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Teatro Municipal ‘celebra’ dois anos fechado

Após dois anos, Lulu Benencase continua sendo reformado, sem prazo para conclusão

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No dia 17 de fevereiro de 2011, uma forte chuva provocou o desabamento do teto no hall da entrada do Teatro Municipal Lulu Benencase, em Americana. Na época, a Prefeitura anunciou em nota oficial que, além do incidente, havia sido registrada uma infiltração de água na lateral esquerda da entrada da plateia, além de problemas no camarote, cadeiras e carpete deste lado. No saguão superior, todos os tacos foram levantados por conta da água, que também atingiu a sala da administração do local e a bilheteria.

No dia seguinte ao episódio, as portas do espaço foram fechadas para reformas e demais readequações em sua infraestrutura, o que não acontecia desde sua inauguração, em 1988. Na época, o espaço ficaria fechado por alguns dias, para análise de técnicos da Secretaria de Obras e do DAE (Departamento de Água e Esgoto). A partir disso, a Sectur (Secretaria de Cultura e Turismo) tomaria as providencias necessárias para a reabertura do Teatro, que em março daquele ano receberia espetáculos do Circuito Cultural Paulista.

Entretanto, o local já contabiliza 730 dias de cortinas fechadas. Em agosto de 2011, a Prefeitura havia anunciado que as reformas incluiriam adequações além dos problemas ocasionados pela chuva, como a introdução de 41 novos aparelhos de ar-condicionado para climatização, troca do sistema de som, nova iluminação cênica, implantação de forro acústico, revisão dos telhados e calhas, modernização do sistema de emissão dos bilhetes, além da implantação de acessibilidade em todo o prédio.

Para realização das reformas, foi firmado convênio com a Secretaria do Estado de Cultura para transferência de recursos, que concedeu R$ 350 mil, além dos R$ 65 mil disponibilizados pela administração municipal. Além disso, a Prefeitura foi contemplada com mais R$ 400 mil da Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, para as adequações referentes à acessibilidade.

Na época, o secretário de Cultura e Turismo, José Vicente De Nardo, afirmou que as reformas colocariam o Teatro como referência em todo o Estado a respeito de acessibilidade. “Em breve, a Secretaria começará o agendamento de novos espetáculos para o próximo ano”, afirmou De Nardo.

Ao contrário do que havia sido dito pelo secretário, o adiamento continua até hoje. “É difícil entender como um prédio tão importante continua fechado. Eles até apresentam argumentos, mas falta clareza nas informações. Falaram que entregariam as obras prontas no ano passado e nada. A gente fica perdido, sem saber o que está acontecendo, além de não termos mais o benefício de usufruir do prédio para espetáculos”, lamenta Carlos Justi, presidente da Associação Cultural Fábrica das Artes e também ex-funcionário do Teatro.

No último dia 5 de fevereiro, foi aberto um edital para licitação de contratação de uma nova empresa para finalização das obras. Além da licitação, no último dia 4 de janeiro foi prorrogado em mais 90 dias o contrato da empresa atual responsável pela obra, a Curi Engenharia, Arquitetura e Produções Culturais. O engenheiro e empresário Ismar Cury afirmou, no mesmo dia da abertura do edital, em entrevista ao repórter do LIBERAL Walter Duarte, que o contrato estabelecido em 2012 tratava apenas da realização de reformas de acessibilidade. A licitação aberta este ano seria referente à complementação das obras no Teatro. “Eu ainda estou fazendo os serviços referentes ao meu contrato, de acessibilidade. Durante as obras eu percebi que há uma série de outros serviços que precisam ser feitos. Ainda há algumas coisas pendentes, mas já estamos terminando”. Dez dias após essa declaração, foi anunciada a prorrogação do contrato da empresa.

 No último dia 13, De Nardo afirmou em nota oficial que as obras seriam retomadas após o Carnaval. “Fazer uma reforma no Teatro não é simples. A administração e a Secretaria estão atentas e queremos concluir a obra”, afirma, desta vez sem indicar prazos como havia feito em anúncios no ano passado. No dia seguinte, o prefeito de Americana, Diego De Nadai (PSDB) afirmou à reportagem do LIBERAL que as obras já deveriam ter sido concluídas. “Eu, mais do que ninguém, quero terminar essas obras. Nós tínhamos uma dificuldade enorme de acessibilidade dentro do Teatro. Nós estamos readaptando o local para torná-lo uma referência na região e no Estado. Dentro de uma prefeitura são “N” dificuldades burocráticas, ora financeira, ora de papel, enfim, vocês não imaginam a quantidade de situações burocráticas que a gente tem que enfrentar no dia a dia pra conseguir colocar uma obra em pé e no teatro não foi diferente. Estou muito otimista que eu consiga entregar essa obra ainda este ano, com toda a certeza, para a cidade de Americana”.
Fonte: O Liberal