuado, Turismo & Transporte apresentou a menor queda (-1,9%), novamente demonstrando resiliência.
Em Belo Horizonte, além da retração mais moderada do varejo total, Drogarias cresceram 1,6% e Recreação & Lazer teve alta de 0,5%, mostrando dinamismo local. No Rio de Janeiro, além do avanço de Turismo & Transporte, Drogarias subiram 1,3%. Em São Paulo, todos os segmentos avaliados apresentaram queda, com destaque negativo para Supermercados (-10,2%) e Bares & Restaurantes (-9,6%).
Supermercados pressionam resultado
Supermercados tiveram retração expressiva tanto no Brasil (-17,2%) quanto nas capitais, com quedas que variaram de -7,2% em Belo Horizonte a -22,0% no Rio de Janeiro. A diferença de calendário entre os períodos comparados — início de março no ano passado versus meados de fevereiro neste ano — contribuiu para esse desempenho mais fraco, já que o começo do mês costuma concentrar maior volume de compras.
SOBRE O ICVA
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.
COMO É CALCULADO
A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix. Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.
ENTENDA O ÍNDICE
ICVA Nominal – Indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
ICVA Deflacionado – ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário – ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
ICVA E-commerce – Indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.









