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Superficialidade e polarização na Internet

Cássio Faeddo

Por Cássio Faeddo

 

Em tempos já distantes, muitos paravam em frente a uma banca de jornal e liam só as manchetes. Por exemplo, no jornal sensacionalista “Notícias Populares” estava lançado na capa:        “Nasceu o bebê diabo! ”.  E o cidadão saia dali apavorado com a possibilidade de ser atacado um dia pela criatura maligna.

 

Atualmente, com o fenômeno das redes sociais, esse mesmo tipo de pessoa lê apenas a manchete, e isto se torna suficiente para realizar seus comentários desatinados e fora do contexto do que o articulista escreveu, ou mesmo da notícia.

 

Esses comentários são raramente engraçados, sendo habitualmente agressivos ou mal-educados – palavras que o sujeito não utilizaria frente à frente com seu interlocutor por receio da reação. Muitos comentem delitos tipificados no Código Penal como injúria, calúnia e difamação. Às vezes todos os delitos no mesmo comentário.

 

Mas a Internet é assim. Alçou à condição de críticos leitores de manchetes que mal se lembram do último livro lido.

 

A pior consequência desta espécie de crítica é a capacidade que o leitor de manchetes tem de piorar a própria capacidade crítica. Pior ainda acontece quando este internauta produz ou repassa um meme com a informação que julga ter entendido, e com um clique inicia o compartilhamento.

 

Quando consegue ler algumas linhas de um texto, esse tipo de internauta, tem imensa dificuldade de interpretação de texto, ou de refutar ideias por meio de pesquisas de referências com alguma validade científica.

 

Não se trata de se filiar a um tipo de pensamento, liberal, social, capitalista, esquerda, direita. O elemento não lê e não lerá nada.

 

Desta forma, o leitor de manchetes confunde texto de opinião com notícia, e se torna facilmente manipulável.

 

Não foi sem razão que o propagandista de Hitler, Goebels, não só dominou todos os meios de comunicação, mas determinou a fabricação de rádios para o povo alemão. Hitler entendia que o domínio se exercia com a comunicação de massa, rebaixando o conteúdo ao mínimo compreensível para o homem mais simples da população.

 

Assim, acompanhamos o mesmo na linguagem utilizada na Internet, a superficialidade e a polarização política alimentada por ela.

 

Quanto mais rasteira e direta for a crítica, e mais posicionado ao polo for, mais agradará o público que busca apenas um reflexo de suas impressões de mundo, normalmente simplistas e superficiais.

 

Para sustentar quem ou o que é melhor ou pior se faz necessário ter fatos e dados como luz, sob pena de, sem fundamentos, o interlocutor se tornar apenas um mero torcedor fanático.

 

Cássio Faeddo. Advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas