Montagem: Dennis Moraes
Por Dennis Moraes
A inauguração da Estação Transmissora de TV Digital da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste foi cercada de discursos sobre transparência, democratização da informação e fortalecimento da participação cidadã. Autoridades, representantes do Governo Federal e vereadores celebraram a chegada da chamada TV Câmara ao município como um avanço institucional.
No papel, tudo parece bonito. Na prática, porém, a pergunta que boa parte da população faz é simples: o que realmente muda na vida do cidadão barbarense?
A resposta talvez seja dura para alguns, mas precisa ser dita: muito pouco.
O problema da política legislativa de Santa Bárbara d’Oeste nunca foi falta de canal de comunicação. O problema sempre foi a desconexão entre parte do Legislativo e os reais anseios da população. Não adianta transmitir sessões em alta definição se o conteúdo político continua distante da realidade das ruas.
Enquanto a Câmara comemora a chegada de novos canais digitais, muitos moradores continuam questionando a baixa produtividade legislativa, a repetição de discursos vazios, a ausência de debates profundos e a falta de projetos que impactem diretamente os problemas do cotidiano. O cidadão quer respostas sobre saúde, mobilidade, segurança, geração de empregos, fiscalização do Executivo e qualidade dos serviços públicos. É isso que aproxima o povo da política — e não apenas uma nova frequência de televisão.
A verdade é que o desgaste da imagem do Legislativo barbarense não será resolvido com estrutura tecnológica. Transparência não nasce da existência de câmeras, transmissoras ou sinal digital. Transparência nasce da prática política séria, da coerência, da fiscalização firme e do compromisso verdadeiro com a população.
Existe ainda outro ponto importante: o consumo de informação mudou radicalmente. Hoje, a maior parte da população acompanha conteúdos por redes sociais, cortes rápidos, transmissões ao vivo no celular e plataformas digitais. A televisão legislativa tradicional já não possui o mesmo alcance popular de décadas atrás. Sem conteúdo relevante e conexão genuína com o cidadão, existe o risco de a TV Câmara se tornar apenas mais um canal ignorado pelo público.

Isso não significa que o projeto seja inútil. A comunicação pública possui valor institucional e pode, sim, cumprir um papel educativo e democrático. O problema é quando se vende a ideia de que uma antena representa, automaticamente, fortalecimento da cidadania.
O fortalecimento da cidadania começa quando o cidadão sente que sua voz é ouvida dentro do plenário. Começa quando vereadores deixam de atuar apenas para redes sociais ou grupos políticos específicos e passam a exercer, de fato, o papel de fiscalização e representação popular.
A tecnologia pode ampliar o alcance da informação, mas não consegue reconstruir, sozinha, a confiança perdida entre a população e a classe política.
No fim das contas, a nova antena pode até transmitir imagem em alta definição. O que ainda continua com sinal fraco é a credibilidade do Legislativo perante parte significativa da população barbarense.
Dennis Moraes é Comendador outorgado pela Câmara Brasileira de Cultura, Jornalista, Feirante e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação. Acesse: dennismoraes.com.br







