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Cenário econômico, calendário favorável e busca por praticidade impulsionam viagens regionais e deslocamentos de curta distância ao longo do ano
O turismo de proximidade deve se consolidar como uma das principais tendências de viagem em 2026 no Brasil, impulsionado pela combinação entre cenário econômico desafiador, valorização do tempo livre e calendário generoso de feriados prolongados.
Em 2026, diversos feriados nacionais caem em segundas ou sextas-feiras, criando finais de semana estendidos de forma natural.
Para parte dos brasileiros, essas datas representam uma oportunidade de aproveitar pausas mais longas sem comprometer tantos dias úteis, priorizando destinos curtos e experiências de fácil acesso.
A ascensão do turismo de proximidade no Brasil
O comportamento do consumidor reforça essa tendência, o chamado turismo de proximidade. Caracterizado por deslocamentos de curta distância, geralmente até 300 quilômetros, essa modalidade tem sido associada a um menor custo financeiro e emocional.
Nesse sentido, dados de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, a cada dez viagens realizadas, oito tiveram como destino localidades próximas ao ponto de origem do turista, priorizando o turismo regional.
Esse movimento tende a se manter em 2026. Afinal, dos feriados nacionais previstos, a maioria está próxima aos fins de semana, o que favorece escapadas rápidas. Além disso, entre os fatores que explicam a ascensão do turismo de proximidade, estão:
- redução de custos com transporte;
- menor tempo gasto em deslocamento;
- facilidade de planejamento;
- maior flexibilidade para viagens de última hora.
Feriados prolongados impulsionam destinos regionais
A sucessão de recessos prolongados cria condições favoráveis para viajar. Por exemplo, datas como Independência do Brasil e Dia de Nossa Senhora Aparecida garantem três dias consecutivos de descanso. Já o Dia do Trabalho e o da Consciência Negra, ambos em sextas-feiras, antecipam o fim de semana.
Além disso, feriados que caem em terças ou quintas-feiras seguem como uma chance de “emendar”, especialmente para quem consegue flexibilizar a agenda. No total, o ano permite acumular até 23 datas de descanso utilizando poucos dias úteis.
Ademais, destinos curtos ganham protagonismo como resposta ao aumento das passagens aéreas e ao desgaste associado a viagens longas. Por exemplo, filas, conexões e burocracias em aeroportos passaram a pesar na decisão do turista, que busca aproveitar cada hora do feriado de forma mais eficiente.
Assim, hotéis, pousadas e resorts que oferecem experiências completas, como gastronomia local, atividades culturais e opções de bem-estar, conseguem atender bem às demandas.
Transporte rodoviário como alternativa estratégica para o viajante
Para quem vive em capitais ou grandes centros urbanos, opções como litoral do próprio estado, cidades históricas do interior, regiões serranas ou resorts próximos se tornam escolhas naturais. Nesse contexto, o transporte rodoviário se consolida como uma alternativa estratégica no turismo de proximidade.
Com a alta nos preços das passagens aéreas, muitos viajantes optam por essa alternativa, pesquisando com antecedência, por exemplo, o valor da passagem de ônibus para o Rio de Janeiro para aproveitar o litoral ou a capital fluminense.
Além do custo mais previsível, a flexibilidade de horários e a vasta infraestrutura favorecem esse tipo de deslocamento, especialmente em viagens de feriado.
O futuro das viagens de curta distância em 2026
De acordo com estudo da Priority Press, em 2026, haverá um crescimento na busca por experiências que valorizem a cultura local e estimulem a economia regional.
Outro ponto destacado pelo estudo é a preferência crescente por destinos menos saturados. Desse modo, os viajantes demonstram maior interesse por locais próximos de suas cidades de origem, com menor fluxo de visitantes e afastados de grandes multidões.
Esse conjunto de fatores reforça o turismo de proximidade como uma tendência estrutural, alinhada às novas prioridades econômicas, ambientais e emocionais do consumidor brasileiro.