Somos todos machistas

Estou estarrecida com o resultado da pesquisa divulgada hoje por vários veículos de comunicação realizada pelo Instituto Avon e Data Popular com 2.046 jovens de 16 a 24 anos de todas as regiões do país – sendo 1.029 mulheres e 1.017 homens.

Sei que às vezes sou ingênua demais, mas não imaginava que nossos jovens, incluindo as garotas, fossem tão machistas. Herança de uma sociedade hipócrita que se diz moderna e sem preconceitos? Infelizmente, acho que sim!

Sou um pouco ignorante para aceitar determinadas opiniões alheias, sou mesmo, admito! Mas gente, fico triste quando vejo que a maioria dos jovens aprova condutas que reprimem o comportamento feminino na sociedade.

Segundo a pesquisa, 48% deles dizem achar errado a mulher sair sozinha com os amigos, sem a companhia do marido, namorado ou “ficante”. Ao mesmo tempo, 68% dizem achar errado a mulher ir para a cama no primeiro encontro e 76% criticam aquelas que têm vários “ficantes”. 80% afirmam que a mulher não deve ficar bêbada em festas ou baladas. Oi? Em que ano estamos mesmo?

A pesquisa também mostrou que as meninas ainda sofrem com o controle excessivo de seus namorados, principalmente no campo da internet. 53% delas dizem que já tiveram o celular vasculhado, e 40% que o parceiro controla o que fazem, onde e com quem estão. 35% relatam que foram xingadas pelo namorado; 33%, impedidas de usar determinada roupa.

Ainda: mais mulheres (42% delas) do que homens (41% deles) disseram concordar que uma garota deve ficar com poucos homens. E muitos garotos (43%) ainda veem diferença entre mulheres para “namorar” e “para ficar” – aquelas que têm relações com muitos homens não são para namorar. Entre as mulheres, 34% pensam o mesmo.

Enquanto 30% dos homens dizem que a mulher que usa decote e saia curta está se oferecendo, apenas 20% das mulheres concordam com essa afirmação.

A pesquisa é importante, pois mostra uma sociedade atrasada, que não evoluiu e com um futuro com cara de passado. Que fique claro que não estou fazendo uma apologia à banalização do sexo nem ao abuso de álcool ou ainda à troca constante de parceiros pelas mulheres. O que questiono é a desigualdade em que este assunto é tratado entre os sexos em pleno século XXI. Quantas humilhações, preconceitos, violências….quantos séculos teremos que passar ainda para que um dia todos, sem exceção, entendam que homens e mulheres são sim pessoas diferentes, mas iguais em direito?

Por Juliana Freitas

Fonte : Mulheres Ilimitadas

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