Abel Ferreira é o terceiro técnico que mais recebeu cartões no futebol brasileiro desde 2022. Crédito: Alamy
Conhecido pelas frequentes reclamações à arbitragem e pelos constantes embates à beira do gramado, Abel Ferreira ficou apenas na terceira colocação entre os técnicos mais indisciplinados do futebol brasileiro. Levantamento do Bolavip Brasil com base no número de cartões recebidos e na frequência das punições mostra que o líder do ranking é o português António Oliveira, seguido pelo argentino Luis Zubeldía. Com isso, treinadores estrangeiros ocupam as três primeiras posições da lista.
Metodologia
Foram checados manualmente todos os treinadores que atuaram em times da primeira divisão do Brasileiro entre 1º de janeiro de 2022 até o dia 4 de agosto de 2026
Em seguida, com o auxílio da plataforma de estatísticas Opta, foram levantados os dados dos 35 treinadores com mais partidas por times da Série A no período, considerando jogos das seguintes competições: Campeonato Carioca, Paulista, Gaúcho, Mineiro, Brasileiro Série A, Brasileiro Série B, Copa do Brasil e todas as competições internacionais oficiais disputadas no período.
Abel Ferreira não lidera, apesar da fama
Desde que chegou ao Palmeiras, Abel Ferreira construiu a imagem de um dos treinadores mais explosivos do país. Discussões com árbitros, reclamações contundentes e cartões frequentes se tornaram marcas de sua passagem pelo futebol brasileiro.
Os números, porém, mostram um cenário diferente. Em 332 partidas, o treinador recebeu 76 cartões — sendo 65 amarelos e 11 vermelhos —, média de um cartão a cada 4,37 jogos. Embora seja o técnico com o maior número absoluto de advertências, o elevado volume de partidas faz com que sua média seja inferior a de outros comandantes.
Trio tem média de cartões três vezes maior do que a média
O topo do ranking pertence ao português António Oliveira. Em 109 partidas, ele acumulou 36 cartões (32 amarelos e quatro vermelhos), o equivalente a um cartão a cada 3,03 jogos. Na segunda colocação aparece o argentino Luis Zubeldía. O técnico recebeu 48 cartões em 160 partidas, média de um cartão a cada 3,33 jogos.
Ao somar-se todos os jogos dos 35 treinadores considerados no estudo e a quantidade de cartões recebida por eles, a média geral é de um cartão a cada 9,3 partidas. O que significa que a média de cartões dos três mais indisciplinados é três vezes maior do que a média.
Indisciplina dos técnicos não interfere nos resultados
Diferentemente dos jogadores, que ao receberem muitos cartões tendem a prejudicar suas equipes, os treinadores indisciplinados não impactam o desempenho dos times que comandam. O levantamento descobriu que os dez técnicos mais indisciplinados do Brasil desde 2022 têm média de pontos de 1,59 por partida no período, enquanto os dez mais disciplinados contam com média de 1,57 por jogo.
Apesar do aproveitamento de pontos praticamente igual, os técnicos mais indisciplinados tendem a ter trabalhos um pouco mais longevos do que os mais disciplinados. Os dez mais penalizados com cartões tiveram uma média de 158 partidas no período analisado no levantamento. Já os dez menos punidos pela arbitragem tiveram trabalhos médios de 142 jogos empregados.
Veja quais são os dez técnicos mais indisciplinados com atuação no Brasil:
1. António Oliveira — um cartão a cada 3,03 jogos
2. Luis Zubeldía — um cartão a cada 3,33 jogos
3. Abel Ferreira — um cartão a cada 4,37 jogos
4. Odair Hellmann — um cartão a cada 5,75 jogos
5. Fernando Diniz — um cartão a cada 5,90 jogos
6. Jorge Sampaoli — um cartão a cada 6,08 jogos
7. Mano Menezes — um cartão a cada 6,19 jogos
8. Maurício Barbieri — um cartão a cada 6,20 jogos
9. Vítor Pereira — um cartão a cada 7,08 jogos
10. Thiago Carpini — um cartão a cada 7,29 jogos
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