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Unesp cria manual para incontinência urinária durante a gravidez

Guia traz exercícios simples para serem feitos em casa
Um grupo de alunos da Unesp de Botucatu, especialmente Liamara Cavalcante de Assis e João Marcos Bernardes, desenvolveu um manual de instrução para as mulheres que sofrem de incontinência urinária (IU) durante a gestão. O guia fornece várias instruções para a mulher realizar exercícios domiciliares na região do assoalho pélvico e para avaliar a efetividade de sua aplicação para a redução da IU. Estudos apontam que entre 20% e 67% das gestantes apresentam IU.

“A gestação é um período de profundas mudanças no corpo da mulher. Em razão de processos fisiológicos sequenciais que ocorrem durante a gestação e parto, podem ocorrer lesões de estruturas de suporte do assoalho pélvico, do corpo perineal e do esfíncter anal, e que se associam, em longo prazo, à disfunção muscular do assoalho pélvico e ao surgimento da IU”, é o que explica o professor Adriano Dias, coordenador da pesquisa e coordenador do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu.

Para desenvolver a pesquisa, os alunos trabalharam com três grupos de 29 gestantes, na sua primeira gestação, com idades entre 20 e 35 anos e que não apresentavam diabetes, hipertensão ou IU prévia à gestação. Ao total participaram 87 gestantes.

As mulheres do primeiro grupo não só receberam o Manual e foram instruídas sobre seu uso como também realizaram os exercícios em casa e de forma supervisionada por uma fisioterapeuta durante 5 encontros (mensais). Já as gestantes do segundo grupo, não realizaram os exercícios de forma supervisionada, mas, realizaram os exercícios em casa após receber o Manual e foram instruídas sobre como usá-lo. Por fim, as gestantes do terceiro grupo não receberam o Manual e não realizaram os exercícios supervisionados pelo fisioterapeuta nem os exercícios domiciliares.

Dias explica que os exercícios foram executados em quatro posições: deitada de lado, sentada em uma cadeira, sentada com as pernas cruzadas e em pé. Quando deitada de lado ou sentada na cadeira, a mulher realizou 10 contrações lentas dos músculos do assoalho pélvico, sustentadas por 6 segundos cada e com repouso de 6 segundos entre cada contração, seguidas por 3 contrações rápidas. Nas posições sentada com as pernas cruzadas e em pé, realizou 5 contrações lentas, da mesma forma que descrito anteriormente, e 3 contrações rápidas. Entre a transição das contrações lentas para as rápidas e de uma postura para a outra, intervalos de 60 segundos foram feitos.

Os resultados foram surpreendentes: apenas 6,9% das gestantes de cada um dos dois grupos que fizeram os exercícios em casa apresentaram IU, enquanto 96,6% das gestantes do grupo que não fez os exercícios apresentaram IU.

O método demonstrou que a realização de exercícios domiciliares, mesmo quando não supervisionados por um profissional da área da saúde, é uma intervenção eficaz para a redução da prevalência de IU em gestantes. “O diferencial da nossa pesquisa é a demonstração do potencial ganho no quesito custo-efetividade dos exercícios se comparados aos tratamentos cirúrgicos e medicamentosos para a IU”, diz o professor.

Outros tratamentos
As mulheres que apresentam incontinência urinária durante a gravidez também podem ser tratadas por meio de intervenções cirúrgicas ou medicamentosas.

De acordo com o professor Dias, ainda que há indicações específicas, que variam de caso a caso, no geral, as cirurgias, por serem recursos invasivos, podem ocasionar complicações e necessitam de tempo de recuperação longo. Além disso, o sucesso não é totalmente garantido e existem chances de recaída. As medicações, por outro lado, são de uso contínuo e podem resultar em efeitos colaterais indesejáveis.

“Historicamente, numerosas técnicas cirúrgicas e intervenções medicamentosas foram propostas como formas de tratamento da IU. Contudo, atualmente, a Sociedade Internacional de Continência (ICS) aponta a reabilitação do assoalho pélvico como a primeira opção de tratamento da IU”, finaliza.

O método foi divulgado em artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia em 2015. A pesquisa teve a participação de alunos de graduação e pós-graduação do departamento de Saúde Pública, da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Maristela Garmes
ACI – Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp
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Dennis Moraes